23 junho 2012

Queremos este Futuro?


Terminou a Cimeira Rio+20, que duas décadas depois da Rio92 consagra o conceito de desenvolvimento sustentável.

Os chefes de estado presentes aprovaram a versão final do documento "O Futuro que Queremos" num ambiente decepcionante, desconfortável e de protesto por parte das ONG. Numa carta entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmam que "o futuro que queremos tem compromisso e acção, não é só promessas, e o documento final da conferência é fraco e muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nos últimos 20 anos". [+]

Gro Harlem Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega e presidente da comissão da ONU que lançou o conceito de desenvolvimento sustentável há 25 anos, diz que percebe a frustração de muita gente no final da conferência pois "o documento não faz o suficiente para levar a Humanidade para o padrão de sustentabilidade, décadas depois de ter sido acordado que isto é essencial tanto para as pessoas como para o planeta". [+]

Outra das críticas contundentes é Barbara Stocking, responsável da Oxfam GB que, em entrevista à BBC, afirma que as Nações Unidas construíram esta Cimeira como "a chance de uma geração" para mudar a economia mundial para um novo paradigma de sustentabilidade, mas "...não foi nada disso que aconteceu! Estiveram presentes os mais poderosos chefes de estado do planeta, mas não tomaram as decisões que se impunham para salvaguardar o futuro da Humanidade."

Queremos este Futuro?
Por entre as inúmeras reacções de desalento destaco um aspecto.

No documento "O Futuro que Queremos" desenha-se um novo Direito Humano: O Direito à Água! Contudo, esse aspecto não ficou tratado com a firmeza e seriedade que os povos mais pobres do planeta precisam urgentemente. 

Se à miséria, às catástrofes, à violência, à instabilidade política e social e a todas as vicissitudes que afectam milhões de seres humanos ainda acresce a incapacidade, ou falta de vontade por parte de quem pode, para resolver a falta de água potável, de que desenvolvimento sustentável estamos a tratar? Para quem?

Apagaram-se as luzes, guardaram-se os discursos, desligaram-se as câmaras... Voltamos à realidade. É possível dormir sossegadamente depois deste não-acontecimento? Queremos este Futuro?

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Maria do Céu