23 Abril 2014

Construir «pontes» e «romper fronteiras»

Igreja: Manuela Silva destaca capacidade que o Papa João XXIII teve para construir «pontes» e «romper fronteiras»

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Antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz abordou canonização de Angelo Roncalli, marcada para o próximo domingo


Lisboa, 22 abr 2014 (Ecclesia) – A antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), Manuela Silva, diz que a canonização do Papa João XXIII vai fazer justiça a um homem que “abriu novos horizontes não só à Igreja mas ao mundo”.
 
Em entrevista concedida à Agência ECCLESIA, na antecâmara da cerimónia que vai ter lugar este domingo no Vaticano, a economista destaca a capacidade que Angelo Roncalli (1881-1963) sempre demonstrou para construir “pontes” entre as pessoas e a forma humilde como assumiu a sua missão na Igreja.

“Quando foi eleito, uma das frases que ele utilizou foi esta de se apresentar como servo dos servos de Deus, e nos seus relacionamentos essa virtude estava sempre presente, por isso tinha uma grande popularidade entre o povo”, recorda Manuela Silva.

Outra das mensagens que o Papa italiano procurava passar era a necessidade das pessoas olharem mais “para aquilo que as une” do que “para aquilo que as divide”.

Na opinião da antiga líder da CNJP da Igreja Católica, entre 2006 e 2008, estas qualidades foram decisivas para que “João XXIII, eleito já com bastante idade, quase com 80 anos” tenha-se assumido não como “um Papa de transição, como inicialmente se tinha pensado” mas como “um Papa que abriu novos horizontes não só à Igreja mas também ao mundo daquela época”.
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Para Manuela Silva, foi este percurso que deu a Angelo Roncalli a capacidade de “romper fronteiras”, o facto de ter contactado com “o mundo real”, na altura marcado “pelos horrores da guerra”, e com pessoas dos mais diversos quadrantes sociais, culturais e religiosos.
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Esta entrevista com Manuela Silva, inserida no âmbito das canonizações de João XXIII e de João Paulo II, vai poder ser acompanhada esta noite, no Programa ECCLESIA na Antena 1, a partir das 22h45. SN/JCP 
 [ LER AQUI ]


22 Abril 2014

Fé e Confiança

"As palavras são o meu instrumento. Para um pintor o seu instrumento são as tintas e os pinceis, através dos quais se expressa; no meu caso são as palavras. E por mais que pense, leia, escute, reflicta, continuo sem encontrar uma palavra mais adequada do que Graça para expressar a Bênção da Fé. 

De facto, eu não escolhi – fui escolhida! E a minha perplexidade é sobre porque não o fomos todos?! No ensinamento de Jesus percebemos que somos todos iguais aos olhos de Deus; então, porque não fomos todos agraciados com a Fé? (...)

No meu entendimento, forçosamente limitado, vejo o facto de nem todos sermos abençoados com a Graça da Fé como um “buraco” na generosidade de Deus!"

- Paula Moura Pinheiro -  em entrevista, "Igreja Viva", Diário do Minho

Esperar uma Palavra

Esse gesto que não fizeste e que talvez não faças
ninguém o inscreve como uma falta
(...)
o maior perigo é perder a sede das palavras.

A palavra espera sempre a maravilha.

António Ramos Rosa

19 Abril 2014

Páscoa - 2014


Sábado de Páscoa em Betânia - foto: Rita Veiga

Por estes dias o rosto de Jesus revelou-se-nos em momentos simples e insólitos, em gestos, presenças, silêncios, lágrimas, sorrisos e em tantos, tantos sinais dados por Gente Boa, anónimos/as e Amigos/as!

O Senhor pôs à prova a nossa Confiança esteve connosco e devolveu-nos a Esperança!

Esta está a ser a nossa Páscoa... É a Páscoa de Cristo que amou os/as seus/suas até ao fim.

Aleluia! Aleluia!

01 Abril 2014

Em tempo de crise reforçar a confiança

A minha confiança está em Deus; dele me vem a minha salvação. (Sl 62)
A fé é aquilo que entre o visível e o invisível organiza a batida da credulidade e da confiança. (…).
Que o Espírito nos torne como o cedro, um espaço de abrigo para os dias de chuva e de calor.
J.A. Mourão, in Quem vigia o vento não semeia, p.245

O mundo sobre Ella-Hanny Saraiva.2010
Não é por acaso que a sabedoria do povo hebraico expressa nos salmos insiste na confiança. A título de exemplo, refiro estes dois magníficos versículos dos salmos 24 e 40,respectivamente: Confia a minha alma no Senhor, nele está a minha esperança ou Feliz o homem que confia no Senhor. É como árvore plantada nas margens de um rio que dará fruto abundante.

A confiança é uma atitude aparentemente espontânea. Sem confiança na mãe, que a alimenta, a criança não poderia subsistir nos primeiros tempos de vida.

Sem um mínimo de confiança na organização de uma economia e sociedade, como esperar encontrar pão fresco todos os dias?
(...)

28 Março 2014

Religião e Espiritualidade


Ainda há muita gente que confunde religião com espiritualidade, mas trata-se de duas realidades diferentes.

Num pequeno texto, de circulação interna, Fernando Belo, Professor da Faculdade de Letras de Lisboa, vem chamar a atenção para a necessidade desta distinção. Esta clarificação é fundamental no caso do cristianismo.

Como diz Fernando Belo: No evangelho, a distinção é clara desde o início: o apelo à conversão com o baptismo como ritual de ruptura, tendo sido o mundo político-religioso quem condenou os dois que apelavam à conversão, João Baptista e Jesus. Este opôs Deus não apenas ao Dinheiro (Mateus 6,24) e ao poder político ocupante de César (idem 22,21) mas também ao Deus dos mortos (“ele não é um Deus de mortos mas de vivos”, Marcos 12,27), isto é, ao poder religioso do Templo, como mostra uma palavra dirigida a alguém que queria seguir o mestre mas primeiro devia enterrar o seu pai: “deixa os mortos enterrarem os seus mortos” (Lucas 9,60); o Deus dos mortos é o dos antepassados mortos e enterrados, donde deriva a religião. Durante alguns séculos, o cristianismo foi um movimento espiritual no meio de outros no império romano, foi mesmo perigoso ser cristão em certas épocas, mas depois os Césares escolheram-no como religião oficial em vez da ancestral. Em poucas gerações no Ocidente, o cristianismo tornou-se religião holística ancestral, o baptismo tornado rito de bebés, sinal evidente da mutação. Mas há outro sinal muito mais óbvio: a partir daí, a religião não deixou de parir nas suas margens movimentos espirituais que se referiam à aposta evangélica adulta contra os senhores deste mundo.

O Papa Francisco com a sua palavra profética e testemunho de vida em gestos simples mas cheios de simbologia (por exemplo, a sua opção de não habitar no Palácio do Vaticano!) é um apelo eloquente a que temos de cuidar da espiritualidade evangélica e, através da vida pessoal e das comunidades cristãs, torná-la presente no mundo em que vivemos, nas famílias como nas empresas, na vida política como nas instâncias de regulação financeira, uma espiritualidade que permeie a cultura e inspire e motive as opções do quotidiano.

Este modo de viver a fé cristã, hoje, será uma ponte necessária para saber acolher outras espiritualidades e com elas cooperar na concretização de um mundo mais justo, solidário e sustentável.

Concluo com o final do texto que inspirou esta reflexão:

Faz parte de ser espiritual hoje que, crentes ou não, demos as mãos – livres e solidárias – contra a dominação da alta finança sobre o medíocre poder político e os médias ao seu serviço.