01 julho 2018

Da cultura do excesso à mística da responsabilidade pessoal e colectiva

Plastic waste washed up on a beach - Daniela Dirscherl
Age de modo a que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana sobre a Terra. (Hans Jonas, O princípio da responsabilidade)
.
Todas as épocas têm as suas glórias e as suas patologias próprias.
Com os êxitos e as glórias, os humanos e as suas sociedades convivem bem, apreciando-as, dando-as a conhecer e exaltando-as. 
Não raro, porém, vão para além do razoável, olhando mais para os resultados do que para os custos com que estes foram alcançados e, sobretudo, subestimando, indevidamente, possíveis consequências para o bem comum e para as gerações futuras. Veja-se o que se passa com a euforia do crescimento económico ilimitado que persiste, há mais de meio século, como indicador do desempenho político! Ou, em outro domínio, o fascínio com o conhecimento (da biologia, do psiquismo humano, da matéria,…) e o risco do alargamento do campo das manipulações genéticas e comportamentais em curso, sem o devido respaldo da Ética. (...).
[ ler mais ]

29 junho 2018

Uma nova primavera no movimento ecuménico

Passou despercebida, na comunicação social portuguesa, a presença do papa Francisco na celebração dos 70 anos do Conselho Mundial das Igrejas, que ocorreu no passado dia 21, em Genebra. Mas o facto foi lembrado – e bem – pelo artigo de Anselmo Borges no DN desta sexta-feira.

A presença do Papa Francisco neste evento vem confirmar o seu empenho em viabilizar uma nova primavera ecuménica, como o próprio quis assinalar com o lema que escolheu para esta viagem: caminhar, rezar e trabalhar juntos.
 
No mesmo sentido vão as palavras iniciais do seu discurso: Quis vir aqui, peregrino em busca de unidade e paz. 
 
De salientar, ainda, a sua afirmação de cariz mais programático: No movimento ecuménico devemos deixar cair do dicionário uma palavra: proselitismo.
 
Anselmo Borges aproveitou o seu artigo semanal de hoje para nos oferecer uma retrospectiva sucinta do movimento ecuménico e para assinalar alguns marcos históricos do percurso, que vem sendo feito, designadamente depois do Concílio Vaticano II. 

Em suma, um artigo a não perder.

08 junho 2018

Um gesto pelo ambiente sustentavel

No dia mundial pelo ambiente, veja e divulgue este vídeo (ver abaixo) e, sobretudo, inicie uma mudança no seu comportamento em favor de um ambiente sustentável!
http://casacomum.pt/2018/06/06/o-nosso-planeta-esta-a-afogar-se-em-poluicao-plastica/

02 junho 2018

Consciência e bem comum

nós e a ÉticaFernanda Tavares. 2018
Criado por Deus para a felicidade, o ser humano encontra na sua dedicação ao bem da comunidade em que se insere os meios para realizar essa felicidade pessoal e social. É missão da Igreja contribuir para a edificação de uma sociedade mais justa e fraterna, mais responsável e solidária. Ninguém pode ficar excluído dessa tarefa permanente. (Carta pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, Setembro 2013)
.
Quando recordo as notícias das últimas semanas, não posso deixar de ficar perplexa. Refiro-me à violência gratuita em contextos onde se esperaria encontrar espaços de companheirismo e de fraternidade. Lembro, também, as denúncias acerca da corrupção activa e passiva que, no nosso País, vem ganhando proporções consideráveis, parece não conhecer limites nos expedientes usados e, como óleo derramado, vem atingindo indivíduos e grupos profissionais, até há pouco, considerados impolutos e acima de qualquer suspeita. 
 (...)
Precisamos de ter a coragem de reconhecer que é o ser humano que está em causa assim como a necessária mudança da sua própria consciência, esse lugar secreto em que se vão alicerçando as fronteiras do bem e do mal, com base no conhecimento, na tradição e na cultura e, sobretudo, na fé, quando esta existe. (...)

01 maio 2018

Estará a felicidade ao alcance de um “sim” à vida?

Coloquei diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida para viveres, tu e a tua descendência. (Dt 30,19)
.
Can you predict if you will be happy?- BBC - Future
Consciente ou inconscientemente, cada ser humano, mulher ou homem, em idade jovem ou adulta, procura a felicidade, considerando esta como uma espécie de ápice ou plenitude da vida humana, que lhe servirá de horizonte no decurso da sua existência.
A felicidade está para além de uma alegria passageira, um prazer efémero, um sucesso profissional, um feito heroico, um aplauso e reconhecimento colectivo ou mesmo a envolvência de um grande amor.
Dir-se-á que a felicidade é um estado de alma, um atributo de um modo de ser, que permanece, ainda que com conteúdo indeterminado e variável de pessoa para pessoa, segundo as suas condições materiais de vida, as suas representações culturais, o seu status, a sua religião, ideologia e projecto político.
Compreende-se, assim, que, sendo um conceito subjectivo, não se pode ignorar ou subestimar que a busca da felicidade dependa também do contexto socioeconómico e seja, por este, influenciada.
Como definir a felicidade?  (...)
[ ler mais ]

14 abril 2018

Gaudete et Exsultate
Um chamamento à santidade no mundo actual

Com este título acaba de ser difundida uma Exortação apostólica do papa Francisco que deve ser escutada e dada a conhecer.

É uma mensagem de interpelação pessoal, dirigida aos cristãos, quaisquer que sejam as circunstâncias das suas vidas, no entendimento de que, pelo baptismo, todos, sem excepção, são chamados à santidade.

Logo de início Francisco explicita o seu propósito. O meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós «para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor» (cf. Ef 1,4)
 
Mais adiante acrescenta, a partir da sua própria visão contemplativa, sempre atenta à realidade da vida humana: Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade».

O tom pessoal e, quase coloquial, de um pai ou de uma mãe em conversa com os seus filhos e filhas, não retira a importância que deve ser conferida a outras dimensões do texto: a sua fundamentação teológica e bíblica; a denúncia das falsificações, designadamente o gnosticismo e o pelagianismo; a análise da realidade do mundo actual e dos desafios e riscos a enfrentar; o alcance pastoral; a necessidade do discernimento; o lugar do silêncio, da oração e do serviço numa vida de santidade.

Em suma, direi que esta exortação apostólica oferece a cada pessoa não só um interpelador chamamento à santidade mas também um guia para lhe corresponder nas circunstâncias concretas do seu estado e condição de vida. 

01 abril 2018

A esperança é a arte de ver mais longe

Historicamente, a espera de uma saída para o Mundo nunca deixou de guiar, como uma chama, os progressos da nossa Fé. Os israelitas foram “expectantes” perpétuos; assim como os primeiros cristãos. - Teilhard de Chardin
.
Everest - D. Prudek
De muitos e variados quadrantes sopram ventos de mudança na cena mundial que, com justificadas razões, não nos deixam em tranquilidade quanto ao futuro da Humanidade e à preservação desse bem inestimável que é a paz.
Estou a pensar, entre outras situações, nas tensões que, perigosamente, se vêm acumulando entre as grandes potências mundiais, a propósito da guerra na Síria, dos actos bélicos desencadeados pela Turquia contra as minorias curdas, da recente descoberta de uso de químicos letais de origem russa no Reino Unido, para não falar da informação e contra-informação com origem em serviços secretos de um e outro lado do Atlântico.
Estamos perante desafios tão sérios que quase apagam - ou fazem esquecer - as tragédias que, diariamente, acontecem com o afluxo de refugiados e migrantes que chegam a território europeu em situação de desespero e luta pela sua própria sobrevivência e as condições desumanas em que são obrigados a permanecer, meses e anos, nos campos onde são acolhidos; ou, ainda, as repetidas calamidades ditas naturais, na realidade provocadas por sérias alterações climáticas, por sua vez, correlacionadas com o paradigma económico vigente, ambientalmente pernicioso e insustentável. (...)
[ ler mais ]