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13 junho 2019

Novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral

Siga e divulgue a hashtag #SinodoAmazonico - que já está disponível para acompanhar o maior acontecimento eclesial e ecológico em 2019! 

“Novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral” - O Sínodo da região da Amazónia, convocado pelo Papa Francisco de 6 a 27 de Outubro de 2019 no Vaticano. 
Brevemente será publicado o documento de trabalho que servirá de base para o debate na Assembleia - Instrumentum Laboris.
 

Bispos dos 9 países da região (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Venezuela e Suriname), ao lado de especialistas e auditores, e convidados nomeados diretamente pelo Papa, vão discutir os “Novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral” no Vaticano, com a presença do Santo Padre.
Fonte: Vatican News

08 julho 2015

Laudato Si’ – Uma Encíclica Providencial

Foi um respeitável filósofo francês, que se declara não crente, Edgar Morin, que designou de providencial a recente carta-encíclica do Papa Francisco sobre a ecologia e o cuidado da casa comum.

De facto, trata-se de um documento providencial a vários títulos:
- porque ousa enfrentar a séria e complexa problemática das ameaças que pesam sobre o equilíbrio ecológico, desocultando realidades esquecidas ou subestimadas no debate político e conferindo-lhes a relevância e a urgência que merecem;
- porque apresenta uma perspectiva englobante, assumindo a complexidade das relações em presença e a sua natureza sistémica;
- porque defende uma visão inovadora de uma ecologia integral que abarca a ecologia ambiental, económica e social;
- porque assinala a necessidade de uma ecologia cultural com incidência no viver quotidiano, no modo de produção e no consumo;
- porque revisita e dá ênfase a princípios basilares da centralidade da dignidade da pessoa humana, do primado do bem comum, do sentido da interdependência entre todos os seres criados e da solidariedade intrínseca à preservação e desenvolvimento da vida em comum;
- porque tem a coragem de criticar os fundamentos do actual paradigma tecno-económico e apontar caminhos para uma nova civilização;
- porque nos lembra que os seres humanos também são natureza e não podem passar sem ela; não são seus donos, mas cuidadores;
- porque conjuga indispensáveis reformas institucionais e políticas com a necessidade de um redobrado sentido de responsabilidade por parte de cada um de nós.

No dizer de Edgar Morin, em entrevista dada ao jornal la Croix: a encíclica é talvez o primeiro acto de um chamamento para uma nova civilização.

A entrevista na íntegra pode ser consulta aqui

23 junho 2012

Queremos este Futuro?


Terminou a Cimeira Rio+20, que duas décadas depois da Rio92 consagra o conceito de desenvolvimento sustentável.

Os chefes de estado presentes aprovaram a versão final do documento "O Futuro que Queremos" num ambiente decepcionante, desconfortável e de protesto por parte das ONG. Numa carta entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmam que "o futuro que queremos tem compromisso e acção, não é só promessas, e o documento final da conferência é fraco e muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nos últimos 20 anos". [+]

Gro Harlem Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega e presidente da comissão da ONU que lançou o conceito de desenvolvimento sustentável há 25 anos, diz que percebe a frustração de muita gente no final da conferência pois "o documento não faz o suficiente para levar a Humanidade para o padrão de sustentabilidade, décadas depois de ter sido acordado que isto é essencial tanto para as pessoas como para o planeta". [+]

Outra das críticas contundentes é Barbara Stocking, responsável da Oxfam GB que, em entrevista à BBC, afirma que as Nações Unidas construíram esta Cimeira como "a chance de uma geração" para mudar a economia mundial para um novo paradigma de sustentabilidade, mas "...não foi nada disso que aconteceu! Estiveram presentes os mais poderosos chefes de estado do planeta, mas não tomaram as decisões que se impunham para salvaguardar o futuro da Humanidade."

Queremos este Futuro?
Por entre as inúmeras reacções de desalento destaco um aspecto.

No documento "O Futuro que Queremos" desenha-se um novo Direito Humano: O Direito à Água! Contudo, esse aspecto não ficou tratado com a firmeza e seriedade que os povos mais pobres do planeta precisam urgentemente. 

Se à miséria, às catástrofes, à violência, à instabilidade política e social e a todas as vicissitudes que afectam milhões de seres humanos ainda acresce a incapacidade, ou falta de vontade por parte de quem pode, para resolver a falta de água potável, de que desenvolvimento sustentável estamos a tratar? Para quem?

Apagaram-se as luzes, guardaram-se os discursos, desligaram-se as câmaras... Voltamos à realidade. É possível dormir sossegadamente depois deste não-acontecimento? Queremos este Futuro?

20 junho 2012

“O futuro que queremos” - conferência Rio+20

“O futuro que queremos”  é um documento que expressa os princípios  já existentes e estabelece algumas novidades para o desenvolvimento sustentável. Foi aprovado no dia 19 de Junho de 2012 no Rio de Janeiro, na conferência Rio+20, das Nações Unidas.

Principais aspectos aprovados:
Economia verde -  é considerada “um importante instrumento” para o desenvolvimento sustentável, mas que não seja “um conjunto de regras rígidas”.
Financiamentoapresenta-se a “necessidade de uma significativa mobilização de recursos” para que os países em desenvolvimento possam crescer de forma sustentável. Não se diz como obter esse financiamento.
Instituições - cria um "fórum ministerial para o desenvolvimento sustentável", integrado no  Conselho Económico e Social das Nações Unidas.
Objectivos do desenvolvimento sustentável - vão ser discutidos no âmbito intergovernamental. Contudo os prazos, temas e metas concretas foram retirados do documento final. [+] 
Água - fica consagrado, por todos os países,  o direito humano à água  e ao saneamento, já anteriormente reconhecido  por maioria dos membros da ONU.
Oceanos - vai ser feito o controlo da captura de peixes e da poluição e lixos no mar. Dentro de 3 anos, será tomada uma decisão sobre um novo organismo internacional para o uso sustentável dos recursos marítimos.
Padrões de consumo - é adoptado um programa para os próximos 10 anos com o objectivo de promover padrões de produção e consumo sustentáveis.
Acompanhe [ aqui ]

Não posso deixar de considerar que é um documento com aspectos relevantes, mas levou tantas "voltas" até ser aprovado, que traduz pouca vontade de unir esforços para acudir com urgência ao Futuro da Humanidade sobre a Terra...

05 novembro 2008

SER FELIZ NA SOBRIEDADE

Na sequência do meu escrito de Novembro, ocorre-me partilhar esta entrevista de Pierre Rabhi em declarações recolhidas por Caroline Bongiraud. in, Biocontact Julho-Agosto 2008

Perante a degradação da condição humana e os consideráveis prejuízos infligidos à Natureza, Pierre Rabhi convida-nos a sair do mito do crescimento indefinido e a inaugurar uma nova ética de vida rumo a uma “sobriedade ditosa”.

(...)
Quais são, para si, as verdadeiras riquezas ?
Quando falamos de capital, vem-nos à ideia a questão do dinheiro, da moeda. Ora é evidente que a moeda, actualmente, não é verdadeiramente representativa de riqueza real. Com efeito, como se deram ao dinheiro plenos poderes sobre o destino e a vida, considera-se que ele é o único a poder fazer aparecer riqueza. Ele é o seu « representante ». Mas, na realidade, a partir do momento em que introduzimos o dinheiro, falseámos completamente os dados económicos.
Hoje, quando se fala de economia, não se trata de economia real. A economia real é um sistema que tem por objectivo repartir os recursos tão equitativamente quanto possível para responder às necessidades do maior número de pessoas. Infelizmente, o que se chama “economia” é, sobretudo, a monetarização que faz com que o dinheiro represente não apenas riquezas reais mas também riquezas não-reais, virtuais, especulativas, e que ele funcione sobre si próprio : dinheiro produz dinheiro. Logo, não estamos numa economia real.
Se estivéssemos numa economia real, nenhum ser humano deste planeta teria falta do essencial : de alimentação, vestuário, abrigo e dos cuidados necessários. Trata-se de um bem legítimo ao qual cada um de nós deveria poder aceder como ser humano legitimado pela própria vida.
Ora acontece que estamos longe do objectivo: fazemos muitas proezas técnicas mas nos nossos dias estamos longe de dar resposta às necessidades do conjunto da Humanidade.