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26 julho 2016

Jacques Hamel mais uma “morte bárbara”

Jacques Hamel, padre de 86 anos foi, nas palavras do Papa Francisco uma “morte bárbara”. [notícias aqui e aqui]
Jacques Hamel pároco de Saint-Etienne-du-Rouvrav-Rouen
Os terroristas não terão o nosso ódio. No silêncio dos nossos corações entristecidos e horrorizados fazemos uma oração: Pai, perdoa-lhes mesmo que saibam o que fazem. Senhor, ampara-nos e ajuda-nos a superar este momento tão sombrio. Dá-nos um coração limpo e misericordioso!

Vamos precisar de ser fortes e fiéis à nossa fé e à nossa identidade atacada uma vez mais por bárbaros sem projecto. Como dizem os cristãos sírios e iraquianos refugiados de Erbil: «O Daech pode tirar-nos tudo, até a vida, mas não podem matar a nossa fé e não aniquilarão a nossa Esperança.»

Fica o link para o comunicado do arcebispo de Rouen, Dominique Lebrun.

14 fevereiro 2016

Viagem Histórica do Papa Francisco a Cuba e México

O Papa Francisco e o Patriarca Kiril, de Moscovo, protagonizaram na sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016, em Havana, capital de Cuba, um encontro histórico. Pela primeira vez, em quase 1000 anos, os líderes cristãos das igrejas católica romana e ortodoxa russa estiveram juntos depois de as duas igrejas cristãs se terem separado no grande Cisma de 1054.
Desse encontro resultou a Declaração em 30 pontos que  aproxima católicos e ortodoxos russos


Depois Francisco continuou a sua viagem naquela que é a primeira visita apostólica ao México... 
Hoje, Domingo, o Papa visita  a cidade de Ecatepec, subúrbio da Cidade do México, marcado pela violência, as execuções criminosas, sequestros e extorsão, uma verdadeira “periferia”, como Francisco tem repetido. [siga aqui em directo]

22 novembro 2015

filosofar em tempos sombrios

 O jornal "Le Monde" online oferece um conjunto de propostas "(...) para tentar compreender os tempos sombrios em que estamos mergulhados. São reflexões para resistir ao terror e à estupefacção. Análises, por vezes contraditórias, destinadas a superar o pânico e a desmontar o pensamento-pronto-a-usar. A reacção da França aos ataques terroristas de 13 de Novembro foi sobretudo policial, judicial e militar, mas a resposta pode ser também moral e intelectual.

Face a este clima mortífero, precisamos de bússola e regeneração. A abordagem filosófica certamente não pode curar as feridas, mas pode trazer alguns elementos de compreensão . Não se trata de aceitar ou justificar o horror, trata-se de responder melhor a esta gigantesca explosão.

Trata-se de conduzir uma "guerra ideológica" contra o fanatismo islâmico, garante filósofo americano Michael Walzer. É tempo de combate ético contra a nossa tendência para ceder "à lógica do medo e do ódio", como afirma o filósofo francês Frédéric Gros."

Aqui ficam alguns convites para filosofar em tempos sombrios...

- Entrevista do filósofo alemão Jürgen Habermas

- Entrevista do historiador Marcel Gauchet
Para este historiador a  globalização provocou a ruptura com a organização religiosa do mundo. Esse fenómeno afectou sobretudo os muçulmanos, entre os quais uma facção resiste de maneira radical à  marcha da História. (da autoria de Nicolas Truong)

- «Il faudrait refonder le concept de guerre»
Entrevista de Frédéric Gros: «Trop de sécuritaire tue la sécurité»
Estamos mesmo em guerra, explica este filósofo e professor de pensamento político, mas a resistência ao clima de terror deve também ser de natureza ética para além de militar e política, (uma recolha de Nicolas Truong).


- Nous devons mener une guerre idéologique, por Michael Walzer filósofo americano.

- La fin des illusions d’une France sans frontières, por Mark Lilla (professor de Humanidades na Universidade de Columbia, EUA).

- Non, les valeurs de la démocratie ne sont pas vides! de Pascal Engel (director da EHESS) e Claudine Tiercelin (professora no Collège de France). 
Estes autores defendem que  a religião não é a única resposta, para o vazio de sentido que se difundiu nas nossas sociedades, há também os valores da República.

12 abril 2015

Ano Santo extraordinário da Misericórdia

 "[...] O longo documento divide-se, a grosso modo, em três partes. Na primeira, o Papa Francisco aprofunda o conceito de misericórdia e explica o porque da escolha da data de início em 8 de dezembro, Solenidade de Maria: “para não deixar a humanidade sozinha à mercê do mal” e por coincidir com o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, que que derrubou as muralhas, “que por muito tempo, mantiveram a Igreja fechada em uma cidadela privilegiada”. “Na prática – disse o Papa – todos somos chamados a viver de misericórdia, porque conosco, em primeiro lugar, foi usada a misericórdia”.
Na segunda parte, o Santo Padre oferece algumas sugestões práticas para celebrar o Jubileu, como realizar uma peregrinação, não julgar e não condenar, mas perdoar e doar, permanecendo afastado das fofocas e das palavras movidas por ciúmes e invejas, tornando-se “instrumentos de perdão”; abrir o coração às periferias existenciais, realizar com alegria obras de misericórdia corporal e espiritual e incrementar nas dioceses a iniciativa de oração e penitência “24 horas para o Senhor”, entre outros.
Por fim, na terceira parte, Francisco lança alguns apelos contra a criminalidade e a corrupção - dirigindo-se aos membros de grupos criminosos e aos corruptos; exorta ao diálogo inter-religioso e explica a relação entre justiça e misericórdia. A Bula se conclui com a invocação a Maria, testemunha da misericórdia de Deus.
(...)
O documento de convocação do Ano Santo da Misericórdia constitui um documento fundamental para reconhecer o espírito, com o qual é convocado, as intenções e os frutos esperados pelo Papa Francisco."
A Bula pode ser lida na íntegra, em português, neste link: 
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html
 Fonte: Rádio Vaticana

11 janeiro 2015

A PAZ:
uma construção inadiável que a todos responsabiliza

- Imagem [daqui]
A PAZ: 
uma construção inadiável que a todos responsabiliza
É o tema do próximo Encontro a realizar nos dias 14 e 15 Fevereiro na sede da Fundação Betânia.
Já está disponível o programa
e pode fazer a sua inscrição online. [AQUI]

Convide um/a Amigo/a!

25 novembro 2014

Discurso do Papa Francisco ao Parlamento Europeu



(...) 

Manter viva a realidade das democracias é um desafio deste momento histórico, evitando que a sua força real – força política expressiva dos povos – seja removida face à pressão de interesses multinacionais não universais, que as enfraquecem e transformam em sistemas uniformizadores de poder financeiro ao serviço de impérios desconhecidos. Este é um desafio que hoje vos coloca a história.
(...)
A Europa sempre esteve na vanguarda dum louvável empenho a favor da ecologia. De facto, esta nossa terra tem necessidade de cuidados e atenções contínuos e é responsabilidade de cada um preservar a criação, dom precioso que Deus colocou nas mãos dos homens. Isto significa, por um lado, que a natureza está à nossa disposição, podemos gozar e fazer bom uso dela; mas, por outro, significa que não somos os seus senhores. Guardiões, mas não senhores. Por isso, devemos amá-la e respeitá-la; mas, «ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação, da exploração; não a “guardamos”, não a respeitamos, não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar» . Mas, respeitar o ambiente não significa apenas limitar-se a evitar deturpá-lo, mas também utilizá-lo para o bem. Penso sobretudo no sector agrícola, chamado a dar apoio e alimento ao homem. Não se pode tolerar que milhões de pessoas no mundo morram de fome, enquanto toneladas de produtos alimentares são descartadas diariamente das nossas mesas. Além disso, respeitar a natureza lembra-nos que o próprio homem é parte fundamental dela. Por isso, a par duma ecologia ambiental, é preciso a ecologia humana, feita daquele respeito pela pessoa que hoje vos pretendi recordar com as minhas palavras.
(...)
É tempo de promover as políticas de emprego, mas acima de tudo é necessário devolver dignidade ao trabalho, garantindo também condições adequadas para a sua realização. Isto implica, por um lado, encontrar novas maneiras para combinar a flexibilidade do mercado com as necessidades de estabilidade e certeza das perspectivas de emprego, indispensáveis para o desenvolvimento humano dos trabalhadores; por outro, significa fomentar um contexto social adequado, que não vise explorar as pessoas, mas garantir, através do trabalho, a possibilidade de construir uma família e educar os filhos.

De igual forma, é necessário enfrentar juntos a questão migratória. Não se pode tolerar que o Mar Mediterrâneo se torne um grande cemitério! Nos barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que precisam de acolhimento e ajuda. A falta de um apoio mútuo no seio da União Europeia arrisca-se a incentivar soluções particularistas para o problema, que não têm em conta a dignidade humana dos migrantes, promovendo o trabalho servil e contínuas tensões sociais. A Europa será capaz de enfrentar as problemáticas relacionadas com a imigração, se souber propor com clareza a sua identidade cultural e implementar legislações adequadas capazes de tutelar os direitos dos cidadãos europeus e, ao mesmo tempo, garantir o acolhimento dos imigrantes; se souber adoptar políticas justas, corajosas e concretas que ajudem os seus países de origem no desenvolvimento sociopolítico e na superação dos conflitos internos – a principal causa deste fenómeno – em vez das políticas interesseiras que aumentam e nutrem tais conflitos. É necessário agir sobre as causas e não apenas sobre os efeitos.

(...)
A vós, legisladores, compete a tarefa de preservar e fazer crescer a identidade europeia, para que os cidadãos reencontrem confiança nas instituições da União e no projecto de paz e amizade que é o seu fundamento. Sabendo que, «quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária» , exorto-vos a trabalhar para que a Europa redescubra a sua alma boa.

(...)

Queridos Eurodeputados, chegou a hora de construir juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça com coragem o seu passado e olha com confiança o seu futuro, para viver plenamente e com esperança o seu presente. Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa temerosa e fechada sobre si mesma para suscitar e promover a Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé. A Europa que contempla o céu e persegue ideais; a Europa que assiste, defende e tutela o homem; a Europa que caminha na terra segura e firme, precioso ponto de referência para toda a humanidade!

Excertos do Discurso do Papa Francisco ao Parlamento Europeu em Estrasburgo. 25 novembro 2014
(O texto em destaque é uma escolha deste blogue)
Fonte: Rádio Vaticano

 

09 novembro 2014

25º Aniversário da Queda do Muro de Berlim!

06 agosto 2014

Todos nós somos Cristãos (Nazara) do Iraque




Estão em curso horríveis perseguições aos cristãos do Médio Oriente. Este é também um genocídio, silenciado pelos meios de comunicação, que temos obrigação de divulgar. 
Recorrendo a informações que chegam através de sites franceses (France Terre d'Asile) e espanhois (El Mundo) e de organizações como a Ajuda à Igreja que Sofre deixo o alerta e um apelo! 

- Francia ofrece asilo a los cristianos expulsados de Irak por los radicales

Para além do apoio humanitário, a França procura mobilizar a comunidade internacional "para assegurar a protecção destas comunidades cristãs". Para Paris,isso é uma prioridade para poder assegurar a estabilidade no Médio Oriente. 

A ONU denunciou que os jihadistas do Estado Islâmico obrigam os cristãos, confissão minoritária nessa zona, a converter-se ao islamismo, ou a pagar um imposto, - "jiziya" (um imposto para os não muçulmanos). Caso contrário, só lhes resta a fuga ou a forca.
"A situación de los cristianos de Oriente es muy dramática. El ultimátum lanzado contra estas comunidades en Mosul es el último ejemplo de la terrible amenaza que los grupos yihadistas de Irak, también en Siria y en otros lugares, lanzan contra estas poblaciones que históricamente forman parte de esta región". (...) 
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De acordo com a Fundação AIS:  (...) em 2003 haveria cerca de 1,5 milhões de cristãos no Iraque. Agora, uma década depois, calcula-se que não serão mais do que 300 mil, havendo, no entanto, quem avance com números ainda mais preocupantes.

Mosul, recorde-se, é a segunda cidade mais importante do Iraque e caiu nas mãos dos elementos do Estado Islâmico no passado mês de Junho. Para intimidar os cristãos, os militantes islâmicos marcaram as suas casas com a letra ‘N’, que no alfabeto árabe significa ‘Nazara’”, ou seja cristão.

Recordando isso, e sublinhando o carácter intimidatório e perverso desta acção, a Fundação AIS criou uma página na "internet", com o endereço www.wearechristians.info, onde todos são convidados a dar também a face pelos cristãos iraquianos.

Publicando a sua própria fotografia, todos podem participar, no "site", na construção da letra “N”, recordando assim que em Mosul e nas regiões controladas pelos jihadistas isso significa que se trata da casa de uma família cristã.

Para esta jornada de oração pelo povo iraquiano, a Fundação AIS convida todos os portugueses a rezar através das palavras de D. Louis Sako, o Patriarca dos Católicos Caldeus: Senhor, a situação do nosso país é difícil e o sofrimento dos cristãos é pesado e assusta-nos. Por isso, nós Te pedimos, Senhor, que olhes por cada um de nós, dai-nos paciência e coragem para continuarmos a testemunhar os nossos valores cristãos com confiança e esperança. Senhor a paz é a base de qualquer vida; dá-nos paz e estabilidade para viver uns com os outros sem medo nem ansiedade, com dignidade e alegria. Glória a Vós para sempre.
Em actualização! [07.08.2014]

The French organisation Fraternite en Irak said on its Facebook page (in French) that a majority of inhabitants of Nineveh province had fled as the militants took over Qaraqosh.  [ LER AQUI ]

26 maio 2014

Papa Francisco visita a Terra Santa

Junto ao Muro das Lamentações - Jerusalém
[ ler mais ]

 ::
 O Papa Francisco deixou votos de que Jerusalém seja “verdadeiramente a Cidade da Paz”.

Que resplandeçam plenamente a sua identidade e o seu carácter sagrado, o seu valor religioso e cultural universal, como tesouro para toda a humanidade”, pediu.

O Papa recordou a importância de respeitar os direitos da comunidade cristã na Terra Santa e disse que os “Lugares Santos não são museus nem monumentos para turistas, mas lugares onde as comunidades dos crentes vivem a sua fé, a sua cultura, as suas iniciativas de caridade”.

 “Os fiéis cristãos desejam, a partir da própria identidade, prestar a sua contribuição para o bem comum e para a construção da paz, como cidadãos de pleno direito que, rejeitando todas as formas de extremismo, se comprometem a ser artífices de reconciliação e concórdia”  [aqui]


Junto ao Muro da Separação entre Israel e a Palestina

09 maio 2014

Uma Espiritualidade em Tempo de Emergência

A Fundação Betânia vai realizar uma atividade para a qual gostaria de contar com a vossa participação!
Uma Espiritualidade em Tempo de Emergência
Curso com Emma Ocaña

Data 14 e 15 Junho 2014
Local - Casa de Exercícios de Santo Inácio, Rodízio
Podem consultar o Programa  e fazer a inscrição...

23 abril 2014

Construir «pontes» e «romper fronteiras»

Igreja: Manuela Silva destaca capacidade que o Papa João XXIII teve para construir «pontes» e «romper fronteiras»

 .

Antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz abordou canonização de Angelo Roncalli, marcada para o próximo domingo


Lisboa, 22 abr 2014 (Ecclesia) – A antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), Manuela Silva, diz que a canonização do Papa João XXIII vai fazer justiça a um homem que “abriu novos horizontes não só à Igreja mas ao mundo”.
 
Em entrevista concedida à Agência ECCLESIA, na antecâmara da cerimónia que vai ter lugar este domingo no Vaticano, a economista destaca a capacidade que Angelo Roncalli (1881-1963) sempre demonstrou para construir “pontes” entre as pessoas e a forma humilde como assumiu a sua missão na Igreja.

“Quando foi eleito, uma das frases que ele utilizou foi esta de se apresentar como servo dos servos de Deus, e nos seus relacionamentos essa virtude estava sempre presente, por isso tinha uma grande popularidade entre o povo”, recorda Manuela Silva.

Outra das mensagens que o Papa italiano procurava passar era a necessidade das pessoas olharem mais “para aquilo que as une” do que “para aquilo que as divide”.

Na opinião da antiga líder da CNJP da Igreja Católica, entre 2006 e 2008, estas qualidades foram decisivas para que “João XXIII, eleito já com bastante idade, quase com 80 anos” tenha-se assumido não como “um Papa de transição, como inicialmente se tinha pensado” mas como “um Papa que abriu novos horizontes não só à Igreja mas também ao mundo daquela época”.
 (...)
Para Manuela Silva, foi este percurso que deu a Angelo Roncalli a capacidade de “romper fronteiras”, o facto de ter contactado com “o mundo real”, na altura marcado “pelos horrores da guerra”, e com pessoas dos mais diversos quadrantes sociais, culturais e religiosos.
 (...)

Esta entrevista com Manuela Silva, inserida no âmbito das canonizações de João XXIII e de João Paulo II, vai poder ser acompanhada esta noite, no Programa ECCLESIA na Antena 1, a partir das 22h45. SN/JCP 
 [ LER AQUI ]


28 março 2014

Religião e Espiritualidade


Ainda há muita gente que confunde religião com espiritualidade, mas trata-se de duas realidades diferentes.

Num pequeno texto, de circulação interna, Fernando Belo, Professor da Faculdade de Letras de Lisboa, vem chamar a atenção para a necessidade desta distinção. Esta clarificação é fundamental no caso do cristianismo.

Como diz Fernando Belo: No evangelho, a distinção é clara desde o início: o apelo à conversão com o baptismo como ritual de ruptura, tendo sido o mundo político-religioso quem condenou os dois que apelavam à conversão, João Baptista e Jesus. Este opôs Deus não apenas ao Dinheiro (Mateus 6,24) e ao poder político ocupante de César (idem 22,21) mas também ao Deus dos mortos (“ele não é um Deus de mortos mas de vivos”, Marcos 12,27), isto é, ao poder religioso do Templo, como mostra uma palavra dirigida a alguém que queria seguir o mestre mas primeiro devia enterrar o seu pai: “deixa os mortos enterrarem os seus mortos” (Lucas 9,60); o Deus dos mortos é o dos antepassados mortos e enterrados, donde deriva a religião. Durante alguns séculos, o cristianismo foi um movimento espiritual no meio de outros no império romano, foi mesmo perigoso ser cristão em certas épocas, mas depois os Césares escolheram-no como religião oficial em vez da ancestral. Em poucas gerações no Ocidente, o cristianismo tornou-se religião holística ancestral, o baptismo tornado rito de bebés, sinal evidente da mutação. Mas há outro sinal muito mais óbvio: a partir daí, a religião não deixou de parir nas suas margens movimentos espirituais que se referiam à aposta evangélica adulta contra os senhores deste mundo.

O Papa Francisco com a sua palavra profética e testemunho de vida em gestos simples mas cheios de simbologia (por exemplo, a sua opção de não habitar no Palácio do Vaticano!) é um apelo eloquente a que temos de cuidar da espiritualidade evangélica e, através da vida pessoal e das comunidades cristãs, torná-la presente no mundo em que vivemos, nas famílias como nas empresas, na vida política como nas instâncias de regulação financeira, uma espiritualidade que permeie a cultura e inspire e motive as opções do quotidiano.

Este modo de viver a fé cristã, hoje, será uma ponte necessária para saber acolher outras espiritualidades e com elas cooperar na concretização de um mundo mais justo, solidário e sustentável.

Concluo com o final do texto que inspirou esta reflexão:

Faz parte de ser espiritual hoje que, crentes ou não, demos as mãos – livres e solidárias – contra a dominação da alta finança sobre o medíocre poder político e os médias ao seu serviço.

08 fevereiro 2014

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014

(…)

Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

 (…)

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

(…)

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Ler texto integral

06 dezembro 2013

Coragem Perdão e Paz


"Um santo é um pecador que não cessa de se esforçar."

Nelson Mandela. Arquivo Íntimo. ed. Objectiva. carta a Winnie Mandela, 01.02. 1975

VIDA ] [ HOMENAGEM ]

26 novembro 2013

Evangelii Gaudium - Papa Francisco

 
1. A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos. 

1. Alegria que se renova e comunica

2. O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.

3. Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído».  (...)

Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco [link]
[Documento na íntegra]
Fonte: Rádio Vaticano (26.11.2014)

11 outubro 2013

"I am Malala Yousafzaï"

"Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo." - Malala

Em 2013, o Prémio Sakharov para a liberdade de pensamento foi atribuído a Malala Yousafzaï, a adolescente paquistanesa baleada na cabeça pelos taliban pela sua campanha em defesa do direito à educação das raparigas.

Em Abril de 2013, Malala inaugurou um fundo que visa garantir o acesso das jovens paquistanesas à educação. “Anunciar a primeira doação do Fundo Malala é o momento mais feliz da minha vida”, disse a jovem, na altura. “Permitam-nos que passemos da educação de 40 para 40 milhões de meninas.”




"O Parlamento Europeu saúda a força incrível desta jovem mulher", declarou o presidente Martin Schulz, (...) "Malala defendeu com coragem o direito de todos os jovens à educação", um "direito muitas vezes negado às raparigas" em todo o mundo, acrescentou. O presidente do PE recordou ainda “que cerca de 250 milhões de raparigas no mundo não podem ir livremente à escola”, acrescentando que “o exemplo de Malala relembra-nos do dever e da responsabilidade de garantir o direito à educação das crianças. Este é o melhor investimento no futuro”.

Malala estava também nomeada para o Prémio Nobel da Paz, prémio de que a própria não se considera merecedora, dizendo precisar ainda de trabalhar muito.

Fontes BBC e  Jornal Público