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30 junho 2013

Parabéns!

No dia 21 de Junho de 2013 o ISEG atribuiu o  Doutoramento Honoris Causa a Manuela Silva, tendo o Professor Catedrático José António Pereirinha apresentado a atribuição do doutoramento "honoris causa" que pode ler aqui

O tema escolhido por Manuela Silva para a sessão foi  A crise da ciência económica e a legitimidade e a urgência de ultrapassar a fronteira de um pensamento único, na investigação e no ensino da Economia, cujo texto integral pode ser consultado aqui.

Manuela Silva foi a primeira mulher portuguesa a matricular-se no ISEG, a licenciar-se em economia, a leccionar nesta área e a primeira mulher portuguesa a quem o ISEG atribui esta Honra.  Parabéns!

Foi um momento único assinalado com a presença de familiares, muitos amigos, colegas e membros da academia.

20 abril 2013

O Sentido do Outro - Elena Lasida

Elena Lasida, professora de Economia no Instituto Católico de Paris, procura neste seu livro - O sentido do outro. A crise uma oportunidade para reinventar laços - colocar a economia em consonância com a vida, valorizando a sua dimensão relacional e simbólica, que vai muito para além das trocas de bens materiais e do dinheiro. Nas palavras da autora: Como é evidente, a economia tem a ver com as necessidades, com os bens e com o dinheiro, mas a sua principal finalidade está para além deles. Serve, antes de mais, para pensar a convivência, revelando e suscitando o "interesse pelo outro".

Em seu entender, a  economia deve ser vista como lugar de encontro, lugar onde se constrói a sociedade. Para tanto, defende a necessidade de uma deslocação  no nosso imaginário e insiste na necessidade de repensar   e  redescobrir a  finalidade primordial da prática económica. 

Associada à convivência humana, a economia torna-se assim um lugar de aliança e não só de contrato, um lugar de confiança e não só de estratégia, um lugar de utopia e não só de técnica.

23 junho 2012

Queremos este Futuro?


Terminou a Cimeira Rio+20, que duas décadas depois da Rio92 consagra o conceito de desenvolvimento sustentável.

Os chefes de estado presentes aprovaram a versão final do documento "O Futuro que Queremos" num ambiente decepcionante, desconfortável e de protesto por parte das ONG. Numa carta entregue ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmam que "o futuro que queremos tem compromisso e acção, não é só promessas, e o documento final da conferência é fraco e muito aquém do espírito e dos avanços conquistados nos últimos 20 anos". [+]

Gro Harlem Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega e presidente da comissão da ONU que lançou o conceito de desenvolvimento sustentável há 25 anos, diz que percebe a frustração de muita gente no final da conferência pois "o documento não faz o suficiente para levar a Humanidade para o padrão de sustentabilidade, décadas depois de ter sido acordado que isto é essencial tanto para as pessoas como para o planeta". [+]

Outra das críticas contundentes é Barbara Stocking, responsável da Oxfam GB que, em entrevista à BBC, afirma que as Nações Unidas construíram esta Cimeira como "a chance de uma geração" para mudar a economia mundial para um novo paradigma de sustentabilidade, mas "...não foi nada disso que aconteceu! Estiveram presentes os mais poderosos chefes de estado do planeta, mas não tomaram as decisões que se impunham para salvaguardar o futuro da Humanidade."

Queremos este Futuro?
Por entre as inúmeras reacções de desalento destaco um aspecto.

No documento "O Futuro que Queremos" desenha-se um novo Direito Humano: O Direito à Água! Contudo, esse aspecto não ficou tratado com a firmeza e seriedade que os povos mais pobres do planeta precisam urgentemente. 

Se à miséria, às catástrofes, à violência, à instabilidade política e social e a todas as vicissitudes que afectam milhões de seres humanos ainda acresce a incapacidade, ou falta de vontade por parte de quem pode, para resolver a falta de água potável, de que desenvolvimento sustentável estamos a tratar? Para quem?

Apagaram-se as luzes, guardaram-se os discursos, desligaram-se as câmaras... Voltamos à realidade. É possível dormir sossegadamente depois deste não-acontecimento? Queremos este Futuro?

21 abril 2012

Ecos da Conferência de Elena Lasida
Que Futuro para a Economia? - Contributos da antropologia judaico-cristã


Elena Lasida, economista uruguaia, professora da Faculté de Sciences Sociales et Economiques e vice-reitora do Institut Catholique de Paris foi convidada pela Fundação Betânia para proferir, na Fundação Cidade de Lisboa, em 30 de Março de 2012 a conferência:
Que Futuro para a Economia? - Contributos da antropologia judaico-cristã
Agradecemos a todas as pessoas que estiveram presentes e aproveitamos a oportunidade para anunciar que já está disponível a versão integral da conferência e do debate que se seguiu!
consulte e faça o download aqui ]

11 julho 2009

Caritas in Veritate

Associar a Caridade à Verdade e fazer de ambas a matriz para pensar o desenvolvimento humano e enfrentar os desafios da globalização e do futuro colectivo da Humanidade tal é o propósito de Bento XVI com a publicação de uma nova Encíclica, a terceira do seu Pontificado.
Não ignora que a palavra Caridade aparece deturpada em muitas das linguagens correntes, mas o Papa recupera o seu sentido profundo de Amor no contexto da teologia cristã, pondo em destaque que: o amor - «caritas» - é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz.
Reconhecendo que existe um risco na cultura contemporânea de um amor sem verdade, Bento XVI lembra que: só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade, escreve.
Neste documento são reflectidas questões prementes do desenvolvimento, da economia globalizada, da saúde da Terra, da pobreza, do desemprego e dos direitos dos trabalhadores, dos emigrantes, do capital e do lucro, da regulação financeira a nível mundial, do papel do Estado e da participação da sociedade civil, da empresa mercantil e de empresas de economia social e solidária, da técnica, do papel da comunicação social, do valor da vida e da dignidade da pessoa humana, do bem comum como horizonte de referência de toda a actividade humana … uma multiplicidade de temáticas interconectadas a que a razão e a inteligência humana têm capacidade e dever de dar resposta.
Vale a pena ler a Encíclica na íntegra e levar as diferentes temáticas nela abordadas para o debate no espaço público. Assim tornaremos, certamente, mais rico o nosso pensar e o nosso agir.

05 novembro 2008

SER FELIZ NA SOBRIEDADE

Na sequência do meu escrito de Novembro, ocorre-me partilhar esta entrevista de Pierre Rabhi em declarações recolhidas por Caroline Bongiraud. in, Biocontact Julho-Agosto 2008

Perante a degradação da condição humana e os consideráveis prejuízos infligidos à Natureza, Pierre Rabhi convida-nos a sair do mito do crescimento indefinido e a inaugurar uma nova ética de vida rumo a uma “sobriedade ditosa”.

(...)
Quais são, para si, as verdadeiras riquezas ?
Quando falamos de capital, vem-nos à ideia a questão do dinheiro, da moeda. Ora é evidente que a moeda, actualmente, não é verdadeiramente representativa de riqueza real. Com efeito, como se deram ao dinheiro plenos poderes sobre o destino e a vida, considera-se que ele é o único a poder fazer aparecer riqueza. Ele é o seu « representante ». Mas, na realidade, a partir do momento em que introduzimos o dinheiro, falseámos completamente os dados económicos.
Hoje, quando se fala de economia, não se trata de economia real. A economia real é um sistema que tem por objectivo repartir os recursos tão equitativamente quanto possível para responder às necessidades do maior número de pessoas. Infelizmente, o que se chama “economia” é, sobretudo, a monetarização que faz com que o dinheiro represente não apenas riquezas reais mas também riquezas não-reais, virtuais, especulativas, e que ele funcione sobre si próprio : dinheiro produz dinheiro. Logo, não estamos numa economia real.
Se estivéssemos numa economia real, nenhum ser humano deste planeta teria falta do essencial : de alimentação, vestuário, abrigo e dos cuidados necessários. Trata-se de um bem legítimo ao qual cada um de nós deveria poder aceder como ser humano legitimado pela própria vida.
Ora acontece que estamos longe do objectivo: fazemos muitas proezas técnicas mas nos nossos dias estamos longe de dar resposta às necessidades do conjunto da Humanidade.