05 novembro 2008

SER FELIZ NA SOBRIEDADE

Na sequência do meu escrito de Novembro, ocorre-me partilhar esta entrevista de Pierre Rabhi em declarações recolhidas por Caroline Bongiraud. in, Biocontact Julho-Agosto 2008

Perante a degradação da condição humana e os consideráveis prejuízos infligidos à Natureza, Pierre Rabhi convida-nos a sair do mito do crescimento indefinido e a inaugurar uma nova ética de vida rumo a uma “sobriedade ditosa”.

(...)
Quais são, para si, as verdadeiras riquezas ?
Quando falamos de capital, vem-nos à ideia a questão do dinheiro, da moeda. Ora é evidente que a moeda, actualmente, não é verdadeiramente representativa de riqueza real. Com efeito, como se deram ao dinheiro plenos poderes sobre o destino e a vida, considera-se que ele é o único a poder fazer aparecer riqueza. Ele é o seu « representante ». Mas, na realidade, a partir do momento em que introduzimos o dinheiro, falseámos completamente os dados económicos.
Hoje, quando se fala de economia, não se trata de economia real. A economia real é um sistema que tem por objectivo repartir os recursos tão equitativamente quanto possível para responder às necessidades do maior número de pessoas. Infelizmente, o que se chama “economia” é, sobretudo, a monetarização que faz com que o dinheiro represente não apenas riquezas reais mas também riquezas não-reais, virtuais, especulativas, e que ele funcione sobre si próprio : dinheiro produz dinheiro. Logo, não estamos numa economia real.
Se estivéssemos numa economia real, nenhum ser humano deste planeta teria falta do essencial : de alimentação, vestuário, abrigo e dos cuidados necessários. Trata-se de um bem legítimo ao qual cada um de nós deveria poder aceder como ser humano legitimado pela própria vida.
Ora acontece que estamos longe do objectivo: fazemos muitas proezas técnicas mas nos nossos dias estamos longe de dar resposta às necessidades do conjunto da Humanidade.

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Maria do Céu