01 março 2012

Tempo de discernimento e de opções responsáveis

Deus, ensina à nossa vida que não há coragem inútil,
Que os lugares do impossível se deslocam
quando a confiança toca o chão das coisas
e não é crença ornamental, alegoria
J. A. Mourão, O Nome e a Forma

"Charting the Course“ - © Bruno Budrovic 
De todos os quadrantes nos chegam sinais de alerta de que estamos perante uma crise civilizacional profunda, querendo com isto dizer que os modelos de economia, de organização da sociedade, de governação e de construção política entraram em derrapagem acelerada e, com ela, foram postos em questão valores e mundividências que têm servido de fundamento às instituições democráticas e aos contratos de confiança de que justamente nos orgulhamos.

O ponto crítico em que nos encontramos põe em evidência que, se queremos evitar situações irreversíveis de destruição da Vida e de perda de aquisições civilizacionais importantes, temos de fazer, desde já, opções fundamentais acerca do modo como queremos viver e organizar a vida colectiva e sermos coerentes com essas escolhas, tanto nos nossos quotidianos mais banais como no assumir das nossas responsabilidades em matéria de participação nos processos de decisão política.

O tempo em que habitamos é, pois, de discernimento e de lucidez sobre o lugar que ocupam as nossas escolhas individuais no processo de construção do nosso futuro colectivo e sobre o alcance que podem ter as nossas atitudes individuais de responsabilidade e de cuidado pelos bens comuns. Mas isso supõe uma certa mundividência, uma lucidez acerca dos valores matriciais à luz dos quais fazemos uma dada interpretação da vida e do mundo e pelos quais pautamos a nossa liberdade.
(...)

Nas semanas que se seguem, os cristãos são convidados a rever a sua vida, abrindo o seu coração à novidade do evangelho e do projecto de Jesus Cristo e a ousar percorrer os trilhos novos que o olhar purificado vai desvendando.

É um convite que cada ano se repete, mas que tem particular acuidade e pertinência nestes tempos críticos em que a nossa civilização experimenta fragilidades e fracturas de largo espectro e, por conseguinte, solicita de cada pessoa uma maior exigência na sua resposta individual, tanto nos negócios, como nos serviços ou nas instituições em que serve.
(...)

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Maria do Céu