15 outubro 2011

Jacob torna-se pai de doze filhos,
antepassados epónimos das tribos de Israel

Génesis 29,31-35 e 30,1-24

Alguns historiadores pensam que, no tempo dos Juízes (século XIII a.C.), Israel era uma espécie de aliança sagrada de diversas tribos, uma “anfictionia”. O vínculo entre as tribos era religioso, não político. Consistia na adoração colectiva de um único Deus e na submissão aos seus mandamentos. As várias tribos encontravam-se num santuário comum, onde celebravam juntos as festividades. O capítulo 24 de Josué dá uma ideia de como era escolhido um santuário comum. No governo do santuário, as tribos eram representadas por um colégio de 12 “príncipes”. A esta instituição cultual da época dos juízes se referiria o autor que torna Jacob pai de 12 filhos, os antepassados epónimos das 12 tribos de Israel.

Outros historiadores pensam, pelo contrário, que foram os 12 intendentes estabelecidos por Salomão (1Rs 4,7) a influenciar e determinar, em data tardia, o número decidido das 12 tribos de Israel (Nm 1,5-15; 26,5-31; Esd 6,17; Ez 47,13).

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Desde os tempos antigos que o número 12 foi símbolo de totalidade e completude, mais do que um dado real. O ano tem 12 meses, o zodíaco é formado por 12 signos. Também no Novo Testamento, o número 12 mantém o mesmo significado simbólico: os 12 apóstolos (Mt 10,1-4), os 12 cestos (Mt 14,20), as 12 legiões de anjos (Mt 26,53) e várias vezes no Apocalipse (12,1; 4,4; 7,4; 14,1-3; 21,12.21; 22,2 ).

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Os nomes dos filhos de Jacob são explicados artificiosamente; não são verdadeiras etimologias, mas alusões livres suscitadas pelo contexto e a que os leitores acham graça porque eram jogos de palavras, que se perdem na tradução.

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Capítulo 30, v. 1 Vendo que não dava à luz… Raquel começou a ter inveja da irmã. Começa a rivalidade entre as duas irmãs: Raquel é a mais bonita e é preferida, mas é estéril; Lia é menos atraente e menos amada, mas é fecunda. As duas rivalizam para conquistar a metade que lhes falta; Lia o amor do marido, Raquel os filhos.

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Neste capítulo, o autor quer sublinhar, mais uma vez, que é Deus quem constrói a história e a casa de Israel. Como? Vendo, escutando, dando, recordando-se.

Adonai é aquele que vê. Nada escapa ao seu acto criador desde então (Gn 1,10.12.18.21.25.31; 6,5.12; 18,21; Ex 3,4.7; Sl 10,14; Jr 23,24; Mt 6,4.6.18).

Adonai é aquele que escuta. Escuta o grito do sofrimento e intervém fazendo justiça ou perdoando (Ex 2,23-24; 6,5; 22,22; Dt 26,7; Js 10,14; 1Rs 9,3; 8,23-24; Jo 11,41-42; 1Jo 5,15)

Adonai é aquele que dá. Aos progenitores e aos Israelitas dá o alimento (Gn 1,29.30; 9,3; Ex 16,8.15.29.32), aos patriarcas a terra (Gn 12,7; 13,15; 17,8) e a descendência (Gn 15,5; 22,17), a Israel “o coração novo” (Ez 36,26), à multidão o pão do céu, o verdadeiro (Jo 6,32), àqueles que lho pedem o Espírito Santo (Lc 11,13).

Adonai é aquele que se recorda. De Noé (Gn 8,1), de Abraão (Gn 19,29), de Raquel (Gn 30,22), dos Israelitas (Ex 6,5), de Ana (1Sm 1,19)… do ladrão arrependido (Lc 23,42).

- Nicoletta Crosti,
Jacob torna-se pai de doze filhos,
antepassados epónimos das tribos de Israel
 - Génesis 29,31-35 e 30,1-24

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Maria do Céu