01 outubro 2011

Por uma civilização sem pobreza

Onde os homens estão condenados a viver na miséria,
aí os direitos humanos são violados.
Unir-se para os fazer respeitar é um dever sagrado.

Padre Joseph Wresinski



"The Unbearable Burden of Poverty“
Cameron MacMaster - S. Francisco. EUA. 2007

 No dia 17 de Outubro, multiplicam-se as iniciativas para chamar a atenção para algo que nos deveria envergonhar em cada um dos 365 dias do ano: a persistência da pobreza no Mundo.
 
 É assim desde 1987, ano em que o padre Joseph Wresinski, ele próprio nascido e criado num dos bairros pobres da periferia de Paris dos anos 50-60, ergueu a sua voz junto das autoridades políticas da França para denunciar que a miséria é uma violação de direitos humanos.
(...)
Em alguns estados e, entre eles, Portugal, adoptaram-se declarações políticas e promulgaram-se leis que reconhecem que a pobreza configura uma situação de violação de direitos humanos e como tal governos e sociedade civil estão responsabilizados pela sua erradicação.
(...)
A realidade com que hoje nos deparamos é outra: mesmo nos países ditos mais desenvolvidos, a pobreza aumenta; ficam por cumprir compromissos assumidos pelos países mais ricos no âmbito da cooperação com os menos desenvolvidos no esforço de consecução dos Objectivos do Milénio que visavam reduzir significativamente até 2015 algumas das principais manifestações da miséria em todo o Mundo.

É, pois, mais urgente que nunca manter viva a consciência de que a pobreza não é uma fatalidade e continuar a afirmar que a pobreza constitui uma violação grave de direitos humanos.
(...)
Erradicar a pobreza e promover uma sociedade inclusiva é um desafio que a todos se dirige: aos governantes, em primeiro lugar, mas também aos parceiros sociais e ao cidadão e cidadã individualmente considerados; a todos se pede determinação e empenhamento no combate á pobreza sem esquecer a remoção das suas causas.

Se este desafio a todos diz respeito, as comunidades cristãs devem, no entanto, distinguir-se, pela fé e pelo amor que as animam, fazendo ressoar, com audácia, a voz dos pobres junto das diferentes instâncias de poder e, bem assim, sendo, elas próprias, testemunho de solidariedade e de invenção de modos justos de economia e de vida colectiva, sem esquecer o aprofundamento entre os seus membros de uma cultura de gratuidade e de partilha fraterna de bens e saberes, traduzida em iniciativas e gestos concretos, que respondam á recomendação de Jesus: dai-lhes vós mesmos de comer. (Mt 14,16).

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Maria do Céu