15 julho 2011

Jacob torna-se Patriarca
Génesis 28, 1-22

No site da Fundação Betânia foi publicado este estudo sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti. Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.
Jacob era uma personagem célebre da Palestina central e da Transjordânia. Muitas eram as tradições que lhe diziam respeito. O seu clã, que vinha do este, estabeleceu-se na zona de Betel, um lugar célebre de culto dedicado ao deus El. Como todos os santuários da Cananeia, era considerado um ‘centro cósmico’ onde o mundo dos deuses e o dos homens se encontravam. O mito da origem do templo de Betel (provavelmente do séc. XXI a.C.) contava que um dia o deus El tinha aparecido nesse lugar, tinha aparecido num sonho de um antepassado e descido por uma escada de uma torre sagrada de sete andares. O clã de Jacob adoptou o mito, transformando-o. Jacob torna-se o antepassado a quem Deus apareceu e o Deus de Jacob substitui o deus El. No reino do norte, o santuário de Betel foi um lugar de culto igual em santidade ao templo de Jerusalém (Jz 20,18). Betel significa casa de Deus e por isso nasce a narrativa deste capítulo como explicação do nome do lugar (v. 19). Jacob terá Betel como centro das tradições que lhe diziam respeito. A corrente sacerdotal situa-se nestas tradições e o afastamento de Jacob de Bercheba não é mais uma fuga do perigo de morte que incorre pelo desejo de vingança de Esaú, mas é devido ao seu comprometimento com as promessas a Adonai, na obediência ao mandamento de não desposar mulheres estrangeiras (Dt 7,3-4; Ex 34,14-16; Esd 9,1-15; 10,1-17). Historicamente este mandamento foi introduzido depois do exílio na Babilónia no século VI a. C, mas dada a sua importância foi retrodatado no Êxodo no tempo do caminho do deserto.
(...)
 
- Nicoletta Crosti, 
Jacob torna-se Patriarca  - Génesis 28, 1-22

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Maria do Céu