01 fevereiro 2010

Salvar a Humanidade e o Planeta.
Reforçar a Confiança.

A Humanidade do começo do século XXI tem múltiplas razões para olhar o futuro com perplexidade, insegurança e temor.

À semelhança de muitas outras vozes de cientistas, filósofos e políticos, Edgar Morin, num pequeno artigo, alerta que o modelo económico mundial dá mostras de rupturas sérias que extravasam o domínio estrito da economia e ameaçam o equilíbrio ecológico do Planeta.

O crescimento económico em que os governos dos países mais ricos continuam a apostar não pode continuar indefinidamente; tão pouco, é pensável que um tal modelo possa servir de guia para os países emergentes. Isto pela razão básica de que o nosso Planeta não o comporta. Seriam necessários vários Planetas Terra para acomodar padrões económicos como aqueles que conhecemos no Ocidente. (...)

Transformação tão radical só pode acontecer se os elementos primários do sistema agirem de forma inteligente, concertada e responsável, no sentido da viabilização de um novo paradigma.

O objectivo é salvar a Humanidade e o Planeta Terra, o que implica uma mudança da nossa forma de pensar, de viver e de agir, com consequências no modo como nos alimentamos, na racionalidade e austeridade dos consumos que fazemos de bens não renováveis, na energia que utilizamos, no modo de organizar a produção, o trabalho e as relações laborais, no uso moderado dos transportes de pessoas e de mercadorias, na importância atribuída ao conhecimento e sua orientação para o bem comum, na maneira como olhamos e respeitamos os nossos semelhantes e convivemos com as diferenças, na prioridade que conferimos à solidariedade com os mais vulneráveis, etc. (...)

A metamorfose necessária de que fala Morin não acontecerá por decreto ou pela acção de um déspota iluminado. Serão as pessoas que a poderão preparar, através do seu modo de pensar e do seu agir em coerência com os valores por que se guiam. (...)

[ Texto integral ]

Imagem: Man Balancing Earth On Finger - Bruno Budrovic. 2008

5 comentários:

  1. Perante um horizonte tão negro na nossa vida neste planeta é preciso muita Fé para acreditarmos que as pequenas decisões do nosso quotidiano podem contribuir para a metaforse necessária e urgente!
    Luisa

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  2. É muito difícil perseverar no bem quando à nossa volta todos se acomodam ao que é mais fácil. O que fazemos - como pessoa, ou como família - é uma mera gota no oceano. Porquê, então, privarmo-nos de conforto e facilidades, se a nossa renúncia afinal de contas não muda nada no panorama global?
    Mais difícil ainda: como viver a renúncia com alegria, e sem amargura ou raiva perante os que, ao nosso lado, mantêm o seu modo de vida irresponsável?

    Avançamos aos poucos. Ainda não chegámos ao ponto de pagar 300 euros por uma viagem de comboio quando a podemos fazer de automóvel por 100 euros. Mas não trazemos sacos do supermercado, evitamos produtos com demasiada embalagem, percorremos a pé ou de bicicleta distâncias relativamente pequenas, em vez de recorrer ao carro.
    Tentamos encontrar o equilíbrio entre o que deve ser e o que podemos fazer sem nos sentirmos os "palermas do bairro". Ou os "heróis incompreendidos".
    Essa é uma questão fundamental neste tempo: como optar por um modo de vida mais responsável mantendo uma certa liberdade interior em relação a quem não o faz.

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  3. Olá Helena!
    E perguntas tu...
    (...) como optar por um modo de vida mais responsável mantendo uma certa liberdade interior em relação a quem não o faz.

    Não querendo ser a "heroína incompreendida", inclinar-me-ia a optar por não ligar aos comentários dos "palermas do bairro" que desdenham de quem não navega no consumismo bacoco...
    Mas como qualquer mortal sensível ao olhar do outro, sei que é uma opção difícil que vai sendo corajosamente assumida por alguns de nós.
    Saber que, ao longo da História, não estamos sós nessas escolhas, (como noutras), fortalece-nos e confirma-nos. Não é?

    ;) Gostei de te ver/ler por aqui!
    Agora vou ao 2DdC. Claro!

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  4. Céu,
    o meu problema não é os que se riem de mim por eu, por exemplo, pagar o dobro do preço normal para ter produtos biológicos, não embalados, produzidos na região. Por aqui, ninguém se ri disso.
    O meu problema são os que me criticam por eu comprar no Lidl, enquanto eles pagam o dobro do preço normal para serem menos poluentes que eu. Os que andam de bicicleta e me acusam de, por andar de carro, poluir o ar dos filhos deles.
    Esse tipo de atitude está cada vez mais presente, infelizmente.
    (Mas não é propriamente novo: nos anos setenta, havia "brigadas" anti-casaco de pele que tinham latas spray de tinta para estragar os casacos de pele que passavam na rua)

    Quando as pessoas começam a privar-se de alguma coisa e a fazer sacrifícios para salvar o planeta, correm o risco de ficar amargas em relação àquelas que não fazem o mesmo.

    Eu nada posso contra a amargura dos outros, mas tenho de criar em mim um espaço de liberdade interior que me faça viver esse sacrifício com alegria, em vez de fazer de mim a guarda dos costumes dos outros.

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  5. Doncordo com a Helena quando diz que é importante criar liberdade interior para deixar germinar novas posturas de sabedoria face ás opções da nossa vida quotidiana. É essa liberdade que sustenta uma responsabilidade criativa e dá cor à própria existência. Quanto à transformação do mundo, não é evidente, mas ajudará a abrir caminho e a torná-la mais propícia.
    É essa a minha esperança.
    Manuela

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Maria do Céu