15 setembro 2008

Vós sereis para mim homens santos
- Êxodo 22, 27-30; 23,1-19

No site da Fundação Betânia foi publicado mais um estudo do Livro do Êxodo, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.

(...)
O autor bíblico continua a interligar os deveres para com Deus com os deveres para com o próximo, porque estas duas responsabilidades não são disjuntas. Por isso, o autor insere aqui o preceito do correcto exercício da justiça (vv. 1-3 e 6-8), apresentada no âmbito forense, mas patente numa dimensão mais vasta. A instituição dos juízes foi a primeira instituição que os israelitas tiveram ainda enquanto peregrinos no deserto (Ex. 18,13-27; Dt 1,9-18). No Dt 16,18-20, é dado a Moisés o mandamento explícito para constituir juízes em toda a cidade. De facto, a ordem subentendida é esta:

A justiça e só a justiça seguirás, para que vivas. (Dt 16,20)

O autor recorda que facilmente se pode perverter a justiça, caindo na armadilha da corrupção (v.8), do favoritismo pessoal, e na errada procura da verdade (v.7). Veja-se o comentário a Ex. 20, 16. O juízo humano deve alinhar-se com o de Deus, que é sempre um juízo imparcial (Dt 1,17; 10,16-18). Os direitos dos pobres têm que ser protegidos (v.6). Mas, mesmo a compaixão não se deve exercer ao arrepio da justiça (v.7).

v. 2. Não seguirás a maioria para fazer o mal.

O juízo deve ser independente das pressões da praça. Não procederá assim Pilatos no processo de Jesus (Lc 23, 13-25; Mc 15, 6-15; Mt 27,19-26). A verdade e a justiça podem não estar do lado da maioria. É esta uma advertência importante para as democracias que se baseiam nas decisões da maioria. Nesta passagem quer-se sublinhar a importância de um critério ponderado autonomamente e livre dos factores inquinantes do juízo.

Inseridos que estão os deveres da justiça, segue-se a recomendação da solidariedade e da prestação de ajuda mútua, até quando se trata de um inimigo (vv.4-5 e Pr 25,21.22; Dt 22,1-4). Ajudar o inimigo equivale a ter benevolência ao confrontá-lo. Jesus retomará este conceito, reagindo contra os moralistas do seu tempo, que não seguiam a palavra de Deus (Mt 5,43-48).

- Nicoletta Crosti,
Vós sereis para mim homens santos
- Êxodo 22, 27-30; 23,1-19

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