18 janeiro 2008

Não Roubarás - Êxodo 20, 15

“Na tradição rabínica, a explicação do oitavo mandamento passa por uma reflexão acerca do desejo humano que está na base do furto. (…)
O ladrão é aquele que vive o desejo, legítimo, de ser mais, de ser melhor, de ser também amanhã, mas confunde o objecto do seu desejo, falha o alvo, e em vez de ficar na categoria do ser, entra no domínio do ter e julga que a realização do próprio desejo passa pelo ter mais. Este erro de perspectiva é considerado muito grave e por isso o ladrão tem que retribuir duas ou mais vezes o valor daquilo que roubou, para poder assim reflectir acerca do seu erro e aprender com ele:
O desejo salva-nos, elevando-se e arrastando-nos para o nível mais alto, que é o de ser nefesh.
Então, educar as crianças significa fazê-las passar de um desejo de ter mais a um desejo de ser mais e de ser maiores.”
- Nicoletta Crosti, Não Roubarás - Êxodo 20, 15 (excertos)

2 comentários:

  1. Nunca tinha visto as coisas desta maneira.
    Olhei sempre essa lei no sentido mais directo: Não roubar.
    Não roubar é simples, pensava eu.
    E estava convencido que cumpria a lei sem dúvida alguma.
    Nunca roubei nada a ninguém.
    Terei roubado alguns beijos, mas isso não considero contra a lei.
    Afinal isto é mais complicado segundo diz a senhora Crosti.
    Penso que não roubei a alma a ninguém, mas sinto que a minha foi roubada algumas vezes.
    E já dou comigo a fazer confissões na blogosfera!

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  2. Olá João!

    Isso é que é bom humor.

    Estava à espera que outros/as leitores/as dessem um ar de graça a esta caixa de comentários, mas tenhamos fé porque eles/as andam aí...

    Já somos 2 a descobrir que este texto pode ter outra abordagem para lá da que nos ensinaram na catequese.

    Podemos levar uma vida de cidadãos exemplares, que não quebram a lei e, no entanto, sabemos que nem tudo o que é legal é legítimo.

    Esforçamo-nos por não roubar a alma a ninguém, mas nunca se sabe quando as outras pessoas sentem que as estamos a ofender.

    Isto é, precisamos de estar atentos aos outros, mesmo sabendo que a todo o momento se corre o risco de asneirar!

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Maria do Céu