08 julho 2015

Laudato Si’ – Uma Encíclica Providencial

Foi um respeitável filósofo francês, que se declara não crente, Edgar Morin, que designou de providencial a recente carta-encíclica do Papa Francisco sobre a ecologia e o cuidado da casa comum.

De facto, trata-se de um documento providencial a vários títulos:
- porque ousa enfrentar a séria e complexa problemática das ameaças que pesam sobre o equilíbrio ecológico, desocultando realidades esquecidas ou subestimadas no debate político e conferindo-lhes a relevância e a urgência que merecem;
- porque apresenta uma perspectiva englobante, assumindo a complexidade das relações em presença e a sua natureza sistémica;
- porque defende uma visão inovadora de uma ecologia integral que abarca a ecologia ambiental, económica e social;
- porque assinala a necessidade de uma ecologia cultural com incidência no viver quotidiano, no modo de produção e no consumo;
- porque revisita e dá ênfase a princípios basilares da centralidade da dignidade da pessoa humana, do primado do bem comum, do sentido da interdependência entre todos os seres criados e da solidariedade intrínseca à preservação e desenvolvimento da vida em comum;
- porque tem a coragem de criticar os fundamentos do actual paradigma tecno-económico e apontar caminhos para uma nova civilização;
- porque nos lembra que os seres humanos também são natureza e não podem passar sem ela; não são seus donos, mas cuidadores;
- porque conjuga indispensáveis reformas institucionais e políticas com a necessidade de um redobrado sentido de responsabilidade por parte de cada um de nós.

No dizer de Edgar Morin, em entrevista dada ao jornal la Croix: a encíclica é talvez o primeiro acto de um chamamento para uma nova civilização.

A entrevista na íntegra pode ser consulta aqui

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Maria do Céu