01 junho 2011

Ir além da crise. Por uma ética agápica.

Não causa surpresa afirmar que entramos no século XXI com uma avalanche de interrogações, sem resposta, sobre o futuro da civilização que, durante os dois primeiros milénios da nossa era, se foi construindo, aprofundando e afirmado como padrão de referência a nível mundial.

Agora, os desafios com que estamos confrontados avolumam-se e ganham complexidade crescente, sem que se vislumbrem caminhos de solução num quadro de referência ética comummente aceite.

Os mais poderosos (Estados, partidos políticos, conglomerados económicos, potências militares ou lobbies de ciência e tecnologia) procuram atenuar os sintomas de um generalizado e evidente mal-estar pessoal e colectivo e minorar os distúrbios com que vem funcionando a economia, multiplicando medidas avulsas para os solucionar no curto prazo. Não se dispõem, porém, a seguir o conselho de John Rawls, que, pugnando por uma teoria da justiça apropriada ao nosso tempo, defende que, para a elaborar correctamente, seria necessário cobrir os actuais privilégios de alguns com um véu de ignorância, isto é, seria preciso esquecer e pôr de parte esses privilégios e, só depois, sem saber em que classe social ou região do Mundo se iria nascer, definir as bases para um sistema justo. Só deste modo, seria de esperar uma justiça “justa”.

(...)

Imagem: Red-Crowned Crane Flying at Sunset - © Keren Su . Zhalong - China. 2007


Sem comentários:

Enviar um comentário

A publicação de comentários está sujeita a moderação.
Maria do Céu