01 janeiro 2011

Felizes os que vivem o dom da Confiança

(...)

Tree - Marie Bertrand. 2009

Viver o dom da confiança supõe que o reconheçamos na nossa própria história pessoal (para o crente, significa o reconhecimento de que Deus confia nele) e que o cultivemos nas nossas relações, a começar na relação consigo mesma/o e na relação com os outros e que pratiquemos uma atitude confiante em todos os nossos ambientes, familiares, profissionais, ou de convivência cívica.

É certo que vivemos num tempo cultural e politicamente propenso à depressão, ao medo e, consequentemente, inclinado à perda de confiança. Não podemos ignorar e descurar as razões objectivas que subjazem a estes sentimentos e atitudes e encontramos, por isso, redobradas razões para louvar e encorajar o empenhamento de quem é capaz de as contornar, prevenir e remediar.

A estes tempos agrestes, mas também promissores, há que responder com um reforço de confiança, porque esta é a virtude matricial da renovada capacidade do agir humano, sem se frustrar e deixar destruir pela opacidade da realidade, da traição, do insucesso ou da impotência face ao mal. (...)

2 comentários:

  1. Ana Roque de Oliveira2 de janeiro de 2011 às 12:55

    Querida Manuela Silva,

    Agradeço o seu convite, que tomo a liberdade de transcrever - "Não quer visitar o blogue do ouvido do vento onde se faz eco deste escrito e onde pode deixar o seu comentário? Poderia ser, simplesmente, esta sua reflexão sobre as migalhas...(...)" - e aceito a sua explícita e generosa sugestão, com as "minhas migalhas", originalmente enviadas a um grupo restrito de familiares e amigos, por ocasião do Ano Novo. Aqui estão, pois, as migalhas:

    "Amigos e amigas

    Como é? Começamos do zero, do nada, ficamos à espera que alguém nos diga, é por aqui, faça favor de me seguir, ou trazemos connosco as migalhas de vida que vão construindo e deslindando o nosso caminho? Cada dia, uma migalha de alegria, uma migalha de dor, uma migalha de audácia, uma migalha de espanto, uma migalha de perdão, uma migalha de empatia, uma migalha de sorriso, uma migalha de amizade, uma migalha de desencontro, uma migalha de esperança…tantas migalhas, as nossas, as que damos e recebemos, as que trocamos como os cromos da nossa infância: já, tenho, já tenho, já tenho…não tenho! Trocas?

    Não vale deitar fora umas migalhas e ficar com as outras. Elas precisam umas das outras para suster a nossa existência. A nossa dificuldade, às vezes, é esquecermo-nos de olhar para as nossas migalhas, ou não saber descobrir o seu devido valor. Parecem pequenas, se calhar ninguém notaria se umas caíssem para o chão, o pé a deitar terra por cima, ninguém viu, ou se outras fossem levadas pelo vento…Mas depois vem o remorso, é pá, agora é que eu precisava daquela migalha!

    Receita de Ano Novo: juntem as vossas migalhas, empurrem-nas devagarinho com um dedo, e desenhem um caminho, o vosso, mas que também é para os outros. O vosso caminho, de coragem e de acção; o caminho para os outros, o de respeito e de tolerância. E não deixem cair ao chão aquelas duas sagradas migalhas: a migalha da liberdade e a migalha da justiça. Agarrem-nas com carinho e com firmeza e sintam-se genuinamente gratos por as terem, íntegros ao usá-las para traçarem os vossos e os nossos caminhos.

    Feliz Ano Novo."

    Com amizade,
    Ana

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  2. Cara Manuela e Céu
    Obrigada pela vossa inspiração.
    Viver em confiança é de facto um grande desafio. Quem a vive transmite uma serenidade que invejo...
    Talvez o caminho para lá chegar é seguir a receita das migalhas.Talvez assim ficamos abertos a receber esta bem-aventurança.
    Luisa França

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Maria do Céu