01 maio 2008

Integrar a própria sombra

Glass Squares - Barbara Chase
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Cada um de nós vê o mundo através do seu próprio vitral.
Robin Sharma
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Saber integrar a própria sombra é uma etapa fulcral no caminho de realização pessoal a que todo o ser humano é chamado.
Contudo, por desconhecimento, superficialidade, inércia ou medo, nem sempre damos a essa tarefa fundamental o justo relevo que ela deve ter no nosso projecto de vida.
A natureza, porém, encarrega-se de no-lo recordar, através de sinais físicos ou psíquicos, que nos obrigam, mais cedo ou mais tarde, a parar e a reflectir sobre a nossa existência e o sentido que lhe vamos dando, sem nos esquecermos do seu lado menos luminoso que é também parte integrante dela. Está ao alcance da nossa liberdade agarrar esse desafio ou passar-lhe ao lado. [Texto integral]

3 comentários:

  1. De acordo que haja quem evite admitir que tem um "ser sombra" e que o queira ocultar aos olhos dos outros pelas mais diversas razões. Mas há tambem quem, por exigência que a si mesmo se impõe, de transparência, humildade,coerência e congruência se preocupe em voluntária e conscientemente, dar a conhecer aos outros esse lado sombrio que vai descobrindo em si com a ajuda do Espírito Santo.
    Conheço uns e outros. Se uns nos inspiram um olhar de compreensão e misericórdia tanto quanto for possível semelhante ao que o Senhor tem por eles, outros despertam uma enorme admiração porque ao mostrarem-se pequeninos, frágeis e pobres, assumem a pequenez, fragilidade e pobreza dos outros, desmontando amorosamente os seus esquemas e estimulando-os a aceitarem-se tal qual são. Esta maneira de ser é profundamente evangélica e por isso tem a força que tem. É irresistível este fenómeno psicológico da ocultação do nosso lado sombrio tem a ver com as máscaras que todos nós, sem excepção, vamos construindo face aos outrs e a nós próprios e que tão bem foi estudado por Levinas. É de facto um desafio a enfrentar.

    O que me chamou a atenção foi verificar que hoje às 09.30 da manhã já tinham consultado o escrito do mês 35 pessoas. Que força as moverá? Começo a imaginar e apraz-me saber que nesta busca, Betânia na pessoa da Manuela, tem sido o motor.
    Bjos e Obrigada.
    M. A.

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  2. Partilho convosco o que vou lendo sobre a sombra...

    Vanilde Gerolim Portillo, Psicóloga Clínica – Doutorada em Psicologia Analítica e Especialista em Jung, escreveu em “Jung e os Conceitos Básicos da Psicologia Analítica”, 2001 a propósito da sombra:

    “A sombra apresenta-se como o mais poderoso de todos os arquétipos, já que é a fonte de tudo o que existe de melhor e de pior no ser humano. Como todo e qualquer elemento psíquico, a sombra possui aspectos positivos e negativos para o desenvolvimento da personalidade.
    Se a persona [ver nota] é desenvolvida com o objetivo de facilitar a convivência do homem na sociedade onde vive, onde, então, se apresentarão aqueles conteúdos não compatíveis com esta adaptação? A sombra é o arquétipo receptáculo dos aspectos que foram suprimidos no desenvolvimento da persona, e mais que isto, ela contém conteúdos que nem chegaram a passar pelo crivo do consciente. Estes conteúdos podem, potencialmente, emergir a qualquer momento na consciência, se considerados do ponto de vista energético.
    Quanto mais unilateral se torna o consciente; tanto mais a persona é banhada de purpurina e mais acentuados são os elementos que compõem a sombra. Importante salientar, no entanto, que a sombra não é o lado oposto da consciência, mas representa o que falta a cada personalidade consciente.
    Um dos maiores trabalhos no processo de individuação, que consiste no desenvolvimento da personalidade total, é sem dúvida a integração da sombra na consciência. Uma vez reconhecida, a sombra, como parte de si mesmo, o ser humano irá fazê-lo constantemente, pois os conteúdos sombrios não se esgotam, porque sempre que houver processo de escolha, consciente, haverá também, o lado que ficou negligenciado ou não escolhido, aquele que poderia ter sido vivido e não foi. Neste sentido, a sombra estará sempre ao lado do indivíduo e focaliza o resultado de suas escolhas.
    Normalmente, reconhecer a sombra implica em “arrumar encrenca” e colocar em questionamento toda a consciência de si: os hábitos, crenças, valores, afetividade, etc. É um mergulho no desconhecido, é ficar sem chão, é perder o apoio.
    Sendo o confronto com a sombra um dos primeiros aspectos do processo de individuação, é necessário um ego bem estruturado para reconhecer que tudo aquilo que projetamos nos outros, principalmente as coisas que menos gostamos, são nossas e de mais ninguém.
    A sombra não possui, porém, somente aspectos negativos e rejeitados. Possui também aspectos que impulsionam o ser humano para a criatividade e busca de soluções, quando os recursos conscientes se esgotaram. Por sorte, a sombra é insistente e não se sente acuada com a repressão exercida pela consciência. Sempre arranja um jeito de se manifestar, a inspiração é uma destas maneiras. Uma vida sem a presença da sombra torna-se sem brilho e sem criatividade.
    Quando, para a nossa adaptação social, desenvolvemos a persona, somos obrigados a descartar vários aspectos que não condizem com a atitude da consciência naquele momento. Estes aspectos poderão ser úteis em outra época de nossas vidas, poderão voltar, uma vez que não serão mais prejudiciais à nossa adaptação e poderão mudar o rumo de nossa história.
    A sombra, quando trabalha em harmonia com o ego, deixa a vida mais colorida e rica. “ (…)


    Persona- O nome vem da antiga máscara usada pelos gregos no teatro para representar um papel numa peça e tem, para Jung, o mesmo sentido. Persona é a máscara que o indivíduo exibe para facilitar a comunicação com o mundo exterior e para se integrar na sociedade onde vive e proceder de acordo com os papéis que dele se exige.

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  3. I feel the need of clarifying to myself the two kinds of shades that dwell in us.
    One is linked to our limits, which we discover when we get out from our adolescent narcissism.
    Limits that we perceive as “shades”, because far from the image we have of ourselves. At the contrary, these limits give shape to our unique personality. Therefore we have to discover their unexpected potentialities and to integrate them in our inner self.
    But there is another shade we should not integrate, but reject. It is that tendency to evil Genesis speaks about (8,21), based on a corrupt scale of values that will never leads to peace and joy. The two shades are sometimes interwoven and with the help of the Spirit (see near Pentecost) we should try to disentangle them.

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Maria do Céu