04 julho 2017

Da ecologia exterior à ecoespiritualidade

O primeiro passo para uma ecoespiritualidade é refundar a nossa representação do Cosmos, restituindo-lhe a sua dimensão de mistério. - Michel Maxime Egger
Anamorfismo - Sérgio Odeith. 2014
Felizmente vai-se afirmando, nas esferas nacionais e supranacionais, a consciência da necessidade e da urgência de aprofundar e pôr em prática princípios e normas que promovam uma relação sustentável da Humanidade com o Planeta, “a nossa casa comum”, na expressão carregada de emoção e afecto de que fala o Papa Francisco. Ainda que travado por interesses menos respeitáveis, vai progredindo o reconhecimento de que a Terra é sujeito de direitos e de que a sustentabilidade da Vida é um valor primordial a preservar.
Importa, porém, ir mais além.
Esta temática, ainda que devendo estar presente em diferentes regiões do Globo e espaços sócioculturais distintos, tem redobrada actualidade no mundo ocidental de que fazemos parte.
Em primeiro lugar, devido ao nível de progresso económico alcançado e ao estilo de vida predominante nas nossas sociedades, o qual não favorece, antes esfuma, o contacto próximo e a comunhão com a natureza. Acresce que tal estilo de vida incentiva o consumismo desenfreado e a avidez do mais ter com o correspondente efeito predador sobre os recursos naturais; convive bem com o esbanjamento, o descartável e o desperdício; alimenta o desejo ao ter mais, mesmo que, para tanto, se tenha de renunciar a mais ser; esquece a dimensão relacional de cada ser humano, os limites da liberdade individual, o dever da responsabilidade e do cuidado pelo todo; ignora e menospreza a ética na condução dos negócios privados e na esfera pública. (...)

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Maria do Céu