18 abril 2016

Até quando?

Acabamos de receber a notícia de mais um naufrágio de grandes proporções no mediterrâneo. Eram 4 embarcações superlotadas que faziam a travessia do Egipto para a Itália, com cerca de 400 pessoas a bordo. Não se conhece, ainda, o número exacto das vítimas mortais, mas são centenas de mulheres, homens e crianças, vindas da Somália e da Eritreia que, lutando pela sua sobrevivência, transportavam consigo o sonho de encontrar na Europa um futuro melhor.
 
Face a mais esta tragédia humana, não podemos calar a nossa voz: Até quando?
 
No passado dia 15, em Lesbos, num dos muitos campos de refugiados, o Papa Francisco, juntamente com o Patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I e o Arcebispo de Atenas e de toda a Grécia, Hieronymos, na sua qualidade de líderes religiosos lançaram um veemente apelo a que se ponha fim às causas desta tragédia humana e se conceda acolhimento condigno aos refugiados.
 
Da Declaração conjunta respigamos:
 
A opinião mundial não pode ignorar a crise humanitária colossal, criada pelo incremento de violência e conflitos armados, a perseguição e deslocamento de minorias religiosas e étnicas e o desenraizamento de famílias dos seus lares, violando a sua dignidade humana, os seus direitos humanos fundamentais e liberdades.
(…)

A tragédia da migração e deslocamento forçados afecta milhões de pessoas e é, fundamentalmente, uma crise da humanidade, clamando por uma resposta feita de solidariedade, compaixão, generosidade e um compromisso económico imediato e prático. Daqui, de Lesbos, fazemos apelo à comunidade internacional para responder com coragem a esta maciça crise humanitária e às causas que lhe estão subjacentes, por meio de iniciativas diplomáticas, políticas e caritativas e através de esforços de cooperação simultaneamente no Médio Oriente e na Europa.
(…)
Há necessidade urgente de um consenso internacional mais amplo e um programa de assistência para sustentar o Estado de direito, defender os direitos humanos fundamentais nesta situação insustentável, proteger minorias, combater o tráfico humano e o contrabando, eliminar rotas inseguras como as do Egeu e de todo o Mediterrâneo, e desenvolver procedimentos seguros de reinstalação.
(…)
Juntos, solenemente, imploramos o fim da guerra e da violência no Médio Oriente, uma paz justa e duradoura e o regresso honroso daqueles que foram forçados a abandonar as suas casas. Pedimos às comunidades religiosas que aumentem os seus esforços para receber, assistir e proteger os refugiados de todas as crenças, e que os serviços religiosos e civis de assistência se empenhem por coordenar os seus esforços. Enquanto perdurar a necessidade, pedimos a todos os países que alarguem o asilo temporário, ofereçam o estatuto de refugiado a quantos se apresentarem idónios, ampliem os seus esforços de socorro e colaborem com todos os homens e mulheres de boa vontade para um rápido fim dos conflitos em curso.

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Maria do Céu