26 fevereiro 2013

Leituras Plurais sobre as Bem-aventuranças

Na sua crónica publicada no DN do passado dia 24 Fevereiro, Anselmo Borges lembrou a morte, aos 88 anos, de José Gomez Caffarena, filósofo e padre jesuíta. Fê-lo transcrevendo um texto deste crente “afável e crítico”, como lhe chamou, o qual é uma releitura actualizada e pessoal das bem-aventuranças.

De há muito que as narrativas evangélicas acerca das bem-aventuranças têm inspirado a reflexão e a escrita de amigos e amigas da Fundação Betânia, como várias vezes temos referido neste blogue.

Gostei desta versão de José Gomez Caffarena e por isso a transcrevo, desejando que o texto agora publicado no Ouvido do Vento,  não só fique guardado nos arquivos de Betânia para desenvolvimentos futuros, como também sirva, desde já, de inspiração para os nossos percursos pessoais de conversão, em direcção à Páscoa.
Eis o texto referido:

"Bem-aventurado aquele que ama e descobriu a dita de partilhar o mundo. Bem-aventurado quem não se isola na sua pequenez pensando ilusoriamente com isso que se vai 'realizar'. Bem-aventurado aquele que ama a vida tal como é e não como tende a representá-la. Bem-aventurado o humano que é capaz de acolher o outro humano para lá de toda a consideração das vantagens que possa trazer-lhe, que entendeu o perdão sem memória e a ternura sem retorno. Bem-aventurado aquele que chegou a conceber o imenso projecto da universalidade reconciliada. Bem-aventurado aquele que é consciente de que na sua pequenez é puro dom e graça, e sabe, no entanto, sentir-se a partir dela responsável pelo Reino inteiro da justiça, participante de um olhar divinamente maternal para os mais humildes e sofredores, as vítimas da opressão. Bem-aventurado quem não se escandaliza da pequenez humana, nem da própria nem da alheia, e crê que é possível que essa pequenez floresça na grandeza de uma fraternidade sem fronteiras. Bem-aventurado quem aceita a dor da luta sem ódio pelo dar à luz da verdade. Bem-aventurado quem é capaz de ver a possibilidade da paz antecipada, quem compreende que a violência é promessa enganosa, quem acha fecundo crer na bondade primeira do coração humano. Bem-aventurado quem não se escandaliza de a dor e a morte terem o seu tempo que não é possível eliminar definitivamente. Bem-aventurado quem crê que uma morte prematura de profeta é também eternamente fecunda."

(Texto de José Gómez Caffarena, citado por Anselmo Borges in As bem-aventuranças de um crente afável e crítico, artigo publicado no DN 24 Fev2013).

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Maria do Céu