01 dezembro 2008

Saber dizer “não”
– um caminho de sabedoria pessoal e de construção social

(...)
Vivemos num tempo em que é urgente aprender a dizer “não” (e um “não” consequente, isto é, que se traduza em agir!) face a situações intoleráveis que parecem impor-se-nos acriticamente. Dois exemplos apenas:
O primeiro: a pressão ao consumismo (comprar e consumir mais do que o necessário), com consequências já evidentes sobre a destruição do Planeta e sobre o agravamento das tensões sociais e mal-estar colectivo, merece um sério discernimento pessoal e um correspondente agir responsável.
O segundo: a pressão no sentido do alongamento e da irregularidade dos tempos de trabalho, com intensificação de ritmos stressantes, a sobrevalorização (endeusamento?!) da profissão e das carreiras profissionais, com consequências desastrosas para a saúde pessoal, o nível e a qualidade das relações humanas e sociais, a coesão familiar, a vida cívica ou a cultura de um povo.

Num e noutro caso, estamos perante a necessidade de um sério discernimento interior que ganhe distância em relação ao status quo e o ilumine com critérios decorrentes de valores de interesse superior. Só então, será possível, sustentar uma opção pessoal assente em convicções pessoais firmes que tragam serenidade e sentido à vida de cada pessoa e das suas comunidades e, do mesmo passo, abram caminho a novos desenvolvimentos.


[Texto integral]
Imagem: He pointed the way - Wendy Morris, 2005

5 comentários:

  1. A sabedoria de saber dizer "não" em tempo de Advento é um exercício a fortalecer a Esperança. Este tempo tem cada vez menos lugar, porque desde o seu inicio,ele é preenchido com os preparativos imediatos do Natal.E depois quando esta festa chega, também não chega a haver lugar para saborear o Deus Comnosco, porque o que se preparou foi tão efémero, como o lixo acumulado nos caixotes de rua, no dia seguinte à festa.

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  2. Felicito vocês.
    Leio sempre seus textos e adoro!

    Venho muito aqui e hoje me atrevo a deixar uma sugestão para um belo livro.

    Esse é de Ruth Rocha e poderia ser um começo para qualquer criança, mas é também uma boa leitura para qualquer pessoa adulta.

    Quem tem medo de dizer não?

    Autora: Ruth Rocha *

    "Mais um medo trabalhado por Ruth Rocha de forma lúdica, prazerosa em um divertido jogo de palavras e amplamente enriquecido pelas ilustrações também divertidas, engraçadas, da premiadíssima Mariana Massarani. A autora aborda a questão da criança aprender a dizer "não" na hora certa, a não fazer o que não quer só para ficar bem com todo mundo, a não engolir tanto sapo, a não fazer promessas se não pode cumprir. A gente vive aprendendo/ a ser bonzinho, legal,/ a dizer que sim pra tudo/ a ser sempre cordial. Já comi angu com pamonha/ comi dobradinha.../ Comi mingau de sagu/ na casa da vizinha. Após a leitura, a criança pode compreender também o não de seus pais, de seus amigos, de seus professores e de outras pessoas de seu relacionamento. A autora ainda lembra: Quero saber dizer NÃO/ Acho que é bom para mim./ Mas não quero ser do contra... Também quero dizer sim."

    * Ruth Rocha é reconhecida como uma das mais importantes autoras de livros para crianças e jovens do Brasil. Escreveu mais de 150 livros que já venderam alguns milhões de exemplares ao longo dos quase 40 anos que se dedica à literatura infantil.

    Lá em cima eu estava citando a apresentação que a Editora Global vem fazendo desse livro.

    Fiquem bem e na graça de Deus.

    Márcia Calvantini

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  3. Para Márcia Calvantini

    Agradecemos a gentileza das suas palavras e alegra-nos saber que é uma das nossas leitoras habituais.

    Aproveito ainda para dizer que apreciei sobretudo estes versos no final da sua citação:
    "Quero saber dizer NÃO
    Acho que é bom para mim.
    Mas não quero ser do contra...
    Também quero dizer sim."

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  4. Para a Luísa

    Concordo e reforço o teu comentário com um pedacinho do texto da Manuela:
    ... estamos perante a necessidade de um sério discernimento interior que ganhe distância em relação ao status quo e o ilumine com critérios decorrentes de valores de interesse superior. Só então, será possível, sustentar uma opção pessoal assente em convicções pessoais firmes que tragam serenidade e sentido à vida de cada pessoa e das suas comunidades e, do mesmo passo, abram caminho a novos desenvolvimentos.

    Por isso é que me parece importante regressar sempre às Bem-aventuranças!
    Esse regresso à matriz fundadora, nos tempos que correm, é um acto de coragem imprescindível. Seja este Advento um percurso interior que nos aproxime dessa Esperança!

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  5. I agree, to be able to say no is very crucial. I add two points:

    1. Are we aware that every choice we "make" in fact "makes us"? My choise of to-day consciously or unconsciously determines my choice of
    to-morrow. Therefore a double attention is needed in choosing and "o discernimento interior" has to be strong and continuously checked.

    2. In a world where nearly everything is possible our childish "omnipotência" is stimulated and the temptation to go beyond our limits in choosing to reach everything and everybody is great, however this kills our interior peace and balance. We have to become able to say no.

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