29 junho 2018

Uma nova primavera no movimento ecuménico

Passou despercebida, na comunicação social portuguesa, a presença do papa Francisco na celebração dos 70 anos do Conselho Mundial das Igrejas, que ocorreu no passado dia 21, em Genebra. Mas o facto foi lembrado – e bem – pelo artigo de Anselmo Borges no DN desta sexta-feira.

A presença do Papa Francisco neste evento vem confirmar o seu empenho em viabilizar uma nova primavera ecuménica, como o próprio quis assinalar com o lema que escolheu para esta viagem: caminhar, rezar e trabalhar juntos.
 
No mesmo sentido vão as palavras iniciais do seu discurso: Quis vir aqui, peregrino em busca de unidade e paz. 
 
De salientar, ainda, a sua afirmação de cariz mais programático: No movimento ecuménico devemos deixar cair do dicionário uma palavra: proselitismo.
 
Anselmo Borges aproveitou o seu artigo semanal de hoje para nos oferecer uma retrospectiva sucinta do movimento ecuménico e para assinalar alguns marcos históricos do percurso, que vem sendo feito, designadamente depois do Concílio Vaticano II. 

Em suma, um artigo a não perder.

08 junho 2018

Um gesto pelo ambiente sustentavel

No dia mundial pelo ambiente, veja e divulgue este vídeo (ver abaixo) e, sobretudo, inicie uma mudança no seu comportamento em favor de um ambiente sustentável!
http://casacomum.pt/2018/06/06/o-nosso-planeta-esta-a-afogar-se-em-poluicao-plastica/

02 junho 2018

Consciência e bem comum

nós e a ÉticaFernanda Tavares. 2018
Criado por Deus para a felicidade, o ser humano encontra na sua dedicação ao bem da comunidade em que se insere os meios para realizar essa felicidade pessoal e social. É missão da Igreja contribuir para a edificação de uma sociedade mais justa e fraterna, mais responsável e solidária. Ninguém pode ficar excluído dessa tarefa permanente. (Carta pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, Setembro 2013)
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Quando recordo as notícias das últimas semanas, não posso deixar de ficar perplexa. Refiro-me à violência gratuita em contextos onde se esperaria encontrar espaços de companheirismo e de fraternidade. Lembro, também, as denúncias acerca da corrupção activa e passiva que, no nosso País, vem ganhando proporções consideráveis, parece não conhecer limites nos expedientes usados e, como óleo derramado, vem atingindo indivíduos e grupos profissionais, até há pouco, considerados impolutos e acima de qualquer suspeita. 
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Precisamos de ter a coragem de reconhecer que é o ser humano que está em causa assim como a necessária mudança da sua própria consciência, esse lugar secreto em que se vão alicerçando as fronteiras do bem e do mal, com base no conhecimento, na tradição e na cultura e, sobretudo, na fé, quando esta existe. (...)

01 maio 2018

Estará a felicidade ao alcance de um “sim” à vida?

Coloquei diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida para viveres, tu e a tua descendência. (Dt 30,19)
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Can you predict if you will be happy?- BBC - Future
Consciente ou inconscientemente, cada ser humano, mulher ou homem, em idade jovem ou adulta, procura a felicidade, considerando esta como uma espécie de ápice ou plenitude da vida humana, que lhe servirá de horizonte no decurso da sua existência.
A felicidade está para além de uma alegria passageira, um prazer efémero, um sucesso profissional, um feito heroico, um aplauso e reconhecimento colectivo ou mesmo a envolvência de um grande amor.
Dir-se-á que a felicidade é um estado de alma, um atributo de um modo de ser, que permanece, ainda que com conteúdo indeterminado e variável de pessoa para pessoa, segundo as suas condições materiais de vida, as suas representações culturais, o seu status, a sua religião, ideologia e projecto político.
Compreende-se, assim, que, sendo um conceito subjectivo, não se pode ignorar ou subestimar que a busca da felicidade dependa também do contexto socioeconómico e seja, por este, influenciada.
Como definir a felicidade?  (...)
[ ler mais ]

14 abril 2018

Gaudete et Exsultate
Um chamamento à santidade no mundo actual

Com este título acaba de ser difundida uma Exortação apostólica do papa Francisco que deve ser escutada e dada a conhecer.

É uma mensagem de interpelação pessoal, dirigida aos cristãos, quaisquer que sejam as circunstâncias das suas vidas, no entendimento de que, pelo baptismo, todos, sem excepção, são chamados à santidade.

Logo de início Francisco explicita o seu propósito. O meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós «para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor» (cf. Ef 1,4)
 
Mais adiante acrescenta, a partir da sua própria visão contemplativa, sempre atenta à realidade da vida humana: Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade».

O tom pessoal e, quase coloquial, de um pai ou de uma mãe em conversa com os seus filhos e filhas, não retira a importância que deve ser conferida a outras dimensões do texto: a sua fundamentação teológica e bíblica; a denúncia das falsificações, designadamente o gnosticismo e o pelagianismo; a análise da realidade do mundo actual e dos desafios e riscos a enfrentar; o alcance pastoral; a necessidade do discernimento; o lugar do silêncio, da oração e do serviço numa vida de santidade.

Em suma, direi que esta exortação apostólica oferece a cada pessoa não só um interpelador chamamento à santidade mas também um guia para lhe corresponder nas circunstâncias concretas do seu estado e condição de vida.