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21 agosto 2018

Vergonha e Arrependimento


(...)  sentimos vergonha quando percebemos que o nosso estilo de vida contradisse e contradiz aquilo que proclamamos com a nossa voz. 
Carta do Papa Francisco ao Povo de Deus [ texto em português ]

O Papa Francisco reagiu à crise de abusos sexuais em vários países na carta aos católicos, reafirmando «tolerância zero» e responsabilização de quem cometeu ou ocultou tais crimes
O texto refere o relatório sobre casos de abusos sexuais na Pensilvânia, nos EUA em que novos dados dão a conhecer “aquilo que vivenciaram pelo menos 1000 sobreviventes, vítimas de abuso sexual, de poder e de consciência, nas mãos de sacerdotes por aproximadamente setenta anos”.
O Papa defende que as comunidades católicas devem unir esforços para “erradicar essa cultura da morte”, destacando que as feridas “nunca prescrevem”.
Francisco convida todos os católicos ao “exercício penitencial da oração e do jejum”, com o objetivo de promover a solidariedade e o compromisso com uma cultura do cuidado e o “nunca mais” a qualquer tipo e forma de abuso[Fonte:Agência Ecclesia]

A Comissão Pontifícia para a Protecção de Menores, criada pelo Papa Francisco em 2014 afirmou que se sente “incentivada” pelo apelo à “tolerância zero ao abuso de menores” e “encorajada” com a carta do Papa. 

04 setembro 2016

Gonxha Agnes Bojaxhiu - Teresa de Calecutá é santa!

... a maior pobreza do mundo de hoje: não ser amado.
- Madre Teresa de Calecutá
O Papa Francisco canonizou hoje a Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), 19 anos após a morte da religiosa que se distinguiu pelo serviço aos pobres e recebeu o Nobel da Paz em 1979. [Aência Ecclesia]


14 fevereiro 2016

Viagem Histórica do Papa Francisco a Cuba e México

O Papa Francisco e o Patriarca Kiril, de Moscovo, protagonizaram na sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016, em Havana, capital de Cuba, um encontro histórico. Pela primeira vez, em quase 1000 anos, os líderes cristãos das igrejas católica romana e ortodoxa russa estiveram juntos depois de as duas igrejas cristãs se terem separado no grande Cisma de 1054.
Desse encontro resultou a Declaração em 30 pontos que  aproxima católicos e ortodoxos russos


Depois Francisco continuou a sua viagem naquela que é a primeira visita apostólica ao México... 
Hoje, Domingo, o Papa visita  a cidade de Ecatepec, subúrbio da Cidade do México, marcado pela violência, as execuções criminosas, sequestros e extorsão, uma verdadeira “periferia”, como Francisco tem repetido. [siga aqui em directo]

16 janeiro 2016

«Crescer misericordiosos como o Pai»

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
para o JUBILEU DA MISERICÓRDIA DOS ADOLESCENTES 
(decorrerá de 23 a 25 de Abril e é dirigido à faixa etária dos 13 aos 16 anos)
.
Papa Francisco
Crescer misericordiosos como o Pai

Queridos adolescentes!
A Igreja está a viver o Ano Santo da Misericórdia, um tempo de graça, paz, conversão e alegria que abrange a todos: pequenos e grandes, próximos e afastados. Não há fronteiras nem distâncias que possam impedir à misericórdia do Pai de nos alcançar, tornando-se presente no meio de nós. A Porta Santa já está aberta em Roma e em todas as dioceses do mundo.
Este tempo precioso abrange também a vós, queridos adolescentes, pelo que me dirijo a vós para vos convidar a participar nele, a tornar-vos seus protagonistas descobrindo-vos filhos de Deus (cf. 1 Jo 3, 1). Gostaria de vos convidar um por um, gostaria de vos chamar pelo nome, como faz Jesus cada dia, porque – como bem sabeis – os vossos nomes estão escritos no Céu (Lc 10, 20), esculpidos no coração do Pai, que é o Coração Misericordioso donde nasce toda a reconciliação e toda a doçura.
O Jubileu é um ano inteiro no qual se diz santo cada momento, para que toda a nossa existência se torne santa. É uma ocasião para descobrirmos que viver como irmãos é uma grande festa, a mais bela que se pode sonhar, a festa sem fim que Jesus nos ensinou a cantar através do seu Espírito. Para a festa do Jubileu, Jesus convida mesmo a todos, sem fazer distinções nem excluir ninguém. Por isso, desejei viver também convosco alguns dias de oração e de festa. Assim espero-vos, em grande número, no próximo mês de Abril.
«Crescer misericordiosos como o Pai» é não só o título do vosso Jubileu, mas também a oração que fazemos por todos vós, recebendo-vos em nome de Jesus. Crescer misericordiosos significa aprender a ser corajosos no amor prático e desinteressado, significa tornar-se grande tanto no aspecto físico, como no íntimo de cada um. Estais a preparar-vos para vos tornardes cristãos capazes de escolhas e gestos corajosos, capazes de construir cada dia, mesmo nas pequenas coisas, um mundo de paz.
A vossa idade é um período de mudanças incríveis, em que tudo parece, ao mesmo tempo, possível e impossível. Com grande incitamento, vos repito: «Permanecei firmes no caminho da fé, com segura esperança no Senhor. Aqui está o segredo do nosso caminho! Ele dá-nos a coragem de ir contra a corrente. Podeis crer: isto fortalece o coração, já que ir contra a corrente requer coragem e Ele dá-nos esta coragem! Com Ele, podemos fazer coisas grandes; Ele nos fará sentir a alegria de sermos seus discípulos, suas testemunhas. Apostai nos grandes ideais, nas coisas grandes. Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia no Dia dos Crismandos no Ano da Fé, 28 de Abril de 2013).
Não posso esquecer aqueles de vós, adolescentes, que viveis em contextos de guerra, pobreza extrema, transtorno diário, abandono. Não percais a esperança! O Senhor tem um grande sonho a realizar juntamente convosco. Os amigos da vossa idade, que vivem em condições menos dramáticas do que as vossas, lembram-se de vós e comprometem-se por que a paz e a justiça possam pertencer a todos. Não acrediteis nas palavras de ódio e terror que se repetem com frequência; pelo contrário, construí novas amizades. Oferecei o vosso tempo, preocupai-vos sempre por quem vos pede ajuda. Sede corajosos, contra a corrente; sede amigos de Jesus, que é o Príncipe da paz (cf. Is 9, 6): «tudo n’Ele fala de misericórdia. N’Ele, nada há que seja desprovido de compaixão» (Misericordiae Vultus, 8).
Sei que nem todos vós podereis vir a Roma, mas o Jubileu é verdadeiramente para todos e será celebrado também nas vossas Igrejas locais. Estais todos convidados para este momento de alegria! Não prepareis apenas as mochilas e os dísticos; preparai sobretudo o vosso coração e a vossa mente. Meditai bem nos desejos que confiareis a Jesus no sacramento da Reconciliação e na Eucaristia, que celebraremos juntos. Quando passardes pela Porta Santa, lembrai-vos de que vos comprometeis a tornar santa a vossa vida, a alimentar-vos do Evangelho e da Eucaristia, que são a Palavra e o Pão da vida, para poderdes construir um mundo mais justo e fraterno.
Que o Senhor abençoe cada um dos vossos passos para a Porta Santa. Sobre vós imploro o Espírito Santo, para que vos guie e ilumine. Que a Virgem Maria, que é Mãe de todos, seja para vós, para as vossas famílias e para todos aqueles que vos ajudam a crescer em bondade e graça, uma verdadeira Porta da Misericórdia.
Vaticano, na solenidade da Epifania do Senhor, 6 de Janeiro de 2016.
FRANCISCO
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
para o JUBILEU DA MISERICÓRDIA DOS ADOLESCENTES 
(será celebrado de 23 a 25 de Abril e é dirigido à faixa etária dos 13 aos 16 anos de idade)
 Fonte: iMissio

20 setembro 2015

Papa Francisco visita Cuba e EUA

Quem poderia imaginar, nas décadas de 60 e de 70 do século passado, que hoje um Papa pisaria solo cubano, seria cordialmente cumprimentado por governantes e líderes de uma das mais famosas revoluções comunistas e afirmaria na sua homilia: "Quem não vive para servir, não serve para viver!"?
Quem, no tempo da Guerra Fria ousaria propor este cenário, ao menos entre os amigos? No tempo em que as boinas, crachás, t-shirts e bandeiras tinham um  ícone chamado Che Guevara... Lembram-se?
A História da Humanidade é um caminho deslumbrante e cheio de mistérios, ironias e surpresas!
Para mim, este momento da História é um sinal de que Deus cuida da sua Humanidade mesmo quando não damos conta, porque toca o coração daqueles que continuam a dar testemunho. 
Aqui pode seguir o percurso de Francisco em Cuba.

A visita ao continente americano prossegue e o Papa chegará a Nova York na quinta-feira, 24 de Setembro, às 17:00 horas...
[Infográfico]: Itinerário durante a visita do Papa Francisco a Washington D.C. nos Estados Unidos
Uma passagem histórica da visita do Papa Francisco aos EUA será o seu discurso na ONU, em Nova Iorque. É a quarta vez que um pontífice entra no Palácio de Vidro.
Em declarações à Rádio Vaticano,  Bernardito Auza, observador permanente da Santa Sé junto da sede da ONU, disse esperar que a visita de Francisco deixe "marcas profundas". (...) "Vai ser a primeira vez que as delegações oficiais dos 193 países-membros da ONU e dos observadores permanentes, lideradas por suas máximas autoridades nacionais, estarão sentadas na sala da Assembleia Geral para ouvir o Papa". [Ler ] 
O Papa Francisco esteve hoje com Fidel Castro, depois da missa que celebrou em Havana. (...) e ofereceu-lhe um livro sobre humor e religião e uma encíclica papal sobre o ambiente, em troca o antigo presidente cubano ofereceu ao Papa um livro com entrevistas feitas pelo padre brasileiro Frei Betto a Fidel. [ Ler]

[_post actualizado_]
Infografia realizada por ACI Digital

12 abril 2015

Ano Santo extraordinário da Misericórdia

 "[...] O longo documento divide-se, a grosso modo, em três partes. Na primeira, o Papa Francisco aprofunda o conceito de misericórdia e explica o porque da escolha da data de início em 8 de dezembro, Solenidade de Maria: “para não deixar a humanidade sozinha à mercê do mal” e por coincidir com o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, que que derrubou as muralhas, “que por muito tempo, mantiveram a Igreja fechada em uma cidadela privilegiada”. “Na prática – disse o Papa – todos somos chamados a viver de misericórdia, porque conosco, em primeiro lugar, foi usada a misericórdia”.
Na segunda parte, o Santo Padre oferece algumas sugestões práticas para celebrar o Jubileu, como realizar uma peregrinação, não julgar e não condenar, mas perdoar e doar, permanecendo afastado das fofocas e das palavras movidas por ciúmes e invejas, tornando-se “instrumentos de perdão”; abrir o coração às periferias existenciais, realizar com alegria obras de misericórdia corporal e espiritual e incrementar nas dioceses a iniciativa de oração e penitência “24 horas para o Senhor”, entre outros.
Por fim, na terceira parte, Francisco lança alguns apelos contra a criminalidade e a corrupção - dirigindo-se aos membros de grupos criminosos e aos corruptos; exorta ao diálogo inter-religioso e explica a relação entre justiça e misericórdia. A Bula se conclui com a invocação a Maria, testemunha da misericórdia de Deus.
(...)
O documento de convocação do Ano Santo da Misericórdia constitui um documento fundamental para reconhecer o espírito, com o qual é convocado, as intenções e os frutos esperados pelo Papa Francisco."
A Bula pode ser lida na íntegra, em português, neste link: 
http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html
 Fonte: Rádio Vaticana

23 abril 2014

Construir «pontes» e «romper fronteiras»

Igreja: Manuela Silva destaca capacidade que o Papa João XXIII teve para construir «pontes» e «romper fronteiras»

 .

Antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz abordou canonização de Angelo Roncalli, marcada para o próximo domingo


Lisboa, 22 abr 2014 (Ecclesia) – A antiga presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), Manuela Silva, diz que a canonização do Papa João XXIII vai fazer justiça a um homem que “abriu novos horizontes não só à Igreja mas ao mundo”.
 
Em entrevista concedida à Agência ECCLESIA, na antecâmara da cerimónia que vai ter lugar este domingo no Vaticano, a economista destaca a capacidade que Angelo Roncalli (1881-1963) sempre demonstrou para construir “pontes” entre as pessoas e a forma humilde como assumiu a sua missão na Igreja.

“Quando foi eleito, uma das frases que ele utilizou foi esta de se apresentar como servo dos servos de Deus, e nos seus relacionamentos essa virtude estava sempre presente, por isso tinha uma grande popularidade entre o povo”, recorda Manuela Silva.

Outra das mensagens que o Papa italiano procurava passar era a necessidade das pessoas olharem mais “para aquilo que as une” do que “para aquilo que as divide”.

Na opinião da antiga líder da CNJP da Igreja Católica, entre 2006 e 2008, estas qualidades foram decisivas para que “João XXIII, eleito já com bastante idade, quase com 80 anos” tenha-se assumido não como “um Papa de transição, como inicialmente se tinha pensado” mas como “um Papa que abriu novos horizontes não só à Igreja mas também ao mundo daquela época”.
 (...)
Para Manuela Silva, foi este percurso que deu a Angelo Roncalli a capacidade de “romper fronteiras”, o facto de ter contactado com “o mundo real”, na altura marcado “pelos horrores da guerra”, e com pessoas dos mais diversos quadrantes sociais, culturais e religiosos.
 (...)

Esta entrevista com Manuela Silva, inserida no âmbito das canonizações de João XXIII e de João Paulo II, vai poder ser acompanhada esta noite, no Programa ECCLESIA na Antena 1, a partir das 22h45. SN/JCP 
 [ LER AQUI ]


26 novembro 2013

Evangelii Gaudium - Papa Francisco

 
1. A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos. 

1. Alegria que se renova e comunica

2. O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.

3. Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído».  (...)

Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco [link]
[Documento na íntegra]
Fonte: Rádio Vaticano (26.11.2014)

01 agosto 2013

Dar ao Mundo um Rosto mais Humano


Fraternidade: Fundamento e Caminho para a Paz é o tema escolhido pelo Papa Francisco para a celebração do 47º Dia Mundial da Paz, que ocorrerá no dia 1 de Janeiro de 2014.

O tema foi ontem anunciado e, a partir de agora, a Igreja espalhada pelos quatro cantos do Mundo, com as suas culturas próprias e desafios particulares, está chamada a aprofundar o sentido evangélico da fraternidade como fundamento da paz e caminho para dar ao mundo um rosto mais humano.

Desde o início do seu Pontificado que o Papa Francisco vem denunciando os riscos da cultura do descartável e da indiferença, que não poupa as pessoas, nomeadamente as economicamente mais frágeis, crianças e idosos, doentes crónicos ou portadores de deficiências, tomando-as como coisas, peças de uma engrenagem que obedece cegamente a normas de competitividade e de lucro, à escala global, com as conhecidas consequências de fome e pobreza extrema, grande desigualdade, desemprego massivo para milhões de pessoas e demais disfuncionalidades sociais e ambientais que conhecemos.

Em ordem à paz, há que superar esta globalização da indiferença viabilizando uma alternativa de organização da economia e da sociedade assente numa cultura do encontro e da fraternidade.

Como lembra o Papa Francisco: A fraternidade é um dote que  cada homem e mulher traz consigo enquanto ser humano, filho do mesmo Pai. Diante dos numerosos dramas que atingem a família dos povos — pobreza, fome, subdesenvolvimento, conflitos, migrações, poluição, desigualdade, injustiça, criminalidade organizada e extremismos — a fraternidade é fundamento e caminho para a paz.

Vivemos num mundo cada vez mais interdependente e por isso a fraternidade universal deve impregnar todas as facetas da vida colectiva, incluindo a economia, as finanças, as empresas, as organizações da sociedade civil, as instituições públicas e políticas, as escolas aos vários níveis, a investigação científica, a comunicação social ou a cultura.


Os cristãos e as suas comunidades estão chamados a aprofundar o sentido da fraternidade universal, a rever os seus padrões e estilos de vida e a inventar novos caminhos que conduzam à globalização da fraternidade para dar ao mundo um rosto mais humano.

30 julho 2013

A Fé é um Bem Comum



A fé não nos afasta do mundo. Bem pelo contrário, a fé exige do discípulo/a de Cristo uma presença actuante na construção da Cidade, feita de atenção aos sinais do tempo, às necessidades das pessoas, sobretudo das mais fragilizadas, e aos demais desafios da convivência humana nas suas múltiplas vertentes. O mesmo se pode dizer das Organizações e Movimentos de matriz cristã, que deverão estar na linha da frente na denúncia das injustiças e na proposta de caminhos de justiça, unidade e paz.

Nem poderia ser de outro modo, porquanto a fé está intrinsecamente ligada ao amor, como a recente encíclica A luz da fé faz questão de sublinhar: A fé nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida; esta é iluminada na medida em que entra no dinamismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor (n.51).

Uma fé que não entre no dinamismo do amor e não se traduza em sinais proféticos com visibilidade na construção de um mundo justo e solidário fica presa de rituais, reduzida a um pietismo vão ou a uma moralidade estéril.

A fé é luz que ilumina a existência humana em todas as suas facetas e aponta caminhos de fraternidade, de cuidado, de justiça na partilha dos bens, de solidariedade, de unidade e de paz, porque se alimenta do amor.

Assim sendo, o alcance de uma fé autêntica vai muito para além do indivíduo e da consciência de cada pessoa; deixa marcas na arquitectura das relações humanas, no modo de organizar as economias e a vida em sociedade, na cultura dos povos e na política, aos vários níveis.

Neste mesmo sentido, a encíclica publicada pelo Papa Francisco sublinha: A fé faz compreender a arquitectura das relações humanas, porque identifica o seu fundamento último e destino definitivo em Deus, no Seu amor, e assim ilumina a arte da sua construção, tornando-se um serviço ao bem comum. E conclui: Por isso, a fé é um bem para todos, um bem comum. 

23 julho 2013

Estamos a acostumar-nos à cultura do descartável
Papa Francisco no Brasil

Não trago ouro nem prata, mas algo mais valioso: Jesus Cristo.
- Papa Francisco na visita ao Brasil durante as J M J


Papa Francisco - chega ao Rio de Janeiro
"Quando isolamos os jovens cometemos uma injustiça. Tiramos-lhes a pertença: a uma família, a uma pátria, a uma fé… Não devemos isolá-los da sociedade. Eles são o futuro", disse o Papa Francisco na sua  viagem ao Brasil, para participar nas Jornadas Mundiais da Juventude.

"Os jovens são o futuro, mas um povo não são só os jovens. Eles são o futuro porque têm a força, são jovens, avançam. Mas no outro extremo da vida, os mais velhos são também o futuro de um povo. Têm a sabedoria da vida, da história, da pátria, da família, e nós também precisamos disso. (...) E por isso digo-vos que vou ao Rio encontrar os jovens, mas no seu tecido social, principalmente ao lado dos mais velhos."

"Estamos a acostumar-nos à cultura do descarte. Fazemos isso com os mais velhos, mas agora também o fazemos com os jovens sem trabalho", afirmou Francisco, que chega ao Brasil semanas depois das grandes manifestações que juntaram sobretudo jovens brasileiros contra a corrupção e a distância entre o discurso dos políticos e as expectativas da população.
[Público on line]


"Devemos eliminar esse costume de descartar. (...) Devemos caminhar para a cultura da inclusão, do encontro. Temos de fazer um esforço para integrar todos na sociedade."


Para acompanhar a visita:
Página especial da Ecclesia ou a Renascença em directo.
As Imagens foram tiradas daqui!

10 julho 2013

A Luz da Fé

Quase no termo do Ano da fé declarado ainda pelo Papa Bento XVI, acaba de ser publicada pelo Papa Francisco a Encíclica A luz da fé.

Como foi tornado público, esta encíclica foi redigida essencialmente pelo Papa emérito, mas assumida e retocada pelo actual papa Francisco, o que é, em si mesmo, um exemplo de humildade e de serviço ao bem comum. 

O documento vem ao encontro da crise de fé que atravessa a cultura contemporânea e tanto influencia o modo de organização e de estilo de vida das nossas sociedades, crise que é também de humanização e de sentido de vida. Por isso a presente encíclica é não só um serviço feito à comunidade eclesial, dinamizando-a e recentrando os fiéis no essencial da fé em Jesus Cristo, como um bem oferecido a toda a Sociedade no seu processo de humanização: abre rumos novos para uma vida com sentido fecundada pelo Amor. 

Respigamos de seguida algumas passagens deste riquíssimo texto, com o objectivo de suscitar o interesse dos leitores por uma leitura na íntegra de todo o documento.

 A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus.

(…)

Nos tempos modernos, pensou-se que tal luz poderia ter sido suficiente para as sociedades antigas, mas não servia para os novos tempos, para o homem tornado adulto, orgulhoso da sua razão, desejoso de explorar de forma nova o futuro. Nesta perspectiva, a fé aparecia como uma luz ilusória, que impedia o homem de cultivar a ousadia do saber

(…)

Urge recuperar o carácter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um carácter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem

(…)

Na fé, dom de Deus e virtude sobrenatural por Ele infundida, reconhecemos que um grande Amor nos foi oferecido, que uma Palavra estupenda nos foi dirigida: acolhendo esta Palavra que é Jesus Cristo — Palavra encarnada –, o Espírito Santo transforma-nos, ilumina o caminho do futuro e faz crescer em nós as asas da esperança para o percorrermos com alegria.

(…)

A transmissão da fé, que brilha para as pessoas de todos os lugares, passa também através do eixo do tempo, de geração em geração. Dado que a fé nasce de um encontro que acontece na história e ilumina o nosso caminho no tempo, a mesma deve ser transmitida ao longo dos séculos. É através de uma cadeia ininterrupta de testemunhos que nos chega o rosto de Jesus. Como é possível isto? Como se pode estar seguro de beber no « verdadeiro Jesus » através dos séculos? Se o homem fosse um indivíduo isolado, se quiséssemos partir apenas do « eu » individual, que pretende encontrar em si mesmo a firmeza do seu conhecimento, tal certeza seria impossível; não posso, por mim mesmo, ver aquilo que aconteceu numa época tão distante de mim. Mas, esta não é a única maneira de o homem conhecer; a pessoa vive sempre em relação: provém de outros, pertence a outros, a sua vida torna-se maior no encontro com os outros; o próprio conhecimento e consciência de nós mesmos são de tipo relacional e estão ligados a outros que nos precederam, a começar pelos nossos pais que nos deram a vida e o nome. A própria linguagem, as palavras com que interpretamos a nossa vida e a realidade inteira chegam-nos através dos outros, conservadas na memória viva de outros; o conhecimento de nós mesmos só é possível quando participamos duma memória mais ampla. O mesmo acontece com a fé, que leva à plenitude o modo humano de entender: o passado da fé, aquele acto de amor de Jesus que gerou no mundo uma vida nova, chega até nós na memória de outros, das testemunhas, guardado vivo naquele sujeito único de memória que é a Igreja; esta é uma Mãe que nos ensina a falar a linguagem da fé.

(…)

Devido precisamente à sua ligação com o amor (cf. Gl 5, 6), a luz da fé coloca-se ao serviço concreto da justiça, do direito e da paz. A fé nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida; esta é iluminada na medida em que entra no dinamismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor. A luz da fé é capaz de valorizar a riqueza das relações humanas, a sua capacidade de perdurarem, serem fiáveis, enriquecerem a vida comum. A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto dos nossos contemporâneos. Sem um amor fiável, nada poderia manter verdadeiramente unidos os homens: a unidade entre eles seria concebível apenas enquanto fundada sobre a utilidade, a conjugação dos interesses, o medo, mas não sobre a beleza de viverem juntos, nem sobre a alegria que a simples presença do outro pode gerar. A fé faz compreender a arquitectura das relações humanas, porque identifica o seu fundamento último e destino definitivo em Deus, no seu amor, e assim ilumina a arte da sua construção, tornando-se um serviço ao bem comum. Por isso, a fé é um bem para todos, um bem comum: a sua luz não ilumina apenas o âmbito da Igreja nem serve somente para construir uma cidade eterna no além, mas ajuda também a construir as nossas sociedades de modo que caminhem para um futuro de esperança. 

A edição da versão integral encontra-se aqui

08 julho 2013

combater a "globalização da indiferença"

“A cultura do bem estar torna-nos insensíveis aos gritos e ao sofrimentos dos outros; a globalização da indeferença rouba-nos a capacidade de sentir”.
Papa Francisco, Lampedusa - 08.07.2013


O Papa Francisco escolheu a ilha de Lampedusa como destino da primeira visita do seu pontificado.

As Nações Unidas calculam em cerca de oito mil as pessoas que chegaram a Lampedusa desde o principio do ano; a maioria proveniente de países do norte de África e particularmente da Líbia.

A escolha desta porta da Europa para os clandestinos africanos é fortemente simbólica para um Pontífice que tenta recentrar a ação da Igreja nos pobres e desprotegidos.



O Sumo Pontífice quis manter a sobriedade dos actos para “chorar os mortos” dos naufrágios de embarcações que transportam imigrantes do Médio Oriente e Norte de África – os mortos que ninguém chora, disse. E para tal, fez-se acompanhar apenas dos seus secretários particulares, dos seus guarda-costas e do porta-voz do Vaticano Federico Lombardi e sem responsáveis políticos, num barco que percorreu parte da costa até à Porta da Europa, monumento erguido em memória de todas as vítimas de naufrágios.

O barco que usou é o mesmo que, desde 2005, socorreu 30 mil pessoas apanhadas em naufrágios na travessia do Mediterrâneo. Também para celebrar uma missa, usou um barco que em tempos naufragou, como altar. “Os mortos no mar são como um espinho no coração”, disse frente a habitantes da ilha e imigrantes.

Durante a homilia o Papa afirmou: “A cultura do bem estar torna-nos insensíveis aos gritos e ao sofrimentos dos outros; a globalização da indeferença rouba-nos a capacidade de sentir”.

Fontes: 
La Stampa [Vatican Insider] on line
Papa Francisco condena a indiferença do mundo face à sorte dos imigrantes clandestinos | euronews, mundo
Jornal Público on line
Agência AFP

19 março 2013

"Proteger, Defender, Guardar Bem cada Pessoa e toda a Criação com Respeito, Amor e Ternura"
- ecos da homilia do Papa Francisco

Guardemos Cristo na nossa vida,
para guardar os outros, para guardar a criação!


Eram 9h37 (uma hora a menos em Portugal) quando o Papa chegou ao pequeno altar no topo das escadas da Basílica de São Pedro. Algum tempo depois, seis cardeais (e não todos, como habitualmente) fizeram fila para lhe prometer obediência. Entoados os cânticos e feitas as leituras, entre os silêncios sempre imponentes da praça, o Papa começou a celebração. [ + ]

Papa Francisco - Praça de S. Pedro 19.03.2013

“A vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração.”

Proteger e “guardar” é também “viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus”.

Quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então tem lugar a destruição, o coração fica ressequido…

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade de âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.”



O anel do Papa Francisco

Cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura” São José é homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!

Neste contexto, o Papa fez uma referência – a única – ao “início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro”, que – reconheceu – “inclui também um poder… Jesus deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata?” 
Os sapatos do Papa Francisco


Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Só quem serve com amor é capaz de proteger.”
 

A concluir o Papa Francisco referiu ainda a segunda Leitura, em que São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar». Hoje, em dia, perante tantas nuvens escuras, há muita necessidade de esperança!

"olhou-o com misericórdia e escolheu-o" [+]
“Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança!”

“Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!

Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amém!”

"Não tenhais medo da bondade e da ternura"
- Papa Francisco na homilia da Missa na Praça de São Pedro

13 março 2013

Francisco
"Reconstrói a minha Igreja!"

 “Peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe, a oração do povo pedindo a bênção pelo seu bispo. Façamos em silêncio esta oração”  [ + ]
- Jorge Mario Bergoglio - 13.03.2013