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08 outubro 2019

"Estou na palma da mão de Deus!"

Manuela Silva - (Cascais, 1932 – 2019)

Os sinais de Amizade chegaram também assim pela mão dos responsáveis do Metanoia. 
Muito obrigada!

"A nossa amiga Manuela Silva, como já expectável, deixou-nos ontem, dia 7 depois de uma longa luta conta a doença. Combateu o bom combate e está agora na Paz de Deus.
(...)
A Igreja portuguesa e a sociedade muito lhe devem pela sua luminosa e intervenção eclesial, social e política ligada à economia de que foi professora universitária.
Soube como poucos ligar a vida e a investigação à procura de justiça para todos preferindo os mais pobres.
Da sua vida cheia, agradecemos ter sido presidente internacional do MIIC Pax Romana, da Comissão Nacional Justiça e Paz, fundadora e dirigente do CRC, Centro de Reflexão Cristã, e nos últimos anos fundadora e impulsionadora da Fundação Betânia e da dinâmica da Rede pelo cuidado da Casa Comum.
Na política foi a atenção ao desenvolvimento e a luta contra a pobreza que animaram a sua participação de diversos modos antes e depois do 25 de Abril, tendo sido membro do V Governo justamente no Planeamento económico. 
Blogger da Areia dos Dias, e Ouvido do Vento, sempre atenta às dinâmicas sociais portadoras de futuro. Publicou livros que são uma referência de espiritualidade e de empenhamento pela justiça.
Muito mais haveria a dizer da Manuela, nós aprendemos muito com ela, esta forma especial de ser pessoa, de ser crente e de viver na liberdade da busca de um mundo melhor.
No Metanoia, com quem sempre colaborou quando lhe foi pedido, deixa além de um exemplo de empenhamento cristão e muitos amigos para quem foi sempre uma referência importante.
Portugal e a Igreja estão mais pobres mas junto de Deus a Manuela cuidará desta Casa Comum."

O corpo poderá ser velado a partir desta terça-feira, dia 8 de Outubro de 2019 pelas 17:00 horas. A missa de corpo presente está marcada para amanhã, quarta-feira, dia 9 de Outubro, às 14:00 horas, na Igreja da Ressurreição, em Cascais, seguindo-se o funeral.

11 janeiro 2015

A PAZ:
uma construção inadiável que a todos responsabiliza

- Imagem [daqui]
A PAZ: 
uma construção inadiável que a todos responsabiliza
É o tema do próximo Encontro a realizar nos dias 14 e 15 Fevereiro na sede da Fundação Betânia.
Já está disponível o programa
e pode fazer a sua inscrição online. [AQUI]

Convide um/a Amigo/a!

06 janeiro 2013

Afinal há Pessoas!

É o tema do próximo encontro a realizar na sede da Fundação Betânia a 9 de Fevereiro de 2013.

Como vem sendo hábito haverá um encontro no fim de semana que antecede o Carnaval. Desta vez contamos com a presença do Pe. Joaquim Cerqueira Gonçalves

Para lá da reflexão enriquecida pelas intervenções dos/as participantes, haverá uma refeição partilhada e  esperamos um belo dia para usufruir da presença das Pessoas. 

Pode consultar mais informações no Site da Fundação Betânia. aqui!

23 novembro 2012



"O peixe é uma curva de vento 
Um risco no ar que guarda o silêncio" 

" e do uno se faz corpo, realidade
que os sentidos acarinham 
E a memória guarda"

vê o peixe que se desdobra 
para além das baias e das falas 
outra vez se tornar um 
no cardume que corre pela Luz 
E acolhe 

            al 
 

20 novembro 2012


Um peixe que fala

Do alto vem o Vento e o Sopro 
de uma ideia ténue e vaga. 

De longínquas nascentes 
se alimenta a beleza que lhe dá a forma 

Da persistência e do calor do fogo 
nasce a obra pela arte do artífice  
E tudo é um só.  
E do uno se faz corpo, realidade 
Que os sentidos acarinham  
E a memória guarda  
Um peixe plantado em chão verde de esperança 
Ondulante e solto, como o olhar o quer.  
Estranha leveza de exótico pássaro 
Em jeito de prontidão de voo  
Sedução de outras paragens.  
Um peixe, um simples peixe 
Um peixe que fala.  
Falará o peixe? E de que fala ele?  
mm 

19 novembro 2012



O Peixe guarda o silêncio

Uma fita de aço 
nadando no espaço verde 

Fio golpeado em fogo 
ondula tranquilo 
na leveza do toque 
É música intemporal 

O peixe é uma curva de vento 
Um risco no ar que guarda o silêncio 

O olhar que atravessa o peixe 
sente-o habitado pelo tempo 
como a brisa suave 
Sinal que persiste e convida 


ichthus

O Peixe - © Fundação Betânia. 2012

ICHTHUS é palavra grega que significa peixe. 
As cinco letras formam o acrónimo: 
Iesus Christus Theos Yios Soter
que quer dizer: 
Jesus Cristo Filho de Deus Salvador.
 
O desenho de um peixe tornou-se um símbolo para os primeiros cristãos que, em tempo de perseguições, o usavam como sinal secreto da sua fé.
Assim, para um cristão saber se outra pessoa era irmão na fé, desenhava um arco na areia. Se a outra pessoa fosse cristã, desenhava o arco ao contrário, formando o desenho de um peixe!
Agora há um Peixe nos Jardins de Betânia...

18 novembro 2012

O Peixe

O Peixe -  © Fundação Betânia. 2012
O Peixe -  © Fundação Betânia. 2012
O espaço de Betânia dispõe agora de uma escultura em aço a embelezar o jardim, obra conjunta de Céu Tostão que a concebeu, de António Catarino que a construiu e de Manuela Silva que acarinhou e acompanhou com expectativa.

Quem já viu apreciou e deixou-se inspirar.

Venha conhecer “O peixe” e entre na corrente de uma escrita poética criativa que hoje iniciamos!

22 julho 2012

Homenagem a Nuno Teotónio Pereira

No dia 11 de julho de 2012, Nuno Teotónio Pereira, arquitecto e autor da sede da Fundação Betânia, recebeu o «Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes», atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Igreja Católica.


Estivemos presentes e queremos deixar aqui um registo para memória futura.
Obrigado Nuno!

21 abril 2012

Ecos da Conferência de Elena Lasida
Que Futuro para a Economia? - Contributos da antropologia judaico-cristã


Elena Lasida, economista uruguaia, professora da Faculté de Sciences Sociales et Economiques e vice-reitora do Institut Catholique de Paris foi convidada pela Fundação Betânia para proferir, na Fundação Cidade de Lisboa, em 30 de Março de 2012 a conferência:
Que Futuro para a Economia? - Contributos da antropologia judaico-cristã
Agradecemos a todas as pessoas que estiveram presentes e aproveitamos a oportunidade para anunciar que já está disponível a versão integral da conferência e do debate que se seguiu!
consulte e faça o download aqui ]

25 janeiro 2012

Habitar o Tempo com o Coração

You are the light - Eric Nykamp. 2005
O mundo está em processo de profunda mutação.

Na voragem da mudança perde-se o sentido da existência, deixando caminho aberto à prepotência dos mais fortes e corre-se o risco de ver desaparecer valores civilizacionais adquiridos ao longo de séculos.
Valores tão fundamentais como: a dignidade humana; a liberdade; a justiça; a fraternidade; o bem comum e a paz. O desregramento a que assistimos não ocorre apenas no domínio da economia, da finança, da tecnologia ou do poder político; afecta igualmente a cultura, designadamente os valores, a concepção antropológica, o sentido da existência, a relação com o outro e com a transcendência. 

Neste quadro de referências, como nos situamos? 
Como habitar o nosso tempo com o coração?
A Fundação Betânia vai realizar o Encontro
Habitar o Tempo com o Coração
  • Como reconhecer e construir um Eu que dialoga com o Outro?
  • Que valores matriciais cultivamos e transmitimos às novas gerações?
  • No limiar de uma nova era, que sinais de esperança vemos emergir?
Data: 18 e 19 de Fevereiro  2012
Local: Fundação Betânia, Azóia - Colares
Consulte: a Agenda e o Programa.
Faça a sua Inscrição  online!

21 março 2010

"The Virtuous Cycle:
Restoring Nature and Humanity"
Maria José Melo Antunes

Para assinalar a chegada da Primavera, publicamos um documento de Maria José Melo Antunes intitulado "The Virtuous Cycle: Restoring Nature and Humanity".

Trata-se de um conjunto de reflexões elaboradas pela autora aquando da sua participação na iniciativa levada a cabo pela Fundação Betânia, de 14 a 16 de Fevereiro de 2010, subordinada ao tema: "Se queres cultivar a Paz, preserva a Criação".

Theme:

Se queres cultivar a Paz, preserva a Criação (Pope’s New Year message)

Feb. 14, 2010 – A Criação como Dom de Deus e a Responsabilidade Humana

• ”I think; therefore I am.” (Descartes) – 17th century.
Beginning of the enlightenment and importance of science.
Further decline in faith and the power of the Catholic Church, which began with Henry VIII and the Protestant Reformation (Martin Luther) – 16th century.
Man: Master of the Universe - epitomised by Francis Bacon’s scientific method.
• “I shop; therefore I am.” (Barbara Kruger) – 1980s.
Acceleration and global expansion of the consumer culture (The Culture of Contentment - John Kenneth Galbraith).
Materialistic society – new religion, rooted in the industrial revolution and technocentrism.
Man: Despoiler of the Universe.
• Backlash:
War for resources
Depletion of resources;
decline in biodiversity;
risk of environmental disasters (See Jared Diamond’s Collapse).
Greed and financial excesses and crisis – a deadly sin Decline in security and wellbeing Increase in fanaticism and extreme views.
Terrorism arising from disillusionment (see JK Galbraith The Culture of Contentment), resistance to change and to the “Occidentalization of society”
Nostalgia for law and order can pose risk.
Urgently required next phase: “I care; therefore, I am.” – 21st century Reclaiming humanity: ethics and responsibility.
Man: Steward of the Universe Regulation provides the framework and instills boundaries – key to society – but alone cannot ensure human welfare.
• Motivation has to come from within – charity or ágape – the virtuous cycle:
St. Paul: Romans Chapter 7 – law vs. charity
St. Paul: Corinthians Chapter 13 – man is nothing without charity

Feb. 15, 2010 – A Sabedoria de Confiar em Tempo de Crise

• When there is a breakdown in confidence, we enter a vicious cycle. We reinforce the vicious cycle when we reinforce the lack of confidence by responding like for like, e.g, deceit, etc.
• Thomas Aquinas wrote on whether man is virtuous by nature (Dionysius) – habit or grace (St. Thomas Aquinas, Treatise on the Virtues, Question LXIII, “The Cause of Virtue”).
• When man is divorced from nature, virtue is easily replaced by vice; virtue is about equilibrium – in the natural loop, each organism has a role to play – contributing to the common welfare.
• Pride: human exemptionalism – control of nature.
• Confidence is key to saving humanity and the planet.
• We must reinforce the virtuous cycle, and not the vicious cycle.
• Capital de confianca – we inherit a legacy of confidence, from our childhood, etc. – on this we build, but few children are so blessed.
• Security is not the same as confidence.
• Confidence can imply risk (of betrayal).
• Con fides – to believe in and with someone else/others, not alone.
• We cannot act alone; we need to have confidence. With whom do we wish to walk through life in confidence? Our neighbours...
• Resolving a problematic breakdown through metamorphosis (Edgar Morin):
In order for metamorphosis to take place, the nucleus of change has to exist
– butterfly example Within the system/organism, seek the positive, not the negative, to build on.
– changing the system from within: metasystemic – learning Confident outlook
– see the virtuous side.
• Each can be an example for the other – “beacon”.
• Be the bearer of good news (reinforces the virtuous cycle), not bad (vicious cycle).
• Trust in God: Luke 12: 22-32 (birds in the air and lilies in the fields).
Afternoon session
• The pendulum
Movement Swinging to the left and to the right and passing through the center vs. returning to the center; the centre shifts and should shift, or otherwise we do not move on Balance (can imply one solution) cf. harmony Centrality of the pendulum: balance - feeling of uprightness in a person – between the sky and the earth (a ceu e a terra) – comforting feeling: feet planted on the ground, and arching upwards.
Walking meditation – the labyrinth (to explore): what was its role in the medieval Church?
• Meditation vs. contemplation.
• The importance of the void: leads to letting go – giving up control; this opens up new horizons, new ways of seeing things.
• Jesuits’ spiritual exercises Using experiences and the senses (so do the Buddhists in meditation).
• Exercises Game of falling and propping up – sensations of abandonment/confidence and protection/security Drawing – attention and identification (s’apprivoiser in The Little Prince: to take responsibility/care for someone or something).

Feb. 16, 2010 - Sustentabilidade Ambiental, Inclusão Social e Estilo de Vida : o que posso fazer?

• Unsustainable trend – accelerated as of 1980s (Ladislau Dowbor graph with line steeply curving upward as of 1980s) – started with Reagan’s “voodoo economics” and the explosion of credit, leading to consumption boom
• “End the destruction” – we must amplify the earth’s silent voice; it is within our giant conscience.
• 3 considerations:
- Are we ready to rethink the consumption paradigm? Do we want to? (Faust and Mephistoles) Not yet, but the debate is beginning
- Can we accept negative growth? What would be the social consequences? Discussion of happiness – focus on quality of life (See Tim Jackson’s Prosperity without Growth; report finds that current aspirations for “decoupling” environmental impacts from economic growth are unrealistic)
- Current capitalist model – “return morality to capitalism” (Sarkozy at Davos, 2010).
• 3 key requirements to resolve challenge:
- Ethics
- Coherence
- Individual action set in a group context (cohesion and cooperation).
• Mentality will change, but very slowly – like a turtle – needing a combination of fear and opportunity, but inspiration would be best!
• In History, no major change has occurred without suffering – Jesus at Gethsemane:“Father, take this cup away from me”
• Need of human warmth and solidarity – community focus – ágape.
The Virtuous Cycle: Restoring Nature and Humanity
Reflections at Betânia – Feb. 2010

Maria José Melo Antunes. 28 Fevereiro 2010

22 agosto 2008

Sobre o cuidado ...

O ouvido do vento não está de férias. No espaço de Betânia tem sido tempo de aprofundamento das convicções, dos temores e das esperanças que nos habitam e da sua partilha com quem nos visita e vem aproveitar deste espaço para fortalecer o encontro consigo próprio, com os outros, com a natureza, com o mundo em que vive - encontro com Deus que, através destas múltiplas mediações, como também através da Sua Palavra e do silêncio orante, se vai revelando e dando sentido ao existente.
Hoje falamos de novos paradigmas emergentes na nossa sociedade, com suas ambiguidades de luzes e trevas, e procuramos ver como potenciar as luzes e travar o caminho às sombras. Desenvolvemos também alguma reflexão sobre o alcance de uma postura de "cuidado" face a nós próprios e à realidade circundante.
Aqui lhes deixo um pequeno excerto de um texto que fala do cuidado como uma atitude básica a cultivar face ao presente e face ao futuro.
A relação com a realidade concreta, com os seus cheiros, cores, frios, calores, pesos, resistências e contradições, é mediada pela imagem virtual, que é somente imagem. O pé já não sente o macio da relva verde. A mão já não pega num punhado de terra escura. O mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, caracterizado pelo encapsulamento sobre si mesmo e pela falta do toque, do tacto e do contacto humano.
Essa anti-realidade afecta a vida humana naquilo que ela possui de mais fundamental: o cuidado e a compaixão. Mitos antigos e pensadores contemporâneos dos mais profundos ensinam-nos que a essência humana não se encontra tanto na inteligência, na liberdade ou na criatividade, mas basicamente no cuidado. O cuidado é, na verdade, o suporte real da criatividade, da liberdade e da inteligência. No cuidado encontra-se o ethos fundamental do humano. Quer dizer, no cuidado identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das acções um recto agir. (
Leonardo Boff. Saber cuidar. 1999)

18 maio 2008

À conversa sobre o Projecto Betânia

Para uma partilha mais alargada no espaço cibernauta e para memória futura, deixo aqui o eco de algumas reflexões feitas em torno do Projecto Betânia. Surgiram no encontro do passado sábado (17 de Maio) que se realizou no espaço físico da Fundação Betânia, em Azoia/Colares.
A propósito do que é e do que poderá ser Betânia, as ideias que mais se destacaram neste encontro foram as seguintes:
- Caminho de procura espiritual;
- Acolhimento e interacção com diferentes correntes de pensamento e espiritualidade;
- Espaço de reconhecimento de cada pessoa na sua singularidade e de confirmação do sentido da vida;
- Local de partilha afectiva onde cada pessoa pode dizer-se e aprender a escutar o outro;
- Comunidade de pessoas que desejam vivenciar a sua fé em Jesus Cristo, aprofundá-la, celebrá-la de modo simples e testemunhá-la com coerência em atitudes e comportamentos nos diversos espaços em que decorrem as suas vidas;
- Comunidade, real e virtual, que aproveita das potencialidades das novas tecnologias da comunicação para se esclarecer, aprofundar as suas raízes e interagir na sociedade e na cultura do seu tempo;
- Projecto de vivência da fé, atento aos desafios da mudança e capaz de discernir, nas várias crises, da sociedade e das igrejas, sinais portadores de esperança;
- Projecto que exprima beleza, contemplação, relação harmoniosa com a natureza, opção por uma vida simples e relações humanas fraternas, cuidado com os outros e com o Planeta, solidariedade e compromisso com o anúncio de novos tempos onde prevaleça a justiça;
- Projecto que traga a marca de uma vida justa, de um modo de ser alicerçado na generosidade, no cuidado e na esperança.

Agora que lhe demos conta desta nossa reflexão, ousamos contar com o seu olhar e a sua motivação, para dar corpo, ampliar e aprofundar o “Projecto Betânia”.
Até breve!

13 maio 2008

Festa do 5º aniversário

O Site da Fundação Betânia
celebra hoje o seu 5º aniversário!
Dedicamos a Festa
às Pessoas que nos visitam.
Use a caixa de comentários
para celebrar connosco.
;)
Obrigada!

16 dezembro 2007

“Quem somos? Grande peleja!”

Julgo que será sempre um bom exercício re-ler a introdução de Artur Morão a partir de algumas outras, breves, ideias-chave.

Na verdade, o tempo presente é o que resta de um longo percurso que começa em Descartes, mas sobretudo em Giambattista VICO [1668-1744]. À formulação escolástica “verum est ens” [“o ente é a verdade”], Vico contrapõe, como diz Ratzinger, “verum quia factum”. Enquanto que para a Antiguidade e Idade Média é o próprio ser que é verdadeiro, porque é pensado, porque ‘é sonhado por alguém’, porque é criado ex nihilo e, assim, vive ‘na plenitude dum Sentido pleno’, para Vico, que «abre a sessão da modernidade», o verdadeiro conhecimento é o conhecimento das causas. Ou seja, a partir de Vico só podemos conhecer verdadeiramente aquilo que nós fizemos, porque só nos conhecemos a nós mesmos e, a partir desse conhecimento é que podemos abalançarmo-nos a investigar a natureza de tudo que saia das nossas mãos. No lugar da velha harmonia entre ‘verdade e ser’, instala-se uma nova que iguala a verdade à facticidade: “só podemos conhecer o ‘factum’, o feito pelo Homem”. O que está para lá da mão do Homem é sempre incognoscível, improvável, in-verdadeiro.

Primeira conclusão: a História e a Matemática, paulatinamente, vão-se tornando as ‘únicas ciências’. Em Hegel, e em Comte, a filosofia torna-se uma questão da História, em que o próprio Ser é visto como um processo histórico. Em Marx a economia é repensada em termos históricos e até as ciências naturais, em Darwin, não são mais do que a narrativa de uma evolução histórica [‘o evolucionismo’]. A astronomia e a astrofísica encarregaram-se de destruir todo e qualquer romantismo à cerca do Universo; este deixa de ser a habitação das mais altas aspirações humanas e converte-se num processo expansivo constante que, no seu movimento próprio, há-de chegar a um términus.

Em suma: não é de admirar que o Homem pós-moderno seja aquele que não consegue observar mais além de si próprio e, se julga que não, é sempre através de factos [dos ‘factum’] que o faz, reconhecendo-se prisioneiro duma redoma fatídica [‘fatum’, destino]. O Céu, do Homem de hoje, é “uma situação muito estranha”: o Homem actual ergueu o ‘seu céu’, no qual deve esforçar-se por se aceitar a si próprio também como um mero produto do acaso histórico.

Nunca nos vimos tão limitados na nossa fantasia!, ao construirmos um Mundo encerrado em si próprio. Como diz o poeta: “Não há melhor forma de ser livre que dependermos de alguém...”. Mas, hoje, o Homem está só!, a mais nefasta forma de dependência.

A Conferência de A. Morão lança o desafio: depois do fim da Cristandade, como/o quê ser cristão, hoje? Este desafio sai-me ao encontro sob a forma de uma visão [nova?] de Deus.

“Deus não pode estar presente na criação senão sob a forma de ausência.” [Simone Weil] “Deus é essencialmente invisível” [Ratzinger], enquanto o Homem é o ‘ser-que-vê’, limitado pelo espaço daquilo que pode ver e tocar. Então, o real/verdadeiro é aquilo e somente aquilo que vemos, desmontamos, tocamos e mensuramos, interpretamos e analisamos, ou também é aquilo que existe para lá de todo o ‘factum’, do qual nem sequer temos um entendimento mínimo? Ser cristão será então fazer “a opção de não considerar irreal o que não se pode ver e aquilo que de modo algum pode ser colocado no campo visual, acreditando que precisamente aquilo que não é visível é que representa a verdadeira realidade que sustenta e possibilita toda a realidade restante.” [Ratzinger] “Ter fé significa, então, decidir que, no âmago da existência humana, há um ponto que não pode ser alimentado e sustentado pelo que é visível e tangível, mas que toca na fímbria daquilo que não é visível, a ponto de este se tornar tangível revelando-se como algo
indispensável à existência.” [Ratzinger] A Fé Cristã é “um salto arriscado”, um percalço, um degrau-tropeço, um ressalto, e nunca um fim naturalmente lógico e previsível da evolução da mente humana.

Porquê?

Porque é uma viragem, uma íntima ruptura, um golpe de rins, uma ‘metanoite’ derramada sobre tudo: sorte, bens, felicidade, dinheiro, relações humanas, produtividade, também sobre sofrimento, morte e dor.

Quebrar a cadeia da ilusão, da necessidade e da vontade e instaurar, em seu lugar, o trono do ser, da sujeição [à necessidade-consentida-manuseada] e da atenção.

“Tem como se não possuísses.” [S. Inácio de Loyola] “Não nos pertencermos.” [1ª Cor 6,19] “Por causa d’Ele, tudo perder,” [Fil 3,8] “carregando as cargas uns dos outros [...] examinando cada um sua própria acção,” [Gal 6,2] “esvaziar-se e humilhar-se” [Fil 2,7-8] “um esquecimento de si [...] um desapego grande de tudo [...] um grande gozo interior” [Teresa d’Ávila, 7ª Moradas, cap.3] “Amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, auto-domínio” [Gal 5,22]

“O Reino de Deus não vem de maneira que se note” [Lc 17, 20]

“Deus é muito amigo de que Lhe não ponham taxa e medida” [Teresa d’Ávila, 1ª Moradas, cap. 1]
“Quem somos? E neste corpo nos detemos... Grande peleja!” [idem]
Paulo Bateira


Ecos da Conferência
de Artur Morão
A ‘petite espérance’ num mundo em convulsão
Fundação Betânia
8 de Dezembro de 2007

15 outubro 2007

O promissor hibisco vermelho...

"Em torno do acto fez-se uma celebração
com leituras de textos vários e uma oração final tirada do Salmo 99.
Simples e bonito!" - MSPreparando o local...Tudo com muito jeitinho!Acompanhado de poesia e oração.Ora aí está ele!Agora a água...Agora do outro lado... Isso mesmo!Eis o promissor hibisco vermelho!E foi uma Festa!