No site da Fundação Betânia foi publicado este estudo sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti. Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.
Na história dos patriarcas, Isaac tem pouca relevância, é uma pessoa a quem falta uma vincada personalidade própria. É apresentado segundo o modelo do pai e apenas uma figura de ligação entre os dois grandes patriarcas: Abraão e Jacob.
(...)
Esaú perdeu tudo quanto lhe pertencia legitimamente, a primogenitura, porque não lhe percebeu o valor. Pelo contrário, Jacob, com outra sensibilidade, compreendeu o seu valor, e é isto que o autor quer enfatizar. Porém, a forma como Jacob se comporta, ao aproveitar-se de um momento de fragilidade do seu irmão, deixa-nos perplexos.
Jacob torna-se assim herdeiro da promessa de Abraão. O autor vê em tudo isto um plano do Senhor que, antes do nascimento dos dois gémeos, já tinha previsto que o maior haveria de servir o menor. A história da salvação insinua-se através das facetas dos comportamentos humanos, frequentemente não lineares e contraditórias. O autor insiste em querer mostrar que o plano da salvação se desenvolve pelo puro dom de Deus e não pelo mérito das personagens, que são, de vários modos, miseráveis. O autor não se escandaliza pela miséria dos homens, pelo contrário mostra que
Deus serve-se de todos para levar avante os seus planos, demonstrando, assim, o seu poder que vence também com meios que podem parecer inadequados.
- Nicoletta Crosti,Isaac torna-se pai de dois gémeos - Esaú e Jacoob
16 janeiro 2011
Isaac torna-se pai de dois gémeos - Esaú e Jacoob
Génesis 25, 19-34
01 janeiro 2011
Felizes os que vivem o dom da Confiança
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| Tree - Marie Bertrand. 2009 |
Viver o dom da confiança supõe que o reconheçamos na nossa própria história pessoal (para o crente, significa o reconhecimento de que Deus confia nele) e que o cultivemos nas nossas relações, a começar na relação consigo mesma/o e na relação com os outros e que pratiquemos uma atitude confiante em todos os nossos ambientes, familiares, profissionais, ou de convivência cívica.
É certo que vivemos num tempo cultural e politicamente propenso à depressão, ao medo e, consequentemente, inclinado à perda de confiança. Não podemos ignorar e descurar as razões objectivas que subjazem a estes sentimentos e atitudes e encontramos, por isso, redobradas razões para louvar e encorajar o empenhamento de quem é capaz de as contornar, prevenir e remediar.
A estes tempos agrestes, mas também promissores, há que responder com um reforço de confiança, porque esta é a virtude matricial da renovada capacidade do agir humano, sem se frustrar e deixar destruir pela opacidade da realidade, da traição, do insucesso ou da impotência face ao mal. (...)
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