15 novembro 2010

ADONAI DÁ UMA MULHER A ISAAC
- Génesis, capítulo 24

No site da Fundação Betânia foi publicada a nova série de estudos sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.

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"Este capítulo foi introduzido tardiamente no livro do Génesis. Sugere-o a falta de referências geográficas precisas, geralmente presentes nas tradições antigas, assim como o título “Deus do céu e da terra”, que tem um carácter claramente universalista. O capítulo pretende dar duas mensagens teológicas:

1. Deus guia a história da salvação através de acontecimentos e coincidências banais.

Adonai, de facto, não tem necessidade de fazer milagres e não gosta de factos sensacionalistas. Só os olhos da fé fazem pressentir a presença de Deus face aos acontecimentos comuns. É este o conceito a partir do qual Israel se começa a afirmar no período do iluminismo salomónico.

2. A vida e a oração são imprescindíveis, constituem um todo.

A espiritualidade rabínica dirá: a aspiração a uma vida de fé desenvolvida é estar sempre na presença de Deus, caminhar sempre com Ele."

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- Nicoletta Crosti,
ADONAI DÁ UMA MULHER A ISAAC
- Génesis, capítulo 24
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01 novembro 2010

Não toques o que está na pauta.
Toca o que lá não está.


Felizes os que estão atentos aos sinais portadores de futuro
- Porque são construtores do Reino de Verdade, de Justiça e de Paz.
(Fundação Betânia – As Bem-aventuranças)


A evocação do conselho do famoso trompetista Miles Davis -
Não toques o que está na pauta. Toca o que lá não está - vem a propósito deste nosso tempo, caracterizado por um processo de profunda crise de instituições e valores, com consequências graves para a vida das pessoas, a coesão social, a sustentabilidade, a dignidade de cada ser humano ou a defesa dos direitos humanos fundamentais.

À nossa volta, sentimos, cada vez mais, que se vem adensando uma atmosfera depressiva, própria de quem vive quotidianamente uma forte tensão entre o que julga trazer-lhe felicidade e aquilo que tem de cumprir na sua vida de todos os dias: no trabalho, na ocupação do tempo, na organização e qualidade da vida familiar, na vida cívica ou na orientação da política do Estado.

(...)

Na pauta, por ora, não está a urgência de nos pensarmos como seres criativos de beleza, de bem, de harmonia, de gratuidade, de partilha e comunhão com outros seres e, em particular, com os outros humanos.

Na pauta, por ora, não está um sentido rigoroso da primazia do valor da pessoa humana em todas as circunstâncias, quando estiverem em causa o emprego e o trabalho digno para todos, o respeito pela dignidade de cada ser humano, a economia posta ao serviço do bem-estar e da qualidade de vida, a justa repartição da riqueza, o sentido de serviço, a prevalência do ser sobre o ter.

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[Texto integral ]
Imagem: Woman Playing Keyboard - Leon Zernitsky. 2008