15 outubro 2010

A PROMESSA DA TERRA COMEÇA A REALIZAR-SE
Génesis, capítulo 23

No site da Fundação Betânia foi publicada a nova série de estudos sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.

No livro do Génesis sublinha-se a importância de Sara. No início é a mulher legítima de Abraão pronta a obedecer-lhe em tudo, e como era costume naquele tempo era propriedade do marido; di-lo o próprio nome de Sarai, que significa ‘minha princesa’. Mas depois do nascimento de Ismael, filho da escrava Agar, o Senhor muda-lhe o nome. Diz a Abraão: não mais a chamarás Sarai mas Sara. Eu abençoá-la-ei e dela te darei um filho … reis dos povos dela nascerão (Gen 17, 15). A partir deste momento, Sara já não pertence a Abraão mas aos projectos de Deus, que lhe retira a sua pesada infertilidade e a transforma na matriarca do povo hebraico. Sara agora vive uma vida autónoma, de esposa passa a mãe, mãe do filho da Promessa que é Isaac (Gn 17,21). Todavia, Sara não é apresentada como um modelo de fé. De facto, não acredita na notícia da sua maternidade, nem mesmo quando se lhe diz nada é impossível a Deus, e por outro lado, parece pouco sincera. (Gn 18, 12-15).

Volta o tema das personagens bíblicas construído com as suas fragilidades, para enfatizar que não são heróis, mas pessoas frágeis como todos. De facto, a história da salvação continua só porque o Senhor a quer e a conduz.

(...)

- Nicoletta Crosti,

A PROMESSA DA TERRA COMEÇA A REALIZAR-SE

- Génesis, capítulo 23

[ Versão integral ]

01 outubro 2010

Raízes de um Novo Humanismo
- Seres de relação e bem comum

A única coisa que pode dar significado à vida humana, às nossas vidas, é um novo modo de pensar, um humanismo intrínseco que emane das profundidades da nossa consciência aberta, clara e liberta de condicionamentos; uma consciência conectada com as raízes do espírito humano, com as raízes do “Ser”.  - Andrès Schuschny
Quando conseguimos parar e deixar que ganhe espessura o fundo que nos habita, damo-nos conta que, em cada um e cada uma de nós, duas realidades coexistem: uma pessoal, individual, que percepcionamos facilmente através dos nossos sentidos; e uma outra, mais subtil, que é a nossa participação numa realidade mais vasta, num todo, que nos precede e está para além da nossa individualidade. A importância relativa que conferimos a uma e a outra destas duas dimensões do ser humano marca, significativamente, o nosso sentido de vida. Se nos encapsulamos no nosso ser individual e nada mais nos comove e move, facilmente cairemos na teia dos interesses egoísticos, na violência, na ambição desmesurada, na competição agressiva e, por arrastamento, entraremos num caminho de morte e “vil tristeza”. 
(...)
Imagem: Crowd of People - Marie Bertrand - 2007