29 abril 2010

Grupo de Trabalho «Economia e Sociedade»
e o Plano de Estabilidade e Crescimento

Sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC)
Posição do Grupo de Trabalho «Economia e Sociedade»
da Comissão Nacional Justiça e Paz

" 1. Considerando a importância de que se reveste o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) recentemente apresentado pelo Governo à Comissão Europeia, o Grupo de trabalho «Economia e Sociedade» (GTES) da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) considera seu dever e responsabilidade manifestar a sua opinião sobre as orientações de política financeira, económica e social constantes desse documento, em virtude das implicações que as mesmas poderão ter na vida pessoal e colectiva dos portugueses, nos próximos anos. Movem-nos preocupações pela construção de uma sociedade mais justa, mais inclusiva, mais solidária e onde seja possível um verdadeiro desenvolvimento humano. " (...)

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15 abril 2010

Até os pagãos conhecem o temor a Deus

No site da Fundação Betânia foi publicado mais um estudo da série sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados aqui no Ouvido do Vento.

É uma maravilha ver retomado o relato do capítulo 12 do Génesis, quando Abraão entra em terra estrangeira e, temendo pela sua vida, faz passar a sua mulher por irmã. O mesmo relato será repetido por Isaac (Gn 26,6-11). É evidente que existia uma antiga tradição da qual os autores fizeram derivar três relatos.

Embora o acontecimento seja fundamentalmente idêntico, a narrativa muda, quer em termos de contexto quer da forma como se desenvolve o tema, porque é diferente a mensagem que se quer transmitir.

Também neste capítulo se enfatiza a inadequação das personagens, como Abraão, chamadas a ser protagonistas de uma história de salvação. Deus aceita os patriarcas como eles são, filhos do seu tempo, desembaraçando-se como podem perante as dificuldades da vida, usando até a astúcia e a mentira relativamente às quais o autor não se escandaliza. Jesus, numa parábola, chegará a dizer: o senhor elogiou o mordomo desonesto pela sua astúcia (Lc 16,8). Para nós, hoje, a mentira de Abraão parece imperdoável porque somos filhos de uma sociedade na qual o respeito pelo estrangeiro e pelo próximo se desenvolveu imenso. Não era assim há três mil anos.

Não obstante a sua mentira, Abraão permanece para Deus um profeta. Todavia, Deus não deixa que passe despercebido o seu erro e mostra-nos as suas consequências negativas. (v.18).

(...)

- Nicoletta Crosti,
Até os pagãos conhecem o temor a Deus
- Génesis, capítulo 20

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02 abril 2010

Nós os humanos:
uma espécie egoísta ou basicamente empática?

Necessitamos de uma consciência planetária para ressuscitar a economia e revitalizar a biosfera. ¿Impossível? Não, em absoluto. A ciência demonstra que o ser humano progride reduzindo o seu egoísmo e ampliando a sua empatia. Jeremy Rifkin – La Civilización Empática.

Num artigo recente, o economista e escritor Jeremy Rifkin vem chamar a atenção para a necessidade de caminharmos para uma “civilização empática”, afim de se ultrapassar a crise sistémica por que passam as economias e as sociedades contemporâneas.

(...)

Ao longo dos tempos, sempre surgiram exemplos que contrariam a concepção da racionalidade egoísta subjacente ao comportamento humano. São mulheres e homens com elevado grau de empatia com outros seres humanos e com os demais seres, pessoas que, nas suas vidas, conferem prioridade ao bem do próximo ou às causas comuns. Falamos, então, de altruísmo, de generosidade, de amor ao próximo.

Por detrás deste comportamento não-egoísta, está uma capacidade de “empatia”, uma capacidade de deixar reflectir em si mesmo o outro, de modo a tomar como seu o bem alheio, seja o de um sujeito ou grupo determinado, seja também o bem de um todo mais vasto, o Mundo em que vive, o planeta Terra em que habita.

A neurociência vem confirmar esta capacidade humana de empatia, identificando os genes que revelam essa característica.

Alguns cientistas sociais, por seu turno, demonstram que, reduzindo o egoísmo e ampliando a empatia, se criam condições para melhor convivência humana e progresso social.

(...)

As crises, na medida em que revelam disfuncionamentos e rupturas nos processos sócio-económicos, abrem caminho à emergência de novas realidades. É o que sucede com a transição em curso para uma nova era civilizacional assente num modo de produção baseado em novas tecnologias, energia renovável e informação, em contexto de globalização crescente.

Para ter êxito, esta transição pressupõe, porém, que se mude de paradigma filosófico e que a concepção egoísta do ser humano dê lugar ao desenvolvimento da sua capacidade de empatia.

(...)

Deixo a interrogação: Que caminhos nos hão-de conduzir a uma desejável, necessária e urgente “civilização empática”?

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Imagem: People Linked Together - Alberto Ruggier. 2007