17 fevereiro 2010

Deus Salva o Sobrinho de Abraão
- Génesis c.19, 1-29

No site da Fundação Betânia foi publicado mais um estudo da série sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados aqui no Ouvido do Vento.

(...)

O acontecimento relatado tornar-se-á arquétipo do julgamento divino sobre o mal moral que a santidade de Deus não pode aceitar e que se empenha em eliminar. (...) Este relato será retomado, mais vezes, na Bíblia para mostrar as consequências que derivam do abandono dos caminhos do Senhor, isto é, dos compromissos da Aliança. (Dt 29,21-27; Is 1,8-17; Jr 50,38-40; Ez 16, 46-50; Am 4,10-12; Lam 4,3-8; Lc 17,26-33; II Pe 2,4-10).

(...)

vv. 24-25 O Senhor fez chover sobre Sodoma... enxofre e fogo... do céu. Provavelmente foi conservada a recordação de um cataclismo que aconteceu realmente. Pode-se pensar num desenvolvimento sísmico que ampliou o Mar Morto na zona e que depois a tornou fértil (veja-se a escolha desta terra por parte de Lot). Toda a zona é agora rica em jazidas de azoto e sulfatos.

v. 26 A mulher de Lot olhou para trás e transformou-se numa estátua de sal. O autor usa a imagem da estátua de sal, porque este se formava facilmente na zona, causado pela evaporação do lago. A mulher de Lot deixou-se tomar pela nostalgia do passado, o que a bloqueia e não a deixa dar o passo decisivo para a conversão e a salvação. Podem aplicar-se a ela as palavras de Jesus: Quem pôs a mão no arado e depois volta atrás, não é digno do reino de Deus (Lc 9,62).

Pela teologia do narrador, o Deus de Israel é um deus que não pode deixar o mal impune e não pode entrar em compromisso com o mal. Por outro lado, no respeito pela liberdade do homem, Deus não pode salvar quem não quer ser salvo e persiste na imoralidade.

Para poder conservar a criação como espaço vital, a criatura deve seguir os caminhos de Deus, que são caminhos de vida.

- Nicoletta Crosti,
Deus Salva o Sobrinho de Abraão - Génesis, c. 19, 1-29

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01 fevereiro 2010

Salvar a Humanidade e o Planeta.
Reforçar a Confiança.

A Humanidade do começo do século XXI tem múltiplas razões para olhar o futuro com perplexidade, insegurança e temor.

À semelhança de muitas outras vozes de cientistas, filósofos e políticos, Edgar Morin, num pequeno artigo, alerta que o modelo económico mundial dá mostras de rupturas sérias que extravasam o domínio estrito da economia e ameaçam o equilíbrio ecológico do Planeta.

O crescimento económico em que os governos dos países mais ricos continuam a apostar não pode continuar indefinidamente; tão pouco, é pensável que um tal modelo possa servir de guia para os países emergentes. Isto pela razão básica de que o nosso Planeta não o comporta. Seriam necessários vários Planetas Terra para acomodar padrões económicos como aqueles que conhecemos no Ocidente. (...)

Transformação tão radical só pode acontecer se os elementos primários do sistema agirem de forma inteligente, concertada e responsável, no sentido da viabilização de um novo paradigma.

O objectivo é salvar a Humanidade e o Planeta Terra, o que implica uma mudança da nossa forma de pensar, de viver e de agir, com consequências no modo como nos alimentamos, na racionalidade e austeridade dos consumos que fazemos de bens não renováveis, na energia que utilizamos, no modo de organizar a produção, o trabalho e as relações laborais, no uso moderado dos transportes de pessoas e de mercadorias, na importância atribuída ao conhecimento e sua orientação para o bem comum, na maneira como olhamos e respeitamos os nossos semelhantes e convivemos com as diferenças, na prioridade que conferimos à solidariedade com os mais vulneráveis, etc. (...)

A metamorfose necessária de que fala Morin não acontecerá por decreto ou pela acção de um déspota iluminado. Serão as pessoas que a poderão preparar, através do seu modo de pensar e do seu agir em coerência com os valores por que se guiam. (...)

[ Texto integral ]

Imagem: Man Balancing Earth On Finger - Bruno Budrovic. 2008