15 novembro 2009

Abraão e Sara não sabem confiar
nos tempos de Deus
- Génesis, capítulo 16

No site da Fundação Betânia foi publicada a nova série de estudos sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.

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v. 3 Sara… tomou Agar… e deu-a como mulher a Abraão seu marido. Sara vive a sua esterilidade como uma culpa, que a humilha, e procura remédio para ela segundo o costume do tempo. No caso de esterilidade da mulher legítima, o código de Hamurábi (1700 a.C.) determinava que num contexto monogâmico, como o dos babilónicos, a mulher poderia oferecer ao marido uma escrava.

A escrava dava à luz em cima dos joelhos da sua senhora e assim também a criança, simbolicamente, nascia quase do próprio seio da mulher legítima. (Gn 30, 3¬9).

Sara não sabe ser serva do projecto de Adonai, e não espera que seja o próprio Deus a fazê-la sair da sua humilhação, segundo a figura do servo de Isaías que se confia no Senhor (Is 49, 1-7). Fá-lo-á Maria de Nazaré aceitando a humilhação de ser tida como adúltera e esperando em Deus a sua libertação.

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- Nicoletta Crosti,

Abraão e Sara não sabem confiar nos tempos de Deus

- Génesis, capítulo 16

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01 novembro 2009

Na senda de uma nova consciência moral
- De um “eu egoísta” a um “nós plural”

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Reconhecemos, hoje, através da dura lição dos factos (o desemprego, a pobreza, a má qualidade das condições de trabalho e de vida urbana, a destruição do ambiente, as guerras e as sérias ameaças à paz) que o “eu egoísta” é uma matriz demasiadamente estreita para enquadrar o comportamento humano nas suas múltiplas vertentes de membro de uma família, de uma sociedade, de uma empresa, de uma comunidade local, de um tempo e de um espaço.

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O modelo económico neo-liberal e a cultura que o acompanha e sustenta subestimaram, perigosamente, esta dimensão do “nós plural” e a sua relação com o Planeta e, hoje, as sociedades confrontam-se com atitudes e comportamentos individuais irracionais e completamente desfocados do bem comum e da sustentabilidade da vida na Terra. Impõe-se, assim, uma nova compreensão da nossa condição de seres humanos e a aprendizagem de novas atitudes e comportamentos mais ajustados à realidade que percepcionamos bem como a definição de novas arquitecturas para a organização das sociedades.

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[ Texto integral ]

Imagem: Man Holding Windows - Jams Endicott, 2008