15 julho 2009

Abraão é generoso com Lot Deus recompensa-o

- Génesis, capítulo 13

No site da Fundação Betânia foi publicada a nova série de estudos sobre o Génesis, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.


(...)

v. 8-9 Abraão disse a Lot: que não haja discórdia entre mim e ti ….separa-te de mim. Abraão aposta mais na paz do que no ganho (Pr 17,1). É melhor separar-se do que litigar. Por idade e parentesco, Abraão tinha o direito de fazer a primeira escolha, mas, em vez disso, deixa que seja o sobrinho a escolher. Abraão tem o comportamento de um homem generoso. O autor quer exaltar este procedimento de Abraão.

v. 10-11 Então Lot…viu que todo o vale do Jordão…era como o jardim do Senhor.

De Betel avista-se o leito do Jordão junto ao lado meridional do Mar Morto.

Lot escolhe a parte mais rica e fértil, fácil de trabalhar. O autor ironiza esta escolha, por este paraíso se tornar em breve num inferno e, assim, mostra a superficialidade de Lot que só olha à aparência e persegue a vida fácil (veja-se Mt 7,13-14). Abraão contenta-se com a zona montanhosa a oeste do Jordão.

v. 12 Lot estabelece-se nas cidades do vale. Para o autor, esta escolha mostra a pouca importância que Lot dava aos ensinamentos de Deus, visto que as cidades eram consideradas lugares viciosos. Ainda por cima, Lot decide fixar-se na cidade de Sodoma, conhecida pela vida perversa dos seus habitantes (...).

v. 15 Toda a terra que vês te darei a ti e à tua descendência para sempre. As dimensões da terra são as do reino de Salomão (é usada aqui uma técnica retrospectiva), de Dan no norte a Kadesh no sul. O dom da terra é, explicitamente, para sempre. (veja-se Gn 17,8) Será exactamente esta declaração que dará esperança aos exilados na Babilónia os quais, tendo infringido a aliança, pensavam ter também perdido a posse da terra. Vejam-se os cânticos do retorno dos profetas, a partir de Is 54,1-10 e Jr 31, 3-14. Esta terra é um dom gratuito que não pede nada em troca, não é uma aliança que possa ser quebrada.

(...)

- Nicoletta Crosti,

Abraão é generoso com Lot Deus recompensa-o

- Génesis, capítulo 13

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11 julho 2009

Caritas in Veritate

Associar a Caridade à Verdade e fazer de ambas a matriz para pensar o desenvolvimento humano e enfrentar os desafios da globalização e do futuro colectivo da Humanidade tal é o propósito de Bento XVI com a publicação de uma nova Encíclica, a terceira do seu Pontificado.
Não ignora que a palavra Caridade aparece deturpada em muitas das linguagens correntes, mas o Papa recupera o seu sentido profundo de Amor no contexto da teologia cristã, pondo em destaque que: o amor - «caritas» - é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz.
Reconhecendo que existe um risco na cultura contemporânea de um amor sem verdade, Bento XVI lembra que: só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade, escreve.
Neste documento são reflectidas questões prementes do desenvolvimento, da economia globalizada, da saúde da Terra, da pobreza, do desemprego e dos direitos dos trabalhadores, dos emigrantes, do capital e do lucro, da regulação financeira a nível mundial, do papel do Estado e da participação da sociedade civil, da empresa mercantil e de empresas de economia social e solidária, da técnica, do papel da comunicação social, do valor da vida e da dignidade da pessoa humana, do bem comum como horizonte de referência de toda a actividade humana … uma multiplicidade de temáticas interconectadas a que a razão e a inteligência humana têm capacidade e dever de dar resposta.
Vale a pena ler a Encíclica na íntegra e levar as diferentes temáticas nela abordadas para o debate no espaço público. Assim tornaremos, certamente, mais rico o nosso pensar e o nosso agir.

Só na verdade é que a caridade refulge
e pode ser autenticamente vivida.


- Bento XVI Caritas in Veritate, 3

A encíclica de Bento XVI Caritas in Veritate sobre o desenvolvimento humano integral na Caridade e na Verdade.

."A nova encíclica de Bento XVI, "Caritas in Veritate", condena as actuais práticas de deslocalizações e de precariedade no trabalho, afirmando que «uma situação estrutural de insegurança gera comportamentos antiprodutivos e de desperdício de recursos humanos».

«Não é lícito deslocalizar somente para gozar de especiais condições de favor ou, pior ainda, para exploração, sem prestar uma verdadeira contribuição à sociedade local».

- Agência Ecclesia, 11 de Julho 2009
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01 julho 2009

Reconhecer, acolher e celebrar as dádivas da vida

É necessário um regresso a nós próprios, um trabalho de interiorização e de tomada de consciência antes de se poder encontrar a chama viva da nossa frágil existência, a abertura possível e a mudança depois do período de insegurança, antes de descobrirmos o milagre que nos é oferecido naquilo que, num primeiro instante, só deixara antever a violência, o caos, a injustiça ou a confusão inaceitável.

- Herbjorg Wassmo

(...) As pessoas raramente são convocadas para se regozijarem com empreendimentos comuns bem sucedidos, gestos de abnegação generosa, conquistas alcançadas no domínio da tecnologia e da inovação social, êxitos no domínio das ciências e das artes, indicadores de progresso material, social e humano. E uma tal realidade existe, mas fica oculta sob o véu da ignorância, ou é deformada por conveniência de alguns. Cria-se, assim, – e alimenta-se – um caldo de cultura favorável ao clima depressivo que vem minando a mundividência do mundo ocidental contemporâneo e, atinge, de modo particular, a sociedade portuguesa.

Em nenhum outro tempo da história da Humanidade se atingiram tão elevados progressos no conhecimento, na economia ou na organização das sociedades. Contudo, a imagem que se incrusta na mente da generalidade das pessoas é que “somos infelizes e vítimas”. (...)

Aproxima-se um tempo de férias, interrupção saudável dos afazeres e rotinas do quotidiano, e por isso bom seria que nos dispuséssemos a parar para reconhecer, acolher e celebrar a vida na sua totalidade.

Estar vivo é, precisamente, entrar nesta imensa corrente de energia presente em cada acontecimento, em cada gesto, em cada situação, em cada encontro, como quem recebe e como quem dá. Num duplo movimento de gratidão (pelo muito que se recebe!) e de dádiva (pela capacidade que temos de fazer crescer a vida!)

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Imagem: Man Outlook - Farida Zaman, 2008