O ser humano experimenta em si mesmo uma dupla natureza.
Reconhece-se na sua dimensão corporal, sujeito às leis da matéria e às coordenadas do ambiente em que vive. Tem fome e tem sede, calor e frio. Conhece a saciedade e a carência, a saúde e a doença. Cresce e fenece.

Não obstante a importância desta sua condição existencial, o ser humano dá-se conta, porém, que não lhe está confinado. É mais do que o seu corpo. Atravessa-o e anima-o um feixe de aspirações e desejos, emoções e sentimentos, que lhe acrescentam identidade e singularidade próprias e dão cor e sabor à sua vida.
Matéria e espírito ou, melhor, matéria habitada pelo espírito, o ser humano aspira a ir além de si mesmo e, em condições normais, mostra-se incansável na busca de caminhos que, supostamente, lhe tragam felicidade, harmonia, paz interior, alegria de viver. (...)

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Imagem: Girl with Ball Overlooking the Sea - Mark Bolton, 2007