16 janeiro 2009

Os Israelitas não querem sair do Egipto
Êxodo, capítulo 5

No site da Fundação Betânia foi publicado mais um estudo do Livro do Êxodo, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.

(...)

Os israelitas não contestam a ditadura. Entre Adonai e o faraó escolhem o faraó, de quem querem permanecer escravos, preferem não arriscar.

vv. 20-21 “ que o Senhor repare em vós e julgue... porque nos tornaste odiosos aos olhos do faraó”. Os escribas intentam um processo contra Moisés e Aarão, pondo Adonai em causa. Com isto renegam a autoridade de Moisés e Aarão e, consequentemente, a palavra de Adonai. Quiseram que Adonai estivesse ao serviço do faraó, em defesa de um status de opressão.

vv. 22-23 “Meu Senhor porquê… porquê … porquê? ” Moisés considera Deus responsável pelos acontecimentos. Por que é que Adonai faz sofrer este povo, que prometeu libertar e depois não o faz? É o drama do profeta, que não vê realizado o seu mandato. (Jer 15,10-11 e 15-18; 20,7-10).

A prece de Moisés é também prece de intercessão pelos pecados dos outros, que se repetirá em frente ao vitelo de ouro (Ex 32,11-14. 30-32), e que entrará na tradição bíblica (Sl 106,23).

- Nicoletta Crosti,
Os Israelitas não querem sair do Egipto
- Êxodo, capítulo 5

[ Versão integral ]

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06 janeiro 2009

A cintilante caligrafia das constelações

Transcrevo o pequeno texto poético enviado ontem por uma amiga e que poderá inspirar o dia de quem nos visite. É que "sem a cintilante caligrafia das constelações" afundamo-nos no labirinto das crises e na cinzentura do quotidiano, quando podemos ser barcos em viagem para horizontes novos e lugar de germinação da palavra por dizer.

O mundo não é o mundo sem a cintilante caligrafia das constelações
Essa plácida dimensão do longínquo é o grande leque da nossa respiração liberta
À cinzenta ou solar monotonia diurna contrapõe-se o ouro trémulo da melodia dos astros
Vemos o universo como um grande veleiro sobre o veludo escuro do firmamento
Poderemos nós também ser os barcos silenciosos que navegam ao ritmo redondo das estrelas?
O corpo dilata-se como um harmónio perante a amplitude do espaço infinito
e sente a sua vocação universal crescer como um trigo do mundo
Entre as águas plácidas do sono e o remoto movimento das constelações
há a sintonia de um silêncio e a incessante germinação de uma palavra inaudível
que é a origem de todas as palavras que buscam a rosácea da harmonia de um horizonte novo.
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António Ramos Rosa, Génese seguido de Constelações, Roma Editora, 2005

04 janeiro 2009

Não podemos calar a indignação

Esta tarde recebi uma mensagem de correio electrónico que começava assim:

A Faixa de Gaza está a tornar-se num perigoso detonador de uma enorme calamidade. Já morreu muita gente e o cenário que se anuncia é um verdadeiro genocídio face à passividade e impotência da ONU.
[Não podemos calar a indignação]

As imagens que nos chegam através dos órgãos de comunicação social e de testemunhas oculares que publicam na Net são de enorme violência.

Os apelos ao cessar fogo não produzem efeito e, ainda que saibamos que o fim dos ataques acabará por acontecer, também não podemos ignorar as vítimas inocentes: civis desarmados, sobretudo os mais débeis, os que não conseguem abrigar-se a tempo, os que não são socorridos a tempo devido ao caos em que estão os hospitais.

Se as crianças, que inocentemente se abrigam neste carro, fossem nossas conseguiríamos calar?

Imagem [daqui]
Fonte: BBC


Sugestões:

A canção Blowin in the Wind de Bob Dylan continua actual!

01 janeiro 2009

Para uma “mudança fértil do real”

É próprio do começo de cada novo ano deixarmo-nos entusiasmar com projectos de futuro. Fazemo-los para nós próprios, para os outros que nos estão próximos ou para a Cidade no seu todo. E mal vai quando, por uma qualquer razão, assim já não sucede, pois tal significa que se deixou de viver e de acreditar na Vida.

No começo de cada novo ano, sentimo-nos mais despertos para reconhecer o ímpeto de transformação que a Vida comporta como sua componente intrínseca e tomamos consciência de que ela, queiramos ou não, flui ao ritmo do tempo, oferecendo sempre desafios novos que entusiasmam, mas também pondo em foco possíveis perplexidades, sempre surpreendentes, que nos podem desgostar e atemorizar.

O ano de 2009, que agora se inicia, é visto por muitos como um ano difícil, um ano de agudização de múltiplas crises, descontentamento e exclusão social crescentes e de mais violência…
No plano pessoal, avultam os correspondentes receios de mais frustração, de maior anomia social, perda de sentido de vida e propensão a défices de solidariedade entre pessoas, grupos sociais e povos inteiros.

Neste quadro, acho que é oportuno que todos nos interroguemos: Por onde vai caminhar a esperança de quantos estão apostados em viver profundamente a sua humanidade e, mais ainda, daqueles e daquelas que se reconhecem como cristãos, isto é, discípulos do Ressuscitado e protagonistas da construção de um reino de Verdade, de Amor e de Paz? (...)
Imagem: Dandelion Seeds Blowing in Wind - Daniel Sicolo