15 novembro 2008

Adonai revela a Moisés o Seu plano de Salvação

- Êxodo, capítulo 6

No site da Fundação Betânia foi publicado mais um estudo do Livro do Êxodo, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.

(...)

Deus é o redentor, é uma qualidade constitutiva do seu ser

v. 7 “Tomar-vos-ei como o meu povo (adoptar-vos-ei) e tornar-me-ei no vosso Deus”. Pela primeira vez se faz referência à declaração fundamental da aliança do Sinai dos capítulos seguintes, aliança esta por sua vez bilateral e condicionada, diferente, no entanto, daquela que se refere à terra. É a grande vocação de Israel: ser o povo de Deus.“e vós sabereis que sou o Senhor”. A libertação para se tornar salvação deve ser reconhecida enquanto revelação do deus que salva. Nesta mesma linha Jesus dirá “... a tua fé te salvou”.
Revelação do Deus que salva e resposta da fé são parte integrante da completude do acto salvífico

v. 8 “ dar-vos-ei em posse” - Trata-se de uma posse relativa porque a terra permanece do Senhor, dono de toda a terra (Lev 25,23). A terra é o grande dom de Deus, é a dádiva fundamental, a qual se actualiza no dom quotidiano do alimento (Sl 136/135, 21-22,25).

- Nicoletta Crosti,
Adonai revela a Moisés
o Seu plano de Salvação
- Êxodo, capítulo 6

[ Versão integral ]

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05 novembro 2008

SER FELIZ NA SOBRIEDADE

Na sequência do meu escrito de Novembro, ocorre-me partilhar esta entrevista de Pierre Rabhi em declarações recolhidas por Caroline Bongiraud. in, Biocontact Julho-Agosto 2008

Perante a degradação da condição humana e os consideráveis prejuízos infligidos à Natureza, Pierre Rabhi convida-nos a sair do mito do crescimento indefinido e a inaugurar uma nova ética de vida rumo a uma “sobriedade ditosa”.

(...)
Quais são, para si, as verdadeiras riquezas ?
Quando falamos de capital, vem-nos à ideia a questão do dinheiro, da moeda. Ora é evidente que a moeda, actualmente, não é verdadeiramente representativa de riqueza real. Com efeito, como se deram ao dinheiro plenos poderes sobre o destino e a vida, considera-se que ele é o único a poder fazer aparecer riqueza. Ele é o seu « representante ». Mas, na realidade, a partir do momento em que introduzimos o dinheiro, falseámos completamente os dados económicos.
Hoje, quando se fala de economia, não se trata de economia real. A economia real é um sistema que tem por objectivo repartir os recursos tão equitativamente quanto possível para responder às necessidades do maior número de pessoas. Infelizmente, o que se chama “economia” é, sobretudo, a monetarização que faz com que o dinheiro represente não apenas riquezas reais mas também riquezas não-reais, virtuais, especulativas, e que ele funcione sobre si próprio : dinheiro produz dinheiro. Logo, não estamos numa economia real.
Se estivéssemos numa economia real, nenhum ser humano deste planeta teria falta do essencial : de alimentação, vestuário, abrigo e dos cuidados necessários. Trata-se de um bem legítimo ao qual cada um de nós deveria poder aceder como ser humano legitimado pela própria vida.
Ora acontece que estamos longe do objectivo: fazemos muitas proezas técnicas mas nos nossos dias estamos longe de dar resposta às necessidades do conjunto da Humanidade.

01 novembro 2008

É urgente inventar um modo de vida justo

(...)
Face à turbulência (inevitável, por certo, mas não forçosamente negativa!) é indispensável redobrar a lucidez e a vigilância que permitirão distinguir o trigo do joio. Importa, igualmente, reforçar o gosto e o sentido de uma individualidade responsável, menos vulnerável às pressões e influências exteriores e mais capaz de ocupar, por inteiro, o espaço da sua própria liberdade criativa e, quanto possível, alargá-la cortando eventuais amarras de desnecessárias dependências.

Acima de tudo há que re-inventar e pôr em prática um estilo de vida de justa medida no ter e no fazer, descobrir os caminhos da justa relação consigo própria/o, com os outros e com a natureza, optar conscientemente pela justa solidariedade, convivialidade e empenhamento na construção do bem comum. Há que aprender a dar lugar ao transcendente, à gratuidade e à beleza e deixar que permeabilizem a vida corrente.
[Texto integral]
Imagem: La vida en blanco y negro - Memo Vasquez, 2007