15 julho 2008

A vida humana não tem preço
- Êxodo 21, 16-37; 22, 1-26

No site da Fundação Betânia foi publicado mais um estudo do Livro do Êxodo, no âmbito do Projecto Ler a Bíblia, coordenado por Nicoletta Crosti.

Estes estudos podem ser comentados no Ouvido do Vento.



O código da Aliança ajuda a encarar, segundo a óptica da justiça, as várias formas de violência de uma sociedade agrícola muito pobre. É intenção do legislador mostrar o espírito da lei, que impele a ir além desta mesma lei, apresentando uma escala de valores específica.(...)

No mundo cristão, este mandamento foi infringido muitas vezes. Basta pensar no tráfico dos escravos, na utilização da classe operária no século XVIII, e agora em algumas regiões, na transformação da força de trabalho em trabalho forçado, por causa das leis económicas que colocam o deus mercado acima da pessoa humana. (...)

A vida humana é o valor mais elevado; qualquer negligência a seu respeito é condenada.

(...)

Solidariedade é sentir-se responsável pelo outro

Então, como agora, os indigentes encontravam-se na necessidade de pedir emprestado ou empenhar os próprios bens. Neemias 5, 1-13 mostra quais as consequências sociais que os empréstimos com juros tinham provocado na comunidade pós-exílica Em 2Rs 4,1-6 mostra-se como, para pagar a dívida, se tomavam até os filhos da viúva. No interior do povo de Israel, os empréstimos deviam ser concedidos sem juros (Dt 23,20; Lv 25, 35-38), para não provocarem a sujeição da pessoa (Pr 22, 7). Pelo contrário, era necessário estar atento a não humilhar e a não tomar como penhor os meios de subsistência (v.25).

Paulo dirá “a caridade não busca o seu próprio interesse” (1Cor 13,5).

Jesus reforça este conceito sublinhando o valor da gratuidade (Lc 14, 12-14).

- Nicoletta Crosti,
A vida humana não tem preço
- Êxodo 21, 1637; 22, 1-26

[ Versão integral ]

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01 julho 2008

O meu bem é o bem do todo

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Tema central do cristianismo, a noção de bem comum está intimamente ligada ao valor conferido à pessoa humana, na dupla vertente de individualidade e de dimensão relacional. Nenhum ser humano subsiste sem o reconhecimento da sua singularidade, mas também sem a consciência e sem a experiência da sua relação com o outro, sejam os outros seres humanos mais ou menos próximos, a natureza, a cultura, a sociedade. A tal ponto assim é, que o bem individual de cada ser humano está indissociavelmente ligado ao bem do todo. O comprovativo mais eloquente desta afirmação é a paz que, sendo desejo universal que habita o coração humano, só é realizável como um bem comum.

(...) Neste tempo de crise, há que fugir da tentação da “conquista” e do reforço das lógicas do “salve-se quem puder” que só podem levar à exclusão e ao conflito social ou seja ao aprofundamento da própria crise.

Ao invés, eu diria que precisamos de reaprender a gostar de viver em conjunto e a re-centrar as nossas decisões pessoais e colectivas no bem comum. É uma tarefa de todos e, com maior fundamento e exigência, para quem recebeu o dom da fé num Deus que é convite perene ao Amor.

A aplicação sincera deste olhar de bem do todo fará mudar radicalmente os nossos referentes existenciais e as nossas opções em matéria de organização de vida pessoal e colectiva e abrirá rotas de futuros portadores de vida mais harmoniosa e feliz.

Façamos destas férias um tempo de desaprender modos de ser hedonista, e de prática de um outro olhar – aquilo que mais aproveita ao todo de que sou parte.