Vivemos numa sociedade crispada. As pessoas parecem zangadas. Zangadas com os outros, com o trabalho, com o trânsito, com a política, com o funcionamento dos serviços. Em suma: zangadas com a vida. Talvez, e em primeiro lugar, zangadas consigo mesmas e transportando estes sentimentos para o ambiente em que vivem e onde se movimentam, potenciando, assim, novas razões de mal-estar…
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Existem inúmeras causas objectivas que concorrem para alimentar o espírito de zanga e a violência a ela associada. É uma análise de que não me ocuparei, em pormenor, neste escrito, mas será interessante que cada eventual leitor e leitora o faça e incentive familiares e amigos a que o façam também. Quando conhecemos as causas do mal estamos em melhor posição para as prevenir e erradicar!
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Não nos dispensaremos de procurar remover as raízes estruturais da violência, intervindo nas instâncias próprias e através dos meios adequados, para que prevaleça a justiça e se dê a necessária solidez à paz social. Será um combate a prosseguir com lucidez, determinação e persistência. Contudo, o passo mais imediato ao nosso alcance é, certamente, o que decorre de uma escuta sincera, profunda e consequente da palavra do Evangelho, que é também um convite: Felizes os que constroem a paz. Serão chamados filhos e filhas de Deus. (Mt 5,9).
A esta luz, concluo com um duplo desafio: Como ser artífice de paz hoje? Como aproveitar a Quaresma de 2008 para arrancar as raízes da zanga e mal dizer e cultivar um espírito de positividade, de harmonia, de conciliação e de paz? »» [Texto integral]