Considero um valor todas as formas de vida,
a neve, os morangos, as moscas.
Considero um valor o reino mineral e a república das estrelas.
Considero um valor o vinho enquanto dura a refeição,
o sorriso involuntário,
o cansaço do que não se poupou,
dois velhos que se amam.
Considero um valor o que amanhã não terá valor
e o que hoje vale pouca coisa.
Considero um valor todas as feridas.
Considero um valor economizar água,
reparar um par de sapatos,
calar-se no momento certo,
acorrer a um grito,
pedir licença antes de se sentar,
experimentar a gratidão sem se recordar por quê.
Considero um valor
saber onde se encontra o norte numa divisão da casa,
qual é o nome do vento que vai secando a lavagem.
Considero um valor a viagem do vagabundo,
a clausura de uma freira,
a paciência do condenado qualquer que seja a sua falta.
Considero um valor o uso do verbo amar
e a hipótese de existir um Criador.
Alguns destes valores, não os conheci.
Erri de Luca
Opera sull'acqua (Roma: Einaudi, 2002)
28 outubro 2007
22 outubro 2007
"Nascidos para a leitura"
Decorre hoje e amanhã na Fundação Gulbenkian a I Conferência PNL (Plano nacional de leitura). Com esta iniciativa, procura avaliar-se o desenvolvimento e os primeiros resultados do Plano nacional de leitura que envolve uma parceria alargada de bibliotecas escolares e bibliotecas públicas, assim como também autarquias, empresas e diferentes actores sociais.
Fomentar o gosto pela leitura e torná-la acessível a toda a população é, sem dúvida, um dos caminhos mais promissores para um desenvolvimento humano sustentável e para uma maior coesão social.
Todos ganhamos com uma população melhor habilitada a conhecer a realidade, compreender os seus processos de mudança, dispor de conhecimentos técnicos e de referências éticas para agir responsavelmente nas diferentes esferas da vida pesssoal e colectiva.
Por isso progredir na leitura é uma tarefa comum. Suscita interesse e empenhamento. É de desejar que fomente novos reforços de voluntariado para apoiar esta acção.
A consultar: http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/
Fomentar o gosto pela leitura e torná-la acessível a toda a população é, sem dúvida, um dos caminhos mais promissores para um desenvolvimento humano sustentável e para uma maior coesão social.
Todos ganhamos com uma população melhor habilitada a conhecer a realidade, compreender os seus processos de mudança, dispor de conhecimentos técnicos e de referências éticas para agir responsavelmente nas diferentes esferas da vida pesssoal e colectiva.
Por isso progredir na leitura é uma tarefa comum. Suscita interesse e empenhamento. É de desejar que fomente novos reforços de voluntariado para apoiar esta acção.
A consultar: http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/
21 outubro 2007
momento de poesia
A poesia tem a virtude de nos mover em direcção à essência da vida.
É assim com este poema de Sophia de Mello Breyner.
Aqui
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não por aquilo que só atravessei,
Não p'lo meu rumor que só perdi,
Não p'los incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
É assim com este poema de Sophia de Mello Breyner.
Aqui
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem,
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu - eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos,
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não por aquilo que só atravessei,
Não p'lo meu rumor que só perdi,
Não p'los incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
16 outubro 2007
Um imperativo ético
Amanhã, dia 17 de Outubro, milhões de vozes se erguerão em todo o mundo para dar voz a quem não a tem e continua a ser vítima de pobreza extrema. Por toda a parte se multiplicam gestos que mostram que é chegada a hora de reconhecer que a pobreza é uma violação dos direitos humanos universalmente consagrados e como tal a sua erradicação deve ser urgentemente assumida pelos governos nacionais e organismos internacionais, criando mecanismos que previnam as suas causas e monitorizem estratégias e politicas adequadas.
Dados oficiais ontem divulgados mostram que em Portugal existem cerca de 2 milhões de pobres e seriam ainda mais se não fossem as transferências sociais (reformas, subsídios, rendimento mínimo) que alguns, por ignorância, miopia ou insensibilidade social e política, querem reduzir e minimizar.
Portugal tem recursos materiais, de conhecimento e organização que permitiriam pôr termo á pobreza, se para tal fossem orientados e se os frutos do crescimento económico fossem melhor repartidos.
Erradicar a pobreza em Portugal é, assim, um imperativo ético que a todos deve mobilizar.
Amanhã, a Comissão Nacional Justiça e Paz entregará ao Presidente da Assembleia da República as mais de 20 mil assinaturas a favor do reconhecimento da pobreza como violação de direitos humanos e em favor da criação de mecanismos que promovam a sua erradicação.
Não é utopia pretender que a pobreza monetária que hoje conhecemos seja, em breve, uma coisa do passado.
A presença entre nós do navio "Amistad" lembrando a abolição da escravatura é um ícone de que o mesmo pode suceder com a erradicação da pobreza.
O mundo levanta-se, hoje, em nome desta causa. É um sinal de esperança de tempos novos de maior justiça e fraternidade.
E nós, de que lado estamos?
Dados oficiais ontem divulgados mostram que em Portugal existem cerca de 2 milhões de pobres e seriam ainda mais se não fossem as transferências sociais (reformas, subsídios, rendimento mínimo) que alguns, por ignorância, miopia ou insensibilidade social e política, querem reduzir e minimizar.
Portugal tem recursos materiais, de conhecimento e organização que permitiriam pôr termo á pobreza, se para tal fossem orientados e se os frutos do crescimento económico fossem melhor repartidos.
Erradicar a pobreza em Portugal é, assim, um imperativo ético que a todos deve mobilizar.
Amanhã, a Comissão Nacional Justiça e Paz entregará ao Presidente da Assembleia da República as mais de 20 mil assinaturas a favor do reconhecimento da pobreza como violação de direitos humanos e em favor da criação de mecanismos que promovam a sua erradicação.
Não é utopia pretender que a pobreza monetária que hoje conhecemos seja, em breve, uma coisa do passado.
A presença entre nós do navio "Amistad" lembrando a abolição da escravatura é um ícone de que o mesmo pode suceder com a erradicação da pobreza.
O mundo levanta-se, hoje, em nome desta causa. É um sinal de esperança de tempos novos de maior justiça e fraternidade.
E nós, de que lado estamos?
15 outubro 2007
O promissor hibisco vermelho...
"Em torno do acto fez-se uma celebração
com leituras de textos vários e uma oração final tirada do Salmo 99.
Simples e bonito!" - MS















Muito obrigada à comunidade de meditação cristã!
13 outubro 2007
Homenagem a John Main
O espaço de Betânia tem, desde hoje, mais uma árvore - um promissor hibisco vermelho.
O facto fica a dever-se à comunidade de meditação cristã que, deste modo, quis celebrar a vida de John Main, o fundador da Comunidade mundial de meditação cristã, presentemente com grupos em vários países.
A árvore é bem o símbolo de uma vida humana. Precisa de raízes fortes e terra boa para crescer. Tem a marca do tempo - seus ritmos e estações. É singular e única dentro da sua espécie.
E, depois, como escreve Herman Hesse: "As árvores são sagradas, quem sabe ouvi-las descobre a verdade".
Tem todo o sentido celebrar uma vida plantando uma árvore.
Manuela
O facto fica a dever-se à comunidade de meditação cristã que, deste modo, quis celebrar a vida de John Main, o fundador da Comunidade mundial de meditação cristã, presentemente com grupos em vários países.
A árvore é bem o símbolo de uma vida humana. Precisa de raízes fortes e terra boa para crescer. Tem a marca do tempo - seus ritmos e estações. É singular e única dentro da sua espécie.
E, depois, como escreve Herman Hesse: "As árvores são sagradas, quem sabe ouvi-las descobre a verdade".
Tem todo o sentido celebrar uma vida plantando uma árvore.
Manuela
Tema:
[ Espiritualidade ]
12 outubro 2007
Dedicação da igreja da Santíssima Trindade
08 outubro 2007
O teu ver é amar ...
"Senhor, o teu ver é amar e assim como o teu olhar me contempla tão atentamente que jamais se desvia de mim, assim é também o teu amor. E porque o teu amor está sempre comigo, não sendo o teu amor diferente de ti próprio, que me amas, por isso tu, Senhor, estás sempre comigo. Tu não me abandonas, Senhor. De todos os lados me proteges, porque cuidas de mim com a máxima diligência. O teu ser, Senhor, não abandona o meu ser. Eu sou na medida em que tu és comigo. E porque o teu ver é o teu ser, assim eu sou porque tu me olhas. E se retiras de mim os teus olhos, de modo nenhum subsistirei. Mas sei que o teu olhar é a bondade máxima que não pode deixar de se comunicar a tudo o que a pode receber."
Escolhi este excerto do livro de Nicolau de Cusa "A visão de Deus" (ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1998) para lembrar que existe um tesouro escondido neste famoso teólogo e místico da primeira metade do século xv.
Manuela
Escolhi este excerto do livro de Nicolau de Cusa "A visão de Deus" (ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 1998) para lembrar que existe um tesouro escondido neste famoso teólogo e místico da primeira metade do século xv.
Manuela
Tema:
[ Espiritualidade ]
01 outubro 2007
Aprender o valor de uma vida simples
Acaba de sair o "Escrito do Mês" de Outubro - 2007, da autoria de Manuela Silva, uma publicação on-line do Site da Fundação Betânia, desde Maio de 2003.
Deixo-vos o último parágrafo de
"Aprender o valor de uma vida simples"
"No nosso tempo, o apreço pela vida sóbria e pela vida simples é uma verdade esquecida que precisa de ser redescoberta ou re-aprendida. É importante e urgente fazê-lo, em nome da maior felicidade pessoal e em nome da defesa da dignidade humana e da preservação e sustentação da vida na Terra."
... podem ler aqui o texto integral!
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